DE VOLTA À ORIGEM

Ponte do século 19 furtada em MG será devolvida e empresa pagará R$400 mil

Removida ilegalmente, estrutura histórica da Estrada de Ferro Oeste de Minas voltará ao local de origem; acordo prevê R$ 400 mil em compensações ambientais e culturais

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A Justiça homologou o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que garante a devolução de uma ponte metálica do século 19 ao seu local de origem, no município de Prados, no Campo das Vertentes. A estrutura, de aproximadamente 20 metros de extensão em ferro maciço, foi furtada em uma área conhecida como Rota 58, perto da BR-265, nas proximidades do povoado da Pitangueira, em Prados, em junho deste ano.
A estrutura histórica integrava o antigo trecho ferroviário da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), que conectava Prados a Barroso, e havia sido retirada ilegalmente de seu trecho original. Além do retorno do monumento, o acordo estabelece a recuperação ambiental da área afetada, compensações financeiras no valor total de R$ 400 mil e incentivos ao turismo local.

As investigações, conduzidas pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural de Prados em conjunto com a Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), apontaram que a ponte foi vendida por um produtor rural a um intermediário e, em seguida, revendida para a empresa Ibitipoca Reserva Ambiental S/A.

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A estrutura foi desmontada e transportada para o município de Lima Duarte, na Zona da Mata mineira, a cerca de 180 quilômetros do local de onde foi retirada. Durante a operação de remoção, os órgãos de fiscalização constataram intervenções ambientais não autorizadas em Área de Preservação Permanente (APP).

Retorno ao local de origem

Pela decisão proferida em 22 de outubro pela Vara Única da Comarca de Prados, os responsáveis terão que providenciar a reinstalação da ponte metálica no local exato de onde foi retirada. O processo exigirá acompanhamento técnico especializado e a obtenção de todas as licenças administrativas junto aos órgãos competentes.

No âmbito ambiental, será executado um Plano Técnico de Reconstituição da Flora (PTRF) para recuperar a vegetação degradada, com monitoramento contínuo da regeneração da área ao longo de 36 meses.

Como forma de compensar os danos coletivos provocados ao patrimônio histórico e ao meio ambiente, a empresa Ibitipoca Reserva Ambiental depositará R$ 400 mil em recursos destinados exclusivamente a Prados:

  • R$ 300 mil: voltados para projetos de proteção, conservação e valorização dos bens culturais e do turismo do município;

  • R$ 100 mil: destinados a iniciativas de preservação e sustentabilidade ambiental.

A aplicação das verbas dependerá de autorização judicial e parecer favorável do MPMG.

Incentivo ao turismo

O acordo também traça planos para o futuro do patrimônio ferroviário na região. O município de Prados terá o prazo de 90 dias para elaborar um projeto de proteção e implantação de uma trilha turística ao longo do antigo leito da ferrovia entre Prados e Barroso. O planejamento contará com participação da comunidade por meio de audiências públicas e consultas populares, podendo utilizar os recursos advindos do TAC para sua execução.

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Na sentença, a Justiça ressaltou que a solução consensual fortalece a tutela do patrimônio público. Para o promotor de Justiça Antônio Pedro da Silva Melo, o desfecho do caso marca um passo decisivo para a região. "O acordo representa um importante avanço na proteção do patrimônio histórico e cultural ferroviário da região, além de assegurar medidas de reparação ambiental e compensações financeiras que beneficiarão diretamente o município de Prados", destacou. De acordo com o MPMG, a estrutura, feita em liga de ferro trazida da Inglaterra para o Brasil, é reconhecida como bem de relevante interesse cultural do Estado.

Relembre o furto da ponte

O sumiço da ponte levou à abertura de um inquérito pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). As investigações apontaram inicialmente que os autores teriam utilizado maquinário e ferramentas apropriados para o corte da ponte de ferro, bem como veículo de grande porte para o transporte do material. Durante os levantamentos, também foi constatado o bloqueio da estrada de acesso ao local, circunstância que, segundo os policiais, indicava planejamento prévio da ação criminosa. A Prefeitura de Prados colaborou com a PCMG na apuração do caso. O secretário municipal de Agricultura, Márcio Ladeira, o coordenador da Defesa Civil, Roberto Franco, e o auxiliar administrativo Bruno Velho acompanharam e auxiliaram os policiais nas investigações sobre o roubo.

Segundo a PCMG, a ponte foi encontrada em uma reserva ambiental da empresa Ibiti Projeto. À época dos fatos, as pessoas que a adquiriram afirmaram que a compra havia sido feita de forma regular junto a um comerciante do ramo de antiguidades. Em nota divulgada, a empresa alegou que a compra ocorreu mediante emissão de nota fiscal e "demais documentos pertinentes". A Ibiti Projeto disse ainda que a operação de transporte foi realizada com as devidas autorizações dos órgãos competentes. Conforme a polícia, a Ibiti Projeto apresentou documentação indicando a compra da estrutura por R$ 700 mil.

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