Empresa diz que ponte furtada foi adquirida de comerciante de antiguidades
Polícia Civil e Ministério Público de Minas Gerais apuram o caso e possíveis responsáveis, além de verificar eventuais danos ao patrimônio cultural e histórico
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A empresa Ibiti Projeto afirmou que a ponte metálica incorporada ao patrimônio de Prados, no Campo das Vertentes, foi adquirida de forma regular junto a um comerciante do ramo de antiguidades. A estrutura do século 19 foi furtada na última semana, na zona rural do município. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Civil do estado (PCMG) investigam o caso.
Em nota divulgada, a empresa alegou que a compra ocorreu mediante emissão de nota fiscal e "demais documentos pertinentes". A Ibiti Projeto disse ainda que a operação de transporte foi realizada com as devidas autorizações dos órgãos competentes. Segundo o comunicado, a documentação referente a compra e ao transporte da estrutura foi disponibilizada à polícia para as investigações.
"Ao tomar conhecimento dos questionamentos relacionados à origem da estrutura, o Ibiti Projeto foi igualmente surpreendido pelos fatos e imediatamente procurou as autoridades competentes, apresentando toda a documentação disponível, indicando a localização do bem e colaborando integralmente com as apurações", acrescentou. Ainda conforme a nota, a empresa aguarda o posicionamento oficial das autoridades quanto à definição jurídica e patrimonial da ponte.
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O que aconteceu?
A ponte, que possui aproximadamente 20 metros de comprimento por cinco metros de largura, foi furtada de Prados. Segundo a PCMG, o furto ocorreu em uma área conhecida como Rota 58, perto da BR-265, nas proximidades do povoado da Pitangueira, em Prados.
Em 10 de junho, a ponte foi encontrada pela Polícia Civil em Mogol, distrito de Lima Duarte, na Zona da Mata mineira, a cerca de 180 quilômetros do local de onde foi retirada. A estrutura estava em um empreendimento de lazer, integrado a uma reserva ambiental da Ibiti Projeto.
Quem vendeu e quem comprou a ponte?
Segundo a corporação, o Ibiti Projeto apresentou documentação indicando a compra da estrutura por R$ 700 mil. A PCMG ainda informou que a ponte teria sido comprada de um fazendeiro do município de Prados, por meio de um intermediador. Os autores teriam utilizado um veículo de grande porte para transportá-la até Lima Duarte.
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Em nota, no entanto, a Ibiti Projeto afirmou que a aquisição se deu junto a um comerciante do ramo de antiguidades. As investigações ainda tentam descobrir quem retirou a ponte de Prados, quem intermediou a negociação e quais os possíveis envolvidos.
Como a ponte de 20 metros foi retirada?
Segundo a instituição policial, os autores teriam utilizado maquinário e ferramentas apropriados para o corte da ponte de ferro, bem como um veículo de grande porte para o transporte do material.
Durante os levantamentos feitos em Prados, também foi constatado o bloqueio da estrada de acesso ao local, circunstância que, segundo os policiais, pode indicar planejamento prévio da ação criminosa. Uma barricada de terra a cerca de 500 metros do acesso principal, marcas de pneus de veículos pesados em um caminho alternativo, e indícios de uso de máquinas como retroescavadeira foram identificados na área.
Investigações
A PCMG instaurou um inquérito para apurar o furto e identificar os responsáveis. Além disso, na última semana, o MPMG por meio da Promotoria de Justiça de Prados, no Campo das Vertentes, instaurou um inquérito civil para apurar as circunstâncias do fato.
A investigação busca apurar eventuais danos ao patrimônio cultural, histórico e ambiental decorrentes da remoção da ponte, que foi implantada no século 19, durante a construção da hoje desativada Estrada de Ferro Oeste de Minas (Efom). De acordo com o MPMG, a estrutura, feita em liga de ferro trazida da Inglaterra para o Brasil, é reconhecida como bem de relevante interesse cultural do estado.
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O órgão requisitou informações à Polícia Civil sobre eventual inquérito e a localização do bem, solicitou esclarecimentos à Prefeitura Municipal de Prados e pediu informações à Superintendência do Patrimônio da União em Minas Gerais (SPU/MG) sobre a titularidade e o regime jurídico da estrutura. A promotoria ainda determinou uma vistoria da Polícia Militar de Meio Ambiente para verificar a ocorrência de intervenção irregular em Área de Preservação Permanente (APP) na localidade onde a ponte estava instalada, incluindo possível movimentação de solo e supressão de vegetação.
Por que a ponte é histórica?
A ponte pertence ao patrimônio de Prados. Isso porque a construção integra o antigo trecho da Efom. De acordo com a prefeitura, a área está desativada, mas, mesmo sem a utilização ferroviária, a ponte possui valor histórico para o município, e era utilizada por ciclistas que percorrem o leito da estrada. Ela foi inaugurada no século 19, quando a malha veio da Inglaterra para o Brasil em 1850.
A estrada foi uma das primeiras organizadas e sediadas em Minas Gerais. O principal motivo para a construção da Efom foi integrar a capital do velho império ao sertão de Minas e Goiás, tendo São João del-Rei como principal polo comercial que interligava os maiores produtores de gado e produtos de abastecimento ao mercado de importação do Rio de Janeiro.
A organização da ferrovia se deu em São João del-Rei, também no Campo das Vertentes, no ano 1873, quando José de Rezende Teixeira Guimarães e Luiz Augusto de Oliveira conseguiram junto ao governo o contrato de concessão que permitia a subvenção de nove contos de réis por quilômetro de ferrovia construída.
A linha foi aberta ao tráfego em 30 de setembro de 1880 com a inauguração do trecho da estação de Sítio do Barroso. A estrutura contava somente com duas locomotivas, a número 1 e a número 2 de fabricação americana, que auxiliaram na construção do restante da linha até São João del-Rei. O fim da ferrovia se deu em 1898, a partir da supressão de ramais considerados “antieconômicos”, e ela teve o tráfego comercial encerrado, sobrevivendo como patrimônio cultural e turístico.
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"A prefeitura acompanhará o andamento das investigações e prestará o apoio aos órgãos de segurança", comunicou também a gestão de Prados. Uma fonte ligada à prefeitura disse ao Estado de Minas que a estrutura histórica já está em processo de devolução e retorno à cidade, e afirmou que haverá festa na região para celebrar o valor cultural do bem resgatado.