FEMINICÍDIO

Capitã da PM morta: relação do casal era conturbada, diz defesa de sargento

Advogado contou que o casal vivia desentendimentos e reconciliações, mas pede que investigação seja baseada em provas técnicas

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"Era uma relação sim, conturbada," confirmou a defesa do sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, suspeito de matar a capitã Michele Leão Azevedo, de 41. No entanto o advogado Gustavo Nepomuceno Lopes ressalta que os conflitos do casal não permitem concluir, por si só, que houve crime. A morte da oficial é investigada como feminicídio pela Polícia Civil (PCMG).

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Em entrevista ao Estado de Minas, o advogado afirmou que a relação entre os dois passava por momentos de instabilidade, mas que era consensual. Questionado sobre o significado de "conturbado", ele explicou que o casal vivenciava desentendimentos, períodos de separação e retomadas da convivência, situação que, segundo ele, não pode ser usada como elemento para antecipar conclusões sobre o caso.

"A existência de conflitos em uma relação não autoriza presumir a prática de um crime, especialmente quando a investigação ainda está em curso e depende da análise de provas técnicas e demais elementos objetivos", destacou.

Gustavo também disse que a defesa ainda não definiu a linha que será adotada no processo. "Por enquanto, não podemos adiantar qualquer linha de defesa vamos seguir sem termos acesso integral aos autos, e principalmente com o resultado da perícia, que vai ser feito com base nos elementos do inquérito."

Segundo o advogado, a prioridade neste momento é com relação à prisão do sargento, detido em flagrante nessa segunda-feira (20/7). "Estamos focados agora na audiência de custódia, onde vai ser feita a deliberação pela concessão da liberdade provisória ou a conversão da prisão em flagrante e prisão preventiva."

Investigação

Enquanto aguarda os desdobramentos da investigação, a defesa ressaltou que o sargento está tranquilo. "Claro que são fatos graves, ainda mais se são fatos que tiveram grande exposição na mídia. Mas dentro da normalidade, ele está tranquilo, sim." 

A defesa informou ainda que não vai comentar detalhes da conversa com o policial militar e reforçou que qualquer posicionamento sobre os fatos investigados será feito apenas após a análise das provas produzidas durante a investigação.

Morte

Michele morreu após ser levada pelo companheiro na noite dessa segunda-feira ao Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, na Região Noroeste da capital mineira.

Em depoimento para a polícia, o sargento afirmou que, antes, os dois participaram de uma festa em casa, no Bairro Santa Cruz, na mesma região, onde consumiram bebidas alcoólicas e drogas 

Ainda conforme o relato dele, depois da saída dos convidados, o casal manteve relações sexuais consensuais. Ele declarou ainda que as relações aconteciam frequentemente com práticas agressivas, mas as lesões identificadas no corpo da capitã levantaram a suspeita de agressões.

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata

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