SUSPEITA DE FEMINICÍDIO

Capitã da PM morta: brigas e longas festas eram constantes em apartamento

Síndico do prédio onde Michele Leão Azevedo morava com o marido revelou que vizinhos já esperavam por tragédia

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Dirceu Oliveira, síndico do prédio onde moravam a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, e o marido, o sargento da PMMG Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37, afirmou que as brigas entre o casal eram frequentes. Michele morreu na noite dessa segunda-feira (20/7), em Belo Horizonte, e Eduardo é apontado como o principal suspeito.

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“Tinha briga constantemente, era normal. Mais da parte dele do que dela. A gente via que ela parecia ter vergonha de qualquer tipo de briga, de barulho de briga. Eu percebia que ela falava bem baixo e que ele era um homem explosivo”, conta o síndico do prédio, localizado no Bairro Santa Cruz.

Dirceu revela, ainda, que ele e os vizinhos já previam que uma tragédia poderia acontecer à qualquer momento: “Grande parte dos vizinhos já esperava, porque era uma bomba relógio, a qualquer momento ia ter um fato como o que ocorreu. A gente fica muito sentido por tudo, porque é uma vida, uma pessoa que era muito agradável. A gente não gostaria que acontecesse isso com alguém”.

Além das brigas, o síndico afirma que o casal costumava dar festas com som alto que duravam muitos dias. Segundo ele, os vizinhos evitavam reclamar do barulho por se tratarem de dois militares. Em uma ocasião, entretanto, Dirceu chegou a acionar a corregedoria. 

“Às vezes a festa começava na quinta, acabava na segunda, com um barulho constante. Não tem nenhum relato de ameaça dele com moradores, mas a gente sentia que as pessoas tinham muito medo”, relata. “Uma vez que teve uma festa que durou bastante dias eu acionei a corregedoria. Aí eles vieram, mas eles (o casal) nem ligavam, continuavam as festas normal”, completa.

Câmeras de segurança

Dirceu conta que um vizinho viu manchas de sangue no chão de um corredor do prédio, em frente ao apartamento de Michele e Eduardo, e chamou o síndico para conferir. Ao ver o sangue, ele verificou as câmeras de segurança e viu o sargento carregando a esposa até o carro. 

Na primeira imagem, Oliveira aparece saindo de um elevador e carregando Michele no ombro, inconsciente, até a saída que dá para a garagem do prédio às 21h16. O segundo vídeo registra ele saindo pela porta e se dirigindo até o carro, pelo lado do passageiro. Um minuto depois ele aparece na frente do carro agitado e passa os próximos três minutos indo e voltando do carro. 

Às 21h21, ele dá a partida no carro e, ao passar na frente da câmera de segurança, a porta do passageiro se abre sozinha e é possível ver Michele posicionada sentada, ainda inconsciente, no banco do carona. A policial foi levada pelo próprio marido ao Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, na Região Noroeste da capital, onde a morte dela foi confirmada.

Segundo as informações iniciais, o sargento informou aos profissionais de saúde do Hospital que a esposa havia caído de uma escada. No entanto, a equipe médica desconfiou da versão apresentada ao constatar que os ferimentos observados no corpo da vítima não seriam compatíveis, em princípio, com esse tipo de acidente. Diante da suspeita, a Polícia Militar foi acionada e o sargento foi preso.

Também foi descoberto que Oliveira descartou uma caixa com comprimidos de ecstasy no banheiro do hospital. O material foi recuperado por um policial militar e apreendido.

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Segundo informações repassadas pela PMMG, o sargento afirmou que, antes de levar a esposa ao hospital, os dois participaram de uma festa, onde consumiram bebidas alcoólicas e drogas. Ainda conforme o relato dele, depois da saída dos convidados, o casal manteve relações sexuais consensuais. Ele declarou ainda que as relações aconteciam frequentemente com práticas agressivas.

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