VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Suspeito de matar capitã agrediu ex-mulher e descumpriu medidas protetivas

Preso em flagrante sob a suspeita de matar a companheira, capitã da PM, em Belo Horizonte, militar tem histórico de comportamento violento com uma ex-mulher

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O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, suspeito de matar a capitã da Polícia Militar (PMMG) Michele Leão Azevedo, no Bairro Santa Cruz, na Região Nordeste de Belo Horizonte, já tinha sido acusado de agredir uma ex-companheira e de descumprir uma medida protetiva contra ela em 2016, cerca de dois anos antes de começar o relacionamento com Michele.

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Na época, a ex-companheira relatou à PMMG que mantinha um relacionamento de sete meses com o sargento. Conforme o registro, ela foi até a casa dele para buscar um par de sapatos e o encontrou com outra mulher. Após a descoberta, Eduardo arrastou a mulher pelos cabelos até a rua e a jogou no chão. Quando ela tentou se levantar, ele teria dado um soco no rosto dela, fazendo com que caísse novamente.

A vítima afirmou ainda que Eduardo a ameaçou durante a situação. Uma amiga que tentou ajudá-la também teria sido ameaçada. As duas conseguiram entrar no carro da vítima para fugir, mas, segundo o registro, Eduardo teria aberto a porta do veículo e impedido a amiga de entrar.

A mulher conseguiu deixar o local e foi socorrida ao Hospital João XXIII. O registro aponta que ela apresentava lesões no nariz, em um dedo da mão direita, no joelho direito, nas costas e dores no ombro direito.

Descumprimento de medida protetiva

Seis meses depois, em setembro de 2016, a mesma mulher procurou a polícia para denunciar o descumprimento de uma medida protetiva contra o sargento. Conforme o registro, mesmo após ser notificado da decisão judicial, ele teria enviado mensagens pelo WhatsApp com ameaças contra ela e familiares.

Em uma das mensagens, Eduardo teria afirmado que o irmão da ex-companheira, que não tinha medida protetiva, poderia “aguentar uma surra na rua”. Em outra, ele teria escrito “Você quer guerra? Vai ter guerra”.

A mulher também relatou na ocorrência que o ex teria ameaçado o pai dela. Segundo o registro, Eduardo disse ainda que, caso perdesse um concurso, iria “desgraçar tudo”. A vítima declarou à polícia que temia pela própria integridade física e pediu providências.

Possível feminicídio

Eduardo foi preso sob a suspeita de matar a companheira, a capitã da Polícia Militar (PM) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, nessa segunda-feira (20/7), quando foi preso em flagrante por suspeita de feminicídio e tráfico de drogas. Ele também já foi preso em 2023 pelo crime de embriaguez ao volante.

A morte da capitã, constatada na noite dessa segunda, mobilizou equipes das polícias Civil (PCMG) e Militar. O suspeito levou a vítima até o Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, Região Noroeste de Belo Horizonte, alegando que ela havia sofrido uma queda da escada. No entanto, a extensão e a gravidade dos ferimentos no corpo de Michele, especialmente no rosto, levantaram suspeitas imediatas da equipe médica e dos policiais.

Segundo o delegado Saulo Castro, o grau das lesões aponta para a intenção deliberada de agressão e de feminicídio. "Isso demonstra o dolo na intenção de cometer o crime (...). A investigação tem um prazo de até 10 dias, podendo ser prorrogado. Por ser um crime de natureza hedionda, o Judiciário pode converter o flagrante em prisão preventiva", ressaltou o delegado durante pronunciamento oficial.

Flagrante de drogas no hospital e histórico abusivo

Além das marcas de agressão que fizeram os profissionais de saúde questionarem a versão sobre a queda acidental, o comportamento do sargento no hospital agravou sua situação. Durante as checagens iniciais no local, um tenente da PMMG flagrou Eduardo descartando 18 comprimidos de ecstasy em um dos banheiros da unidade de saúde, o que também resultou no registro de autuação por tráfico de drogas.

Testemunhas e informações preliminares ouvidas pelas autoridades apontam que o casal vivia um relacionamento instável e marcado por contornos abusivos, idas e vindas ao longo de oito anos, além de violência psicológica e moral praticada pelo sargento. Questionada sobre a existência de procedimentos internos passados contra o suspeito na corregedoria, a PMMG informou que ainda não tem esse levantamento.

Em depoimento prestado à polícia, o sargento tentou justificar que o casal realizou uma festa em casa e que ambos consumiram bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes. Eduardo afirmou ainda que, após a saída dos convidados, eles tiveram relações sexuais consensuais e alegou que as práticas íntimas do casal frequentemente envolviam agressões consensuais.

Por meio de nota, a defesa do sargento informou que acompanha o caso e aguarda os laudos periciais e a conclusão das investigações, a fim de evitar “julgamento precipitado”. Segundo o advogado Gustavo Nepomuceno Lopes, como as apurações estão em fase inicial, as autoridades ainda vão esclarecer os fatos.

“A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento”, diz o comunicado.

Quem era a capitã Michele?

A capitã Michele Leão Azevedo ingressou na Polícia Militar de Minas Gerais no ano de 2010, após se formar pelo Curso de Formação de Oficiais. Reconhecida no meio acadêmico e institucional, atuava na área de defesa e segurança pública. Entre 2022 e 2023, Michele concluiu uma pós-graduação no Instituto Federal do Sul de Minas (Ifsuldeminas), na qual defendeu um estudo focado na aplicação da jurisprudência dos Tribunais Superiores dentro da PMMG.

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O sargento Eduardo Abner segue custodiado no 34° Batalhão da PM, na Avenida Américo Vespúcio, na capital. Ele deve passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (22/7), ocasião em que a Justiça decidirá se sua prisão em flagrante será convertida em prisão preventiva.

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