Morte de capitã da Polícia Militar em BH é investigada como feminicídio
Testemunhas apontam que a capitã e o companheiro, sargento da PMMG, tinham um relacionamento abusivo e conturbado, marcado por idas e vindas
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A morte da capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, nessa segunda-feira (20/7), é investigada como feminicídio, de acordo com informações repassadas pelas polícias Civil (PCMG) e Militar (PMMG) nesta terça (21/7).
O sargento da PMMG Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37, que tinha união estável com a vítima, levou a capitã para o hospital e alegou que ela havia caído de uma escada, mas as lesões no corpo dela indicam agressões.
Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Militar, Michele foi levada pelo companheiro ao Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, na Região Noroeste de BH. De imediato, a PMMG passou a investigar o caso, e um tenente observou o suspeito descartando 18 comprimidos de ecstasy em um banheiro do hospital, configurando tráfico de drogas.
Informações preliminares apontam que o sargento teria histórico de comportamento agressivo, mas a acusação só poderá ser confirmada depois da conclusão das investigações. Segundo o delegado Saulo Castro, a gravidade das lesões, inclusive no rosto da vítima, aponta possível intenção em machucá-la e até matá-la.
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"Isso demonstra o dolo na intenção de cometer o crime. (...) A investigação tem um prazo de até 10 dias, podendo ser prorrogado. Por ser um crime de natureza hedionda, o Judiciário pode converter o flagrante em prisão preventiva", disse o delegado.
De acordo com a PCMG, o casal mantinha um relacionamento conturbado, e há indícios de que o sargento tenha cometido atos de violência psicológica e moral, o que corrobora para um contexto de violência doméstica praticada por ele contra a companheira.
O sargento, que também foi preso em 2023 por dirigir embriagado, está detido no 34° Batalhão da PMMG, na Avenida Américo Vespúcio, em BH. Questionados se o sargento tinha alguma investigação na corregedoria, a Polícia Militar não soube responder.
Eduardo passará por audiência de custódia nesta quarta-feira (22/7), quando será definido se ele continuará preso.
O que o suspeito disse?
À polícia, o sargento afirmou que, antes de levar a esposa ao hospital, os dois participaram de uma festa em casa, no Bairro Santa Cruz, onde consumiram bebidas alcoólicas e drogas.
Ainda conforme o relato dele, depois da saída dos convidados, o casal manteve relações sexuais consensuais. Ele declarou ainda que as relações aconteciam frequentemente com práticas agressivas.
Quem era Michele Azevedo
Michelle Leão Azevedo ingressou na Polícia Militar em 2010, após concluir o curso de formação de oficiais. Ela ocupava o posto de capitã e atuava na área de defesa, com ênfase em segurança pública.
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Entre 2022 e 2023, concluiu uma especialização no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (Ifsuldeminas), com o trabalho "A importância do estudo da jurisprudência dos Tribunais Superiores na PMMG".