Metrô de BH: passagem aumenta para R$ 6; usuários cobram melhorias
Reajuste de 3,81% autorizado pelo governo entra em vigor nesta quarta (1º/7) e valores das integrações também serã corrigidos; passageiros criticam alta
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Passageiros que utilizam o metrô de Belo Horizonte para se deslocar entre a capital mineira e Contagem terá que desembolsar mais a partir desta quarta-feira (1º/7). A passagem passa de R$ 5,80 para R$ 6, reajuste de 3,81% autorizado pela Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra).
A autorização foi publicada no Diário Oficial do Estado no último sábado (27/6). Segundo a Seinfra, a atualização do valor corresponde à recomposição da inflação registrada entre março de 2025 e março de 2026, conforme previsto no Contrato de Concessão nº 002/2023, firmado em março de 2023, quando o sistema foi concedido à iniciativa privada por 30 anos.
O novo aumento é mais um reflexo do modelo implantado após a concessão do sistema. Enquanto era administrado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o metrô operava com tarifas subsidiadas pelo governo federal, o que manteve a passagem congelada em R$ 1,80 durante anos.
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Com a privatização, o contrato passou a prever reajustes anuais baseados em índices inflacionários e nos custos operacionais, com o objetivo de garantir o equilíbrio financeiro da concessão e financiar investimentos como a modernização da Linha 1, a aquisição de novos trens e a implantação da Linha 2, que ligará o Barreiro ao restante da rede.
Em apenas sete anos, o preço da passagem mais que triplicou.
Em 2019, o bilhete custava R$ 1,80. Naquele mesmo ano foram registrados quatro reajustes: em maio, passou para R$ 2,40; em julho, para R$ 2,90; em setembro, para R$ 3,40; e, em novembro, chegou a R$ 3,70.
Já em janeiro de 2020, a tarifa foi reajustada para R$ 4 e, em março do mesmo ano, passou para R$ 4,25. O valor permaneceu congelado por mais de dois anos, até julho de 2023, quando subiu para R$ 5,30. Na sequência, a passagem passou para R$ 5,50 em junho de 2024, chegou a R$ 5,80 em julho de 2025 e, agora, alcança R$ 6.
Além da tarifa unitária, o reajuste também altera os valores das integrações com os sistemas de ônibus de Belo Horizonte, Contagem e da Região Metropolitana. Na capital, as linhas integradas do Grupo A passam a custar R$ 9,35, enquanto as do Grupo B terão tarifa de R$ 10,60. Em Contagem, as linhas integradas do Grupo B passam para R$ 11,60. Já as tarifas dos ônibus metropolitanos integrados ao metrô variam entre R$ 10,40 e R$ 14,20, conforme a linha e o tipo de bilhete utilizado.
Prestes a completar 40 anos de operação, o sistema de metrô de Belo Horizonte é um dos principais eixos de mobilidade da Região Metropolitana.
Sua história começou na década de 1980, sob responsabilidade da Rede Ferroviária Federal (RFFSA). A Linha 1 foi construída enquanto os antigos trens de subúrbio deixavam de operar gradualmente. Esses ramais ligavam o Centro aos bairros periféricos em condições precárias, compartilhando os trilhos com composições de carga.
As obras foram concluídas em 1986 e a primeira viagem comercial ocorreu em 1º de agosto daquele ano.
Atualmente, o sistema possui 29,8 quilômetros de extensão e 20 estações em operação, ligando Vilarinho, em Venda Nova, ao Eldorado, em Contagem. Segundo a concessionária Metrô BH, mais de 100 mil passageiros utilizam o serviço diariamente.
Desde a assinatura do contrato de concessão, em março de 2023, o governo estadual afirma que estão sendo executados investimentos para modernizar a rede. Entre eles estão a reforma das estações da Linha 1, a compra de 24 novos trens ,alguns já em circulação , a implantação da Estação Novo Eldorado e as obras da Linha 2.
Passageiros alegam que preço subiu mais rápido que a qualidade
Para quem depende do metrô todos os dias, o reajuste, segundo os usuários, representa mais do que o acréscimo de R$ 0,20 na passagem. O aumento reforça a percepção de que o custo da viagem cresceu em um ritmo superior às melhorias sentidas pelos passageiros.
A analista de marketing Karem Camilly Bragança Moreira, que faz diariamente o trajeto entre as estações São Gabriel e Eldorado, relata que a principal mudança percebida nos últimos anos foi o aumento do intervalo entre os trens.
Segundo ela, a medida deixou os vagões ainda mais cheios no horário de pico. "Antes passava de 10 em 10 minutos. Agora é de 15 em 15. Esses cinco minutos fizeram muita diferença, porque deixam tudo mais cheio", conta.
Embora reconheça que os novos trens trouxeram avanços, com composições mais modernas, ar-condicionado e melhor sinalização, a passageira considera que essas melhorias não compensam os problemas enfrentados diariamente.
"O preço só aumenta, mas o número de trens e viagens não aumenta", critica. Outro ponto apontado por Karem são as mudanças na operação durante as obras, relatando que, por vezes, o trem deixa de parar em determinadas estações sem aviso prévio, comprometendo a rotina de quem depende do sistema.
Do outro lado da linha, essa percepção é compartilhada pela atendente Gislene Oliveira Ribeiro, moradora do Bairro Heliópolis, Região Norte de BH. Usuária do trecho entre as estações Waldomiro Lobo e Santa Efigênia, ela afirma que os horários de maior movimento continuam marcados pela superlotação.
"Sempre lotados", resume. Gislene pondera que, embora parte da frota seja mais confortável, muitos trens antigos seguem circulando e os atrasos permanecem frequentes. "Os trens melhoraram, têm ar-condicionado, mas ainda tem atraso e muita lotação", reforça.
Mesmo considerando a tarifa elevada, Gislene afirma que continuará utilizando o metrô por falta de uma alternativa mais eficiente. Para ela, a passagem de R$ 6 só fará sentido quando os passageiros sentirem uma melhora efetiva na operação. "Precisa ter mais pontualidade e um pouco mais de conforto. Se tivesse outra opção viável, deixaria de usar", diz.
O vendedor Marcos Túlio, de 61 anos, morador do Bairro Carlos Prates, compartilha da mesma opinião sobre as mudanças no sistema. Usuário frequente do trajeto até a Estação Eldorado, ele conta que tem enfrentado viagens mais longas em razão das intervenções operacionais, principalmente nos fins de semana. Ainda assim, considera que os transtornos podem valer a pena se resultarem em melhorias para os passageiros.
"Demorar, demora, mas se for para melhorar, vamos esperar. Fazer o quê?", afirma. Para ele, no entanto, o aumento da tarifa só vai fazer sentido quando as obras se traduzirem em benefícios concretos para quem utiliza o metrô diariamente e a linha 2 for viável.
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A reportagem procurou o Metrô BH para comentar o reajuste da tarifa, os investimentos previstos no contrato de concessão e as reclamações dos passageiros sobre lotação, intervalos entre as viagens e qualidade do serviço. Até o fechamento desta edição, a concessionária não havia respondido. O espaço segue aberto.