Eleições

Campanhas políticas vão embarcar no metro de BH

Esquerda e direita disputam o capital político da expansão do transporte sobre trilhos em Belo Horizonte, que promete ocupar espaço no debate entre os candidato

Publicidade
Carregando...

Enquanto os partidos se acertam para definir seus candidatos ao governo de Minas, alguns temas que vão ser debatidos na campanha eleitoral já começam a ganhar espaço. Entre eles, o metrô. Durante a cerimônia de entrega da estação de metrô Novo Eldorado, em Contagem, ocorrida no começo da semana, representantes dos governos estadual e federal, antagônicos politicamente, tentaram trazer para si os louros deste marco na mobilidade urbana do estado – o novo trecho é a primeira expansão do trem metropolitano em 20 anos.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover


O governo estadual, na figura do vice-governador e pré-candidato Mateus Simões (PSD), tem repetido o discurso de que as obras, realizadas majoritariamente com recursos federais liberados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram entregues apesar de uma suposta inação dos governos petistas. O argumento é de que nos 13 anos da primeira passagem do Partido dos Trabalhadores (PT) pela presidência o metrô de BH não recebeu nenhuma expansão.


“Quando a gente fala da posição da direita e da centro-direita em Minas Gerais, a gente tem a oportunidade de continuar a entrega dos trabalhos, ou brigar e dar a oportunidade do PT voltar e destruir o que destruíram no passado, quando não entregaram nenhum metro quadrado de estação, nenhum metro linear de trilho, nenhuma composição nova”, afirmou Simões em janeiro.


Enquanto a oposição ao governo mineiro alinha respostas para as críticas, o governo federal aproveitou o fato de ser o maior financiador das obras para marcar sua presença na matéria. Na cerimônia de entrega da Estação Novo Eldorado, o ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho (MDB), anunciou a entrega de R$ 1 bilhão, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para ampliação da Linha 1 até o Viaduto Beatriz, também em Contagem.


“Esse investimento tem que ser por parte do governo do Brasil, tem que ser por parte dos governos municipais e do governo estadual. (...) Com o retorno do presidente Lula (à presidência), o Pacto Federativo voltou a funcionar e a gente precisa trabalhar juntos na construção dessas soluções”, disse o ministro.


O pacote de investimentos previstos no contrato de concessão do metrô soma R$ 3,7 bilhões, sendo R$ 2,8 bi do governo federal, R$ 400 milhões do governo estadual com recursos do Acordo de Reparação da Vale, e o restante de recursos aportados pela concessionária Metrô BH.


Teto de vidro


Uma das pautas que aliados de Lula indicaram publicamente que deve ser defendida na campanha é o subsídio ao transporte coletivo, e que pode vir na modalidade de tarifa zero. A política, em parte, empregada no metrô de Belo Horizonte por gestões petistas passadas, quando a tarifa ficou doze anos congelada, entre 2006 e 2018, em R$ 1,80. O custeio desta medida era feito pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), estatal que administrativa o sistema. Outras capitais, como Recife, João Pessoa, Natal e Maceió, também eram beneficiadas.


O subsídio federal chegou ao fim quando o país mudou de regime fiscal com o estabelecimento do teto de gastos públicos, durante a gestão de Michel Temer (MDB). Enquanto o metrô belo-horizontino esteve sob gestão do governo emedebista e, posteriormente, do governo de Jair Bolsonaro (PL), a tarifa saltou, com sucessivos aumentos, para R$ 4,50. Desde que a administração do modal passou para o governo de Romeu Zema (Novo), novos reajustes fizeram o valor chegar nos atuais R$ 5,80 – aumento de 222% desde 2018.


Os aumentos nas tarifas do transporte público metropolitano, tanto do Metrô quanto dos ônibus, têm sido motivo de críticas ao governo Zema entre políticos e eleitores à esquerda. Um líder petista ouvido pela reportagem citou que a pauta deve ser utilizada na eleição deste ano para questionar como Simões deve conduzir a mobilidade urbana no estado.


As críticas ao atual governo estadual também são direcionadas à origem dos recursos das entregas recentes. Isso porque os dois principais marcos da gestão no setor de mobilidade urbana (a expansão do metrô e a renovação de parte da frota dos ônibus metropolitanos) foram feitos sem recursos diretamente do Orçamento, e sim com valores do Acordo de Reparação de Brumadinho.


A perspectiva de subsídios está distante dos planos de Simões. A política chegou a ser pedida pelos empresários de ônibus, mas as restrições orçamentárias do estado impedem seu avanço – além do entendimento do vice-governador de que na época do subsídio federal ao metrô o sistema seguiu sem avanços.

Debate antigo

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

A paralisação das obras da Linha 2 (Barreiro – Calafate) em 2004 e a planejada, mas nunca iniciada, Linha 3 (Lagoinha – Savassi), o metrô de Belo Horizonte passou a ser visto como objeto de eternas promessas eleitorais. Curiosamente, a última expansão do sistema antes da entrega da Estação Novo Eldorado foi fruto de um processo político. O prolongamento do metrô até a Estação Vilarinho, em Venda Nova, entregue em 2004, foi proposto pela primeira vez no relatório de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) que investigou, entre outras denúncias, a construção do corredor de trólebus na Avenida Cristiano Machado nos anos 1980 pelo governo estadual, na gestão de Newton Cardoso. As obras do modal foram paralisadas devido a indícios de corrupção, enquanto que o crescimento da população no Vetor Norte sobrecarregou o transporte público existente. Assim, os trilhos, que no projeto inicial iriam apenas até a Estação São Gabriel, foram prolongados até Venda Nova. Na outra ponta, o trecho entre Betim e Eldorado, previstos desde os estudos preliminares do metrô, tiveram a primeira realização neste ano – com a entrega do Viaduto Beatriz, faltará cerca de 19 km de trilhos até o centro betinense.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay