"Deus segurou minha filha", diz mãe de mulher que sofreu queda de penhasco
Drama de Ana Cláudia Rodrigues foi acompanhado pela familia na zona rural de Janaúba, no Norte de Minas
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O drama da faxineira Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, que sobreviveu depois de ser jogada em penhasco, da altura de cerca de 50 metros, em uma área de difícil acesso do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), foi acompanhado com apreensão pela família da mulher, na zona rural de Janaúba, no Norte de Minas.
“A minha filha sobreviveu por um milagre. Foi Deus que fez a árvore segurar ela”, afirmou a mãe de Ana Cláudia, a aposentada Inês Rodrigues da Silva, dona Nega, de 66, em entrevista ao Estado de Minas, na tarde desta terça-feira (26/5), ao se referir ao fato de a Ana Cláudia ter sido encontrada em uma árvore, o que a impediu que continuasse despencando no penhasco.
Ana Cláudia foi resgatada na tarde desta terça-feira de helicóptero, numa operação delicada da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, depois de uma série de buscas na região da Serra do Rola-Moça.
Ela estava desaparecida desde a manhã de segunda-feira (25/5), quando deixou a filha de 9 anos na Escola Estadual Olívia Pinto, como fazia diariamente, antes de seguir para o trabalho na região do Barreiro, em BH.
Conforme a PM, a mulher foi sequestrada e ameaçada de morte pelo ex-companheiro Silvanildo Amâncio de Araújo, suspeito de ter jogado a mulher no penhasco na manhã de segunda-feira (25/5). O homem, que não aceitou o fim do relacionamento, foi preso pela Polícia Militar em Várzea da Palma, também no Norte de Minas, nesta terça-feira.
Os pais de Ana Cláudia moram na comunidade de Canta Grilo, distante 25 quilômetros da área urbana de Janaúba. Desde a noite de segunda-feira, quando correu a notícia de que a mulher estava desaparecida e teria sido jogada no penhasco, parentes, amigos e vizinhos foram para a casa da família e fizeram uma espécie de vigília, em oração pela localização e pela sobrevivência da mulher.
Os amigos e vizinhos também prestaram apoio a dona Nega e o marido dela e pai de Ana Cláudia, o aposentado Bráulio Serapião da Silva, de 63. Todos na casa passaram a acompanhar o drama a distância, por reportagens na televisão, pela internet e por notícias de grupos de WhatsApp, virando a noite.
Muito emocionados, os pais da mulher e todas as pessoas que estavam na residência da família choraram e se abraçaram quando tomaram conhecimento de que Ana Cláudia tinha sido encontrada viva e foi resgatada às 14h. A notícia foi repassada por WhatApp pela filha da vítima, Thaine Heloisa.
Na conversa com a reportagem, dona Nega disse que tomou conhecimento de que a filha tinha sido jogada no penhasco no Rola-Moça por volta das 14h de segunda-feira. “Eu fiquei desesperada e chorei muito”, disse. “Do jeito que minha filha foi jogada, teve momento que cheguei a pensar que ela não iria sobreviver, mas sempre mantive a esperança. E ela sobreviveu. Foi Deus que segurou ela na árvore”, acredita a aposentada.
“Achei que a minha filha escapasse, por causa da altura (da queda), ela seria retirada de maca, com as pernas e braços quebrados. Mas, ela vive que ela conseguiu andar até chegar a ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgância). Foi um milagre”, completa Inês Rodrigues, que, junto com o marido, Bráulio, gravou um vídeo, agradecendo pelo salvamento da filha.
“A gente achava que não iria encontra ela (Ana Cláudia) com vida mais. Mas Deus é maior. Deus segurou ela (na árvore). E hoje (o Corpo de Bombeiros) conseguiu achar ela com vida. Só temos a agradecer a Deus pela vitória. Agora, é só esperar ela sair do hospital para a gente ir lá buscar ela, para trazer para cá”, disse a aposentada, no vídeo.
Na gravação, o pai de Ana Cláudia, Bráulio Serapião, também faz agradecimentos. “Quero agradecer muito a Deus e nosso Senhor, e os amigos que fizeram oração para ela. Conseguiram encontrar ela com vida. Deus é maior”, disse o aposentado.
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Vida sofrida e ameaças
A aposentada Inês Rodrigues da Silva, a dona Nega, relatou ao Estado de Minas que a filha, Ana Cláudia Rodrigues da Silva, deixou a família na zona rural de Janaúba há pouco mais de 20 anos e mudou-se para a Grande BH em busca de trabalho. Passou a morar em Ribeirão das Neves.
Conforme dona Nega, Ana Claudia começou a trabalhar na região como caixa de supermercado e, depois, passou a trabalhar como faxineira/diarista. “A minha filha sempre levou uma vida muito sofrida. Ela sempre foi muito batalhadora”, disse.
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A aposentada revelou também que Ana Cláudia manteve um relacionamento com o ex-companheiro, Silvanildo Amâncio de Araújo por cerca de 10 anos. “A informação que recebemos é que ele sempre ameaçava ela”, declarou Inês, salientando que o homem não aceitava o fim do relacionamento com sua filha. Ela disse ainda que, ao conhecer Ana Claudia, Silvanildo declarou que era viúvo e que a ex-mulher tinha morrido em um acidente de carro.