TRÂNSITO

BH instala primeiros semáforos inteligentes que priorizam fluxo de ônibus

Nova tecnologia será capaz de identificar linhas de ônibus e verificar se está atrasada, ajustando semáforos para que o trajeto tenha maior fluidez

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A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) está instalando seus primeiros semáforos inteligentes. Ao todo, serão nove equipamentos: seis na Rua Niquelina e três na Rua Domingos Vieira, ambas no bairro Santa Efigênia, Região Centro-Sul da capital, com um investimento de R$ 1.07 milhão.

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O semáforo inteligente é capaz de analisar a quantidade de veículos nas vias e ajustar seu intervalo de acordo com a demanda. Ou seja, se uma fila tem muitos carros, o tempo que ficará fechado será menor, a fim de permitir que o trânsito tenha maior fluidez. Segundo a PBH, os locais foram escolhidos para o projeto-piloto por serem vias de grande fluxo de ônibus e importantes conexões entre a região Leste e o Hipercentro.

“A tecnologia funciona por meio da leitura das placas dos ônibus previamente cadastradas. A partir dessa identificação, o sistema ajusta automaticamente a programação dos semáforos, podendo ampliar o tempo de sinal verde ou antecipar a abertura para favorecer a passagem dos coletivos”, informou a Prefeitura por meio de nota.

A expectativa é que a medida contribua para a redução do tempo de viagem no transporte público, aumento da regularidade das linhas, diminuição da emissão de poluentes e melhoria geral da mobilidade urbana na região.

Trânsito caótico

O Estado de Minas percorreu toda a extensão da rua Niquelina e o trecho da rua Domingos Vieira apontados no projeto e localizou as câmeras instaladas nos diversos cruzamentos. Atualmente, quem frequenta a região classifica o trânsito como “caótico”. 

Iraci Sacramento, que trabalha no Bar e Restaurante Sacramento's, na rua Niquelina, contou que o trânsito é intenso todos os dias da semana, em qualquer horário do dia, e que o semáforo estraga com frequência. “Passa ônibus demais aqui. Não pode chover, se não o sinal fica muito tempo estragado. Já chegou a uma semana sem funcionar. E tem escola aqui perto, criança passando para cá e para lá, é perigoso. Fica um caos”, conta. 

Esta também é a opinião de Geovania Flores Gomes, moradora do bairro Funcionários. Ela diz que o fluxo de carros é muito intenso para uma rua tão estreita e que em certos pontos a ocorrência de acidentes é grande. 

“Tem muito acidente na Niquelina com Mem de Sá, ali na viradinha é acidente com frequência. Há três meses morreu um homem ali. O problema também é a imprudência dos motoqueiros que chegam a subir no passeio para ultrapassar os ônibus”, relata. 

Taxista Pedro Paulo de Oliveira fala sobre o trânsito na rua Domingos Vieira
Taxista Pedro Paulo de Oliveira fala sobre o trânsito na rua Domingos Vieira Jair Amaral/EM/D.A Press

O taxista Pedro Paulo de Oliveira afirma que a Rua Domingos Vieira é um perigo constante devido ao alto fluxo tanto de carros quanto de pedestres. Segundo ele, nos horários de pico o trânsito na via chega a parar. Por isso, vê com bons olhos a instalação dos semáforos inteligentes.

“Tudo que é tecnologia que vem para agregar eu tenho esperança. A gente vê, de modo geral em Belo Horizonte inteira, o sincronismo dos semáforos está ultrapassado, a gente sai de um sinal verde e pega um fechado e isso faz o trânsito não fluir e causar congestionamento”, opina Oliveira.

Investimento em tecnologia

A empresa contratada para prestar o serviço de instalação e manutenção dos equipamentos é a Digicon, empresa que fornece tecnologia para Controle de Trânsito para BH, através da BHTrans, desde os anos 1990. De acordo com o contrato assinado em dezembro de 2025, foram adquiridos dez kits de detecção com duas câmeras - sendo um de backup -, no valor de R$46.245,00 cada, e nove controladores eletrônicos de tráfego modelo CD 300 FIT, de R$35.590,00 cada. 

Também foram contratados o serviço de instalação completa (R$ 194.342,50); configuração e start up e treinamento operacional por 30 dias (R$ 85.680,00); além de hospedagem, backup, suporte técnico remoto e conectividade por fibra óptica por doze meses (R$ 15.876,00). Inicialmente o contrato tem validade de um ano, terminando no dia 2 de dezembro deste ano, mas pode ser prorrogado por até dez anos.

Hélgio Trindade Filho, diretor de Mobilidade Urbana da Digicon, contou ao Estado de Minas que os equipamentos já foram instalados e estão sendo calibrados para poderem entrar em funcionamento ainda neste semestre. Segundo ele, no caso da rua Niquelina, as câmeras são programadas para identificar principalmente os ônibus e, inclusive, saber as linhas que estão executando corridas e se estão necessitando de receber prioridade.

“Imagina que o ônibus está carregando as pessoas e quando ele vai passar, o semáforo pode estender o verde para que ele passe com mais tranquilidade. Em outras situações pode antecipar a abertura do verde para que o veículo não fique esperando muito tempo”, exemplifica Trindade.

O diretor ainda conta que dezenas de equipamentos semafóricos de BH estão passando por um processo de centralização, ainda sem instalação das câmeras, para fazer alterações, programações e monitoramento por meio da central. O segundo passo será colocar câmeras e sensores em locais estratégicos de acordo com a necessidade da cidade.

A Digicon também atua em outras cidades mineiras, como Uberaba, Uberlândia, Poços de Caldas, entre outras. Também participa do projeto de Modernização Semafórica da cidade de São Paulo. Este projeto está dentro da PPP de Iluminação Pública e executado pela empresa Iluminação Paulistana (SPE). O projeto prevê a instalação de mais de 2.500 cruzamentos semafóricos com câmeras para detecção do fluxo dos veículos e conectados a um sistema de gestão inteligente adaptativo em tempo real. 

Semáforos inteligentes em Uberaba

Em dezembro a cidade de Uberaba (MG), no Triângulo Mineiro, instalou seu primeiro semáforo inteligente no cruzamento das avenidas Santa Beatriz e Edilson Lamartine. Em janeiro foi a vez do cruzamento das avenidas Cristo Rei com Tonico dos Santos, uma das rotas de entrada e saída da cidade, receber a tecnologia.  

“Desde janeiro os dois cruzamentos em que implantamos os equipamentos têm apresentado grande demanda de veículos. Em um deles passam 57 mil veículos em 24 horas. Antes, os veículos chegavam a esperar quatro ciclos para passar e, hoje, somente dois”, diz Ulisses Lamas, secretário de Mobilidade Urbana de Uberaba.

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A partir desses dois cruzamentos, que deram certo, há a pretensão de instalar mais equipamentos e um processo de licitação será aberto em breve. O objetivo é instalar a tecnologia em cerca de 10% dos 230 cruzamentos semaforizados da cidade.

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