ALERTA DE SEGURANÇA

Usuários de BH podem sinalizar áreas de risco em aplicativo

Plataforma de navegação Waze possui função onde usuários podem reportar áreas que não se sentem seguros. Alerta auxilia, mas não é solução definitiva

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Há pouco mais de um ano o aplicativo Waze implementou em seus alertas a função “alerta de insegurança”. O ícone representado por um rosto com uma máscara e um gorro, em alusão a um bandido, serve para que outros usuários relatem se o local é inseguro para os motoristas. Ele reporta regiões com atividade suspeita ou ocorrência de furto. O recurso já está disponível em Belo Horizonte e em outras áreas de Minas Gerais.

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A ajuda entre os usuários já é comum na plataforma. Os outros alertas disponíveis: trânsito, polícia, acidente, perigo (para problemas na via), faixa bloqueada e via interditada, também funcionam dessa maneira. 

O primeiro usuário realiza o reporte e outros usuários que visualizaram o alerta podem curtir para que ele se mantenha por mais tempo. O alerta tem tempo comum de 15 minutos e aumenta até 30 minutos de acordo com o engajamento dos demais motoristas.

O recurso já está funcionando no Brasil há mais de um ano, sendo implementada gradativamente pelas diversas regiões. A reportagem entrou em contato com a empresa para informações sobre as áreas de implementação em Minas Gerais e dados sobre as denúncias, mas não obteve resposta.

Ruben Vieira e Luiz Salome, motoristas de aplicativo em BH e ambos de 26 anos, relataram não perceber grande presença dos alertas de insegurança na cidade. Eles acreditam que, apesar disso, eles são importantes para a segurança do condutor. O alerta no aplicativo de navegação é um reforço na segurança de quem transita, mas também de quem trabalha no trânsito.

“Um método a mais de segurança é importante”, diz Daniel Freitas, de 38, também motorista de aplicativo. Ele relata que utiliza com frequência os outros alertas, mas a função nova ainda é inexplorada para ele.

“O próprio aplicativo da Uber já tem uma função parecida e informa quando um endereço é em área de risco”, comenta Ruben Vieira ao falar da nova função. Os aplicativos de corridas – como o 99pop e o Uber – já possuem funções parecidas. Eles permitem que seus motoristas vejam se os endereços de partida e de finalização se encontram em locais de risco. 

Não é uma solução definitiva 

Apesar de os motoristas destacarem a vantagem do sistema, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) afirma que ele é uma maneira superficial da população se alertar sobre a segurança. É importante a utilização desses recursos, entretanto, não é o objetivo final dos órgãos de segurança.

“A gente percebe o engajamento da sociedade civil por meio da utilização dessas ferramentas colaborativas em aplicativos como um esforço que visa contribuir com a segurança pública”, relata o porta-voz da PM, capitão Rafael Veríssimo. 

O militar acrescenta que é necessária uma análise de dados científicos para a ação policial e por isso todas as operações deles são baseadas nisso. O alerta é essencial para redobrar a atenção dos usuários, mas qualquer denúncia confirmada deve ser feita ao telefone 190 para que a polícia possa verificar. 

Ele ainda afirmou que a corporação tem conhecimento da ferramenta, mas que não existe uma troca direta entre a Waze e a PM, sendo a base do aplicativo exclusivamente de reportes dos usuários, sem informações oficiais. 

O advogado criminalista e criminólogo Jorge Tassi acredita que o sistema é informativo, mas não auxilia na segurança pública de maneira efetiva. “Traz a sensação de segurança, no entanto não resolve problemas de segurança pública.”

Tassi ainda destaca como o sistema é baseado em informações imprecisas e que as autoridades não podem se basear nisso. Ele acredita que relatórios com esse tipo de informação podem gerar estigmatização de certas regiões. “É o achismo de alguém que lançou a informação quanto o usuário que detém a informação de qualidade vai ligar para o órgão responsável”, diz. 

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* Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck

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