PROJETO CULTURAL

Arte urbana chega a BH neste fim de semana com a 1ª edição do Festival UAI

Iniciativa reúne mais de 100 artistas no Estadual Central e transforma patrimônio histórico de BH em palco de grafite, música e intercâmbio cultural

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A Escola Estadual Governador Milton Campos, na Região Central de Belo Horizonte, é palco da primeira edição do Festival Internacional de Arte Urbana - UAI Graffiti, iniciativa que traz artistas urbanos em suas mais diversas representações artísticas. Com início na sexta-feira (17/4), o evento vai até o domingo (19/4) e reúne em sua programação a produção de murais em grafite na escola.

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“Para nós, artistas urbanos, é a realização de um sonho que foi idealizado há três anos. É muito importante trazer esse reconhecimento para a cidade, pois normalmente os eventos acontecem em outros países e estados do Brasil, e dessa vez trouxemos esses artistas que produzem uma expressão artística”, conta uma das idealizadoras do projeto, Stephanie Lorraine Ribeiro, também conhecida como Tefa.

São mais de 100 convidados, de todo o Brasil, sendo que há artistas da Argélia, Japão, Argentina e Chile. “Para receber essa galera, iniciamos nossa programação ontem com o Duelo de MCs, com a pré-seletiva da Liga BH Freestyle. Também aconteceram o show do Sem Meia Verdade, apresentações de dança com o Sintoniza BH e intervenções de graffiti com as artistas Kali (MG) e Esa (AC)”, conta João Marcelo Ferreira Capelão, o Goma, também um dos idealizadores.

Artistas diversos

José Trz Junior, o JR TRZ, do Acre, veio pela quinta vez a BH para representar, junto de Ester Anedino (ESA) e Matheus, o Cisko, o coletivo independente de produção amazônica, que envolve não só o grafite, como poesia, comunicação coletiva e produções culturais. Segundo ele, a iniciativa sempre envia um integrante à capital para participar do Duelo de MCs.

“Não é a primeira vez que nós viemos para Minas. Temos uma conexão bem formada aqui com o Goma e o pessoal da 037 e viemos prestigiar mais uma vez”, conta o artista, que se dedica ao grafite há 25 anos, sendo 23 junto ao coletivo.

Para ele, a cena do grafite tem ganhado força, em especial com o Dia do Grafite e a Semana Municipal do Hip Hop. “Produzimos em Rio Branco o Acre Grafite - Festival Internacional de Culturas Urbanas, onde a gente pode trazer artistas, igualzinho está rolando aqui.”

 

A Escola Estadual Governador Milton Campos é palco da primeira edição do Festival Internacional de Arte Urbana - UAI Graffiti
Integrantes do coletivo de cultura urbana Trz Crew, José Trz Junior e Ester Anedino (ESA) vieram do Acre Alexandre Guzanshe/EM/D.A.Press

“Para nós, mais que pintar, é essa conexão. Aqui a gente pode aprender, trocar ideias com muita gente. Aqui tem um brother do Chile. Aqui está o Mano Skin, que é lá do interior de Minas. Podemos ter esse intercâmbio aqui com vários artistas, várias técnicas. Então, para nós, é bem gratificante e evolutivo”, complementa.

Estreia em BH

Bruna Rison, de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, também não está na capital pela primeira vez. A estreia em BH foi com a sua turma de arquitetura, curso no qual é formada, mas isso há uma década. “Estou vendo Minas com outros olhos agora. Mas está sendo muito legal fazer essa arte junto à obra de Niemeyer”, conta.

A cena no Sul do país, de acordo com Bruna, é forte, mas ainda prevalece a presença masculina. “Ser mulher e artista, para mim, é resistência para todas nós”, afirma. Para ela, o evento é organizado com engajamento coletivo e seu desejo é que outros locais tenham essa iniciativa. “Sou de uma cidade do interior, seria bacana ver essas ações para além das capitais”, comenta.

A Escola Estadual Governador Milton Campos é palco da primeira edição do Festival Internacional de Arte Urbana - UAI Graffiti
Bruna Rison é do interior do Rio Grande do Sul Alexandre Guzanshe/EM/D.A.Press

A iniciativa é uma realização do Ministério da Cultura/Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural, resultado de uma Emenda Parlamentar (nº 43660015) de autoria da deputada federal Duda Salabert (Psol). “Como queríamos fazer essa ação há muito tempo, quando foi a hora de escolher o local, pensamos em uma escola, já que a Duda é professora e o Estadual Central carrega uma história que o tornaria o mais adequado”, conta Goma.

Projeto de Niemeyer

A escola, que abriga o ensino médio, tem uma história de mais de 170 anos, mas foi só no início dos anos 1950 que o então governador de Minas, Juscelino Kubitschek, chamou Oscar Niemeyer para construir uma sede própria para a escola, que não tinha a estrutura adequada para uma instituição de ensino.

Niemeyer trouxe sua assinatura modernista com uma edificação que reúne paredes baixas e espaçosos jardins. Em suas linhas, o prédio principal, com as salas de aula, biblioteca e administração, ganhou a forma de uma régua T; a caixa d’água virou um giz; a cantina, uma borracha; e o auditório, um mata-borrão (objeto usado para absorver o excesso de tinta da pena ou caneta-tinteiro).

Os dois dias restantes de eventos serão neste ambiente, que vai misturar diferentes expressões de arte. Segundo Goma, o tema dos grafites é livre, mas todos foram alertados sobre os símbolos e mensagens presentes, já que é um ambiente escolar e um patrimônio tombado pelo Iepha-MG em 1983.

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Além do grafite, às 19h, no 2Black Beer, em frente à pista de skate do Viaduto Santa Tereza, realiza-se o Festival de Colantes, comandado pela artista Kali, com banquinha e colagem de lambe. Amanhã, a programação segue para o fim com a finalização do mural e o encerramento da Batalha Clandestina, também no Viaduto Santa Tereza, com batalha de duplas e show do Sidoka, artista do trap nacional.

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