TRANSFOBIA

Caso Alice: motociclista que interrompeu agressões participa de audiência

Lauro César Gonçalves Pereira é o último das testemunhas de acusação a ser ouvido. Réus também prestam depoimento nesta quinta-feira (9/4)

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Lauro César Gonçalves Pereira, motociclista que interrompeu as agressões contra Alice Martins Alves, de 33 anos, na madrugada de 23 de outubro do ano passado, participa de audiência de instrução e julgamento nesta quinta-feira (9/4). Além dele, duas testemunhas de defesa e os dois réus serão ouvidos. Mulher trans, Alice foi vítima de espancamento na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e morreu em decorrência dos ferimentos em 9 de novembro.

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Conforme divulgado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em novembro do ano passado, as agressões contra Alice só pararam por causa da interrupção do motociclista, que passava próximo ao local, na Avenida Getúlio Vargas. À época, Lauro contou à imprensa que transitava pela via quando viu a mulher caída no chão ao lado de dois homens.

Ele disse que, a princípio, achou que se tratava de um atropelamento. Depois, percebeu que os homens seguravam a vítima e gritavam com ela. “Na hora, eu não pensei duas vezes e parei para ajudar ela. Infelizmente, depois que eu fiquei sabendo da notícia que ela morreu”, afirmou. No dia dos fatos, os agressores ameaçaram Lauro. Mesmo assim, ele continuou no local e evitou que Alice continuasse sendo espancada.

A audiência de instrução e julgamento teve início em 10 de março, mas foi remarcada a pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O órgão insistiu na oitiva do motociclista, que não teria comparecido naquele dia por não ter sido devidamente intimado, conforme divulgou o Fórum Lafayette à época.

Réus e testemunhas

Nesta quinta-feira (9/4), também prestam depoimento os réus por feminicídio qualificado, Arthur Caique Benjamin de Souza e William Gustavo de Jesus. Os acusados eram funcionários de uma pastelaria, onde Alice estava antes de ser espancada. 

Arthur está preso preventivamente desde 19 de dezembro e o pedido de liberdade feito pela defesa dele deve ser analisado nesta tarde. 

De acordo com o Fórum Lafayette, também se apresentaram nesta quinta-feira seis testemunhas de defesa, das quais duas foram ouvidas e as demais dispensadas.

Em 10 de março, sete testemunhas prestaram depoimento. De acordo com Tiago Lenoir, advogado da família de Alice, foram ouvidos Edson Alves, pai de Alice, policiais e funcionários do Rei do Pastel, estabelecimento em que os réus trabalhavam na época do crime e onde Alice estava momentos antes de ser espancada.

Relembre o crime

Alice Martins Alves, mulher trans de 33 anos, foi vítima de espancamento na madrugada de 23 de outubro na Savassi. Em 9 de novembro, ela foi submetida a uma cirurgia de emergência e morreu por infecção generalizada.

De acordo com a Polícia Civil, a motivação do crime foi mascarada por uma conta de R$ 22 não paga pela vítima em uma pastelaria, mas áudios de uma câmera de segurança e a intensidade das agressões comprovaram que Alice foi espancada por transfobia.

 

Após a agressão, Alice perdeu a consciência e foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em um primeiro momento, ela foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul e liberada.

Em 2 de novembro, foi novamente levada a um pronto atendimento, onde foram constatadas fraturas nas costelas, cortes no nariz e desvio de septo. Em 8 de novembro, em nova internação, foi diagnosticada com perfuração no intestino.

Arthur e William foram indiciados pela morte de Alice em 4 de dezembro. Seis dias depois, o 1º Tribunal do Júri Sumariante de Belo Horizonte aceitou a denúncia do MPMG por feminicídio qualificado por motivo fútil.

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*Com informações da TV Alterosa

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