Caso Alice: réus e 14 testemunhas participam de audiência nesta terça (10)
Alice Martins Alves, mullher trans de 33 anos, foi espancada na Savassi, em BH. Justiça deve ouvir oito testemunhas de acusação e seis de defesa, além dos réus
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Os dois réus pela morte de Alice Martins Alves, de 33 anos, e 14 testemunhas participam da audiência de instrução e julgamento nesta terça-feira (10/3). Mulher trans, Alice foi vítima de espancamento na madrugada do dia 23 de outubro do ano passado, na Savassi, Região Centro-Sul de BH. Ela morreu em decorrência dos ferimentos em 9 de novembro.
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Arthur Caique Benjamin de Souza, de 27, e William Gustavo de Jesus, de 20, são réus por feminicídio qualificado. Arthur está preso preventivamente desde 19 de dezembro e participa da audiência nesta terça-feira por videoconferência. William compareceu ao Fórum Lafayette. Os acusados eram funcionários de uma pastelaria, onde Alice estava antes de ser espancada.
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A assessoria do fórum informou que 14 testemunhas também devem prestar depoimento, sendo oito de acusação e seis de defesa. Em atualização emitida às 15h16, foi informado que a quinta testemunha estava prestando depoimento.
Relembre o crime
Alice Martins Alves, mulher trans de 33 anos, foi vítima de espancamento na madrugada de 23 de outubro na Savassi, Região Centro-Sul de BH. No dia 9 de novembro, ela foi submetida a uma cirurgia de emergência e morreu por infecção generalizada. De acordo com a Polícia Civil, a motivação do crime foi mascarada por uma conta de R$ 22 não paga pela vítima em uma pastelaria, mas áudios de uma câmera de segurança e a intensidade das agressões comprovaram que Alice foi espancada por transfobia.
Após a agressão, Alice perdeu a consciência e foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em um primeiro momento, ela foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento Centro-Sul e liberada. Em 2 de novembro, foi novamente levada a um pronto atendimento, onde foram constatadas fraturas nas costelas, cortes no nariz e desvio de septo. Em 8 de novembro, em nova internação, foi diagnosticada com perfuração no intestino.
Arthur e William foram indiciados pela morte de Alice em 4 de dezembro. Em 10 de dezembro, o 1º Tribunal do Júri Sumariante de Belo Horizonte aceitou a denúncia do MPMG por feminicídio qualificado por motivo fútil.
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Prisão do réu
A prisão de Arthur foi decretada na manhã de 19 de dezembro. Na época, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza afirmou que houve “superveniência de fatos novos aptos a justificar a reapreciação da matéria”, destacando que os elementos reunidos ao longo da investigação reforçaram a necessidade da prisão preventiva.
“À luz do novo laudo pericial apresentado, não mais subsiste a dúvida outrora existente quanto ao nexo causal, sendo possível afirmar, neste momento processual, que a agressão perpetrada constituiu a causa primária do resultado morte”, escreveu a juíza na decisão.
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A defesa de Arthur já teve pedidos de revogação da prisão preventiva negados.