Professores de escola municipal em BH protestam e denunciam ameaça de morte
Sindicato informa a necessidade de melhor estruturação das unidades de ensino para que situações de violência não se repitam em nenhuma instituição
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Professores da Escola Municipal de Educação Infantil Zilah Sposito, no Bairro Jaqueline, Região Norte de Belo Horizonte, protestaram na manhã desta segunda-feira (23/3) em decorrência de ameaças de morte sofridas por docentes e pelos alunos na última sexta-feira (20/3). A manifestação contou com cartazes e com o atraso de uma hora para o início das aulas.
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De acordo com Talita Barcelos, professora da rede municipal e membro da atual diretoria do sindicato dos trabalhadores da educação de Belo Horizonte (Sind-Rede), não é a primeira vez que docentes da região sofreram ameaças e agressões, o que motivou a ação na manhã de hoje.
“Tomamos conhecimento das informações através dos próprios profissionais da escola, que entraram em contato com o sindicato, pediram orientações, ajuda para mediar as situações de violência e construir formas de denúncia das agressões que os profissionais têm sofrido no interior das instituições de ensino”, afirma Talita.
Na última sexta-feira, dois familiares entraram na escola e agrediram duas professoras que davam aula. Em uma das ocasiões, a docente chegou a ser ameaçada de morte.
Apenas uma das educadoras registrou boletim de ocorrência. Ela foi afastada da escola em decorrência do abalo emocional causado pelo estresse das agressões. A outra docente não prestou queixa, mas não nos foi informado o motivo.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a unidade mantém uma relação de proximidade com a comunidade local e que vai intensificar as ações de diálogo e mediação de conflitos para preservar o ambiente escolar como um espaço de respeito e segurança.
Eles ainda informaram que a Guarda Civil mantém policiamento preventivo permanente em todas as unidades da rede municipal de ensino por meio da Patrulha Escolar. Os agentes são responsáveis pela proteção do ambiente e especializados em mediar conflitos na instituição.
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Talita questiona a fala da prefeitura, de que há agentes da Guarda Civil nas escolas, e atrela que muitas dessas ocorrências de violência seriam evitadas se houvesse servidores especializados nas unidades de ensino.
“Quando a PBH coloca profissionais que não são especializados no ensino de crianças e adolescentes, cria-se uma desvalorização da educação e isso gera situações de violência como vimos na última semana”, relata. “A prefeitura precisa de uma política de prestígio efetivo, tanto da estrutura da escola quanto dos profissionais que atuam na unidade de ensino".
Paralisação de quinta-feira
Os servidores da educação farão uma paralisação nesta quinta-feira (26/3) para debater a pauta de campanha salarial dos profissionais de ensino. As informações referentes a esse protesto foram retiradas da página do Sind-Rede.
De acordo com o sindicato, a paralisação é motivada pelo “silêncio” da Secretaria Municipal de Educação em relação ao acordo coletivo destes trabalhadores. Segundo eles, o reajuste salarial ocorreu em apenas algumas instituições.
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*Estagiário sob supervisão do subeditor Gabriel Felice