Lama, escombros e perda – seja material ou de entes queridos. Um dia depois de o caos tomar conta da cidade de Juiz de Fora (MG), na Zona da Mata, moradores do Bairro Paineiras, um dos mais atingidos pelas chuvas, tentam voltar à normalidade à medida que contabilizam os prejuízos e lidam com o fantasma de novos deslizamentos na região. Na manhã desta quarta-feira (25/2), algumas pessoas retornaram a suas casas para recolher pertences que deixaram para trás no momento de desespero.

Apesar de o cenário ser de dor e tragédia, há aqueles que se sentem abençoados por saírem ilesos da situação. O comerciante André Luiz Miranda contou ao Estado de Minas que mora em frente ao principal local atingido do bairro. Ele acompanhou a situação, por volta das 21h30, e não teve a casa atingida, mas disse que um vizinho não teve a mesma sorte.

"Escutamos o estrondo. Não vimos nada, porém a água estava descendo muito rapidamente. Liguei para o vizinho da casa da frente e perguntei como estava, porque estava descendo muito barro. Ele disse: 'André, minha esposa está muito nervosa, vamos sair agora'. Ele, a esposa e o filho saíram. Cinco minutos depois, teve outro estrondo, e foi quando desceu tudo", conta.

De acordo com Miranda, a casa desse vizinho e outras duas caíram, provocando destruição total das estruturas. Ele relata que o barulho da queda das casas foi enorme. Ele agradece por não ter lhe acontecido nada, pois realizou uma cirurgia recentemente e não pode pegar peso. Agora, volta à residência para buscar roupas e pertences pessoais que deixou para trás na segunda-feira (23/2).

Enquanto as escavadeiras trabalham ao fundo, moradores do bairro analisam como recuperar seus itens pessoais. A lama nas ruas cobre completamente as rodas dos carros estacionados. Galhos de árvore, entulho e lixo também foram carregados pelo barro.

Deslizamento no Morro do Cristo

Ainda no Bairro Paineiras fica localizado o Morro do Cristo, que desabou e atingiu algumas casas. Conforme imagens do Estado de Minas, é possível observar o tamanho do estrago causado. As imagens aéreas mostram a área em que a terra deslizou, até o ponto que atingiu os imóveis.

Pelo menos uma pessoa morreu em um edifício de três andares — um homem não identificado. Cerca de 20 casas foram atingidas pela lama, e pedras e toras de madeira das árvores, arrancadas.

Em uma das casas atingidas por esse deslizamento, cinco pessoas foram soterradas, sendo duas mulheres, duas crianças e um homem. O corpo de uma das mulheres foi recuperado. Uma delas foi retirada dos escombros, mas morreu. O homem e as crianças seguem desaparecidos sob os escombros.

O engenheiro ambiental Fabiano Diogo Ferreira, que mora na região há 20 anos, ajudou a resgatar pessoas soterradas e organizar as buscas até a chegada das autoridades. Ele se lembra do momento deslizamentos, na escadaria da Rua do Carmelo, no Bairro Paineiras.

"Houve um estrondo, e esse estrondo parecia um tiro de canhão. Deu para pressentir que algo de ruim tinha acontecido. No estouro, deu pra perceber que subiu uma nuvem de poeira, mas a poeira foi mais forte do que a chuva", relatou.

Segundo o engenheiro, algumas pessoas foram resgatadas a partir do prédio dele. O homem conta que uma força-tarefa foi montada para ajudar no resgate de pessoas que ficaram presas nos locais atingidos.

Estado de calamidade pública

Diante da gravidade, Juiz de Fora entrou em estado de calamidade nessa terça-feira (24/2). Até as 13h desta quarta-feira, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) divulgou que 34 pessoas morreram. Outras 25 estão desaparecidas; 400, desalojadas; e 3 mil, desabrigadas. O decreto é válido por seis meses.

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Os militares continuam atuando na cidade em busca das pessoas soterradas. Bombeiros de outras cidades também reforçam as ações em Juiz de Fora.

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