Juiz de Fora: 'Não. Nunca', diz sobrevivente sobre voltar para casa
Moradora da Rua do Carmelo, no Paineiras, aposentada de 63 anos era vizinha de família morta na tragédia. Ela afirma: 'Minha vida vale mais do que isso aqui'
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“Não. Nunca. A minha vida vale mais do que isso aqui. Vou deixar tudo lá. Vou tirar só o que puder”, afirma a professora aposentada Maria do Carmo Braga Lopes, de 63 anos, sobre voltar para a casa após a tragédia que assolou Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.
Maria do Carmo era vizinha da família que foi soterrada em decorrência da forte chuva que atingiu, e segue atingindo, a cidade. Moradora da Rua do Carmelo, no Bairro Paineiras, ela relembra o momento do desabamento da casa ao lado. “A hora que aconteceu (o desabamento), estava chovendo muito. Escutei o barulho quando caiu (...) a hora que eu vi, quase desmaiei”, relatou ao Estado de Minas.
No desabamento do imóvel morreram a técnica de enfermagem Jaqueline de Fátima Theodoro Vicente, de 33; o namorado David Pedro de Souza, de 42; a mãe dela, Neide Aparecida Teodoro Vicente, de 57; e a filha, Sophia, de 6. O filho Piettro, de 9, continua desaparecido.
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Maria do Carmo afirma que desceu a escadaria da rua com a água batendo nas pernas. A aposentada conta que deixou documentos e quase todos os pertences para trás.
A aposentada conta que está vivendo à base de remédios e que está muito triste pelas mortes dos vizinhos. “Gostava muito deles. Dia de sábado, a gente ficava ali conversando, dia de domingo. Um ajudava o outro quando precisava”, disse.
Das cinco vítimas, Jaqueline foi a única encontrada com vida, após passar cerca de 15 horas soterrada, mas não resistiu e morreu no hospital na quarta-feira (25/2). Piettro ainda não foi encontrado, conforme últimas atualizações do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) e Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
A reportagem apurou que as buscas por ele se concentravam no mesmo local em que a irmã foi encontrada nesta sexta-feira (27/2), porque eles costumavam dormir juntos, mas a área teria sido expandida, uma vez que ainda não foram encontrados vestígios dele.
Número de mortos
De acordo com a PCMG, 63 corpos deram entrada no Posto Médico-Legal de Juiz Fora até o momento, tendo sido todas as mortes por soterramento. A corporação explica que a contagem de óbitos abrange todas as vítimas decorrentes da tragédia relacionada às chuvas registradas na região nos últimos dias.
"Nesse levantamento, estão incluídas vítimas que, inicialmente, foram socorridas com vida e posteriormente faleceram em unidades de saúde, sendo então encaminhadas ao Posto Médico-Legal (PML), bem como vítimas socorridas por terceiros ou particulares e óbitos em que o resgate foi realizado por outros órgãos ou por populares", informou.
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Por sua vez, o Corpo de Bombeiros contabiliza 59 mortes em Juiz de Fora até o momento. Duas pessoas seguem desaparecidas, sendo uma delas o Piettro.