TRAGÉDIA NA ZONA DA MATA

Escola de Juiz de Fora retoma aulas em meio a calamidade e gera revolta

Decisão do Colégio Pirâmide provoca críticas do Sindicato dos Professores e da comunidade nas redes sociais

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A retomada das aulas do Centro Educacional Mundo Encantado e Colégio Pirâmide em Juiz de Fora (MG), tem gerado indignação entre a comunidade e o Sindicato dos Professores (Sinpro-JF). A instituição decidiu reabrir mesmo com a cidade em estado de calamidade, provocado pelas chuvas.

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O comunicado foi divulgado nas redes sociais da instituição de ensino, informando o retorno das atividades presenciais e a continuidade de uma campanha solidária de arrecadação de doações. A justificativa apresentada pela instituição foi a "melhora das condições climáticas".

Comunicado publicado no Centro Educacional Mundo Encantado e Colégio Pirâmide
Comunicado publicado no Centro Educacional Mundo Encantado e Colégio Pirâmide Redes sociais

O argumento não foi bem recebido pela comunidade e provocou reação imediata do Sinpro-JF, que classificou a medida como irresponsável. Nas redes sociais, a entidade afirmou ter recebido o anúncio com “espanto e indignação” e acusou a escola de ignorar o estado de calamidade decretado no município.

 "O Sinpro repudia veementemente a decisão da escola de retomar as aulas amanhã [ontem, 26/02] sob o absurdo e falso argumento de melhora das condições climáticas", escreveram no post.

Segundo o sindicato, ao retomar as aulas, a decisão da instituição coloca em risco alunos, professores e demais profissionais, contrariando as orientações de todas as autoridades e o simples bom senso.

A entidade também cobrou a suspensão imediata das atividades presenciais até que haja condições seguras para o retorno. "Reivindicamos que a escola reveja esta decisão imediatamente e suspenda as aulas, liberando alunos e profissionais da educação do comparecimento no local de trabalho em condições de risco."

Com mais de 200 comentários no post, a maioria não gostou da atitude da escola devido à situação crítica enfrentada pela cidade por causa das chuvas fortes.

A reportagem entrou em contato com a direção da escola para entender por que resolveram retomar as aulas na condições atuais.

Em nota, a direção da instituição afirmou que a decisão inicial de manter as atividades considerou o fato de a unidade estar em uma região não diretamente atingida pelas chuvas, com acessos preservados e estrutura física sem danos no momento do planejamento.

A instituição também justificou que a manutenção do funcionamento tem como objetivo apoiar famílias que dependem do regime integral, especialmente aquelas cujos responsáveis atuam em serviços essenciais. Segundo a direção, a escola busca oferecer suporte em um momento crítico para a cidade.

No entanto, a direção informou que, diante do agravamento das condições climáticas na madrugada de quarta-feira (25/2), houve reavaliação imediata da situação. Como resultado, as aulas foram suspensas ontem e hoje, priorizando a segurança da comunidade escolar, a redução de deslocamentos e em respeito às vítimas e ao luto no município.

"A instituição mantém monitoramento constante dos órgãos oficiais e autonomia para tomar decisões que visem o bem-estar de sua comunidade, sempre priorizando o bom senso e a segurança acima de qualquer cronograma pedagógico. Lamentamos profundamente o caos que atinge nossa cidade e reforçamos que nosso foco permanece no acolhimento e na proteção de nossos alunos e de nossa equipe de profissionais", conclui.

A prefeitura do município decretou estado de calamidade pública por seis. Até as 13h desta sexta-feira (27/2), a tragédia já deixou 68 mortos confirmados - 62 em Juiz de Fora e seis em Ubá. Em Juiz de Fora há mais de três mil pessoas desabrigadas e 700 desalojadas, de acordo com a Polícia Civil.

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*Estagiária sob supervisão do editor Benny Cohen

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