Mesmo parado, bloco As Charangueiras acelera a folia na Savassi
Formado apenas por mães, coletivo feminino, que tem foco na inclusão e acessibilidade, movimenta a Rua Paraíba neste domingo (8/2) com tributo às sertanejas
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Pré-carnaval inclusivo, com lugar para todos e espaço aberto a vários ritmos. Na manhã deste domingo (8/2), a folia estava solta na Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, com o bloco "As Charangueiras", formado exclusivamente por mães.
Com 12 anos de história, ocupando a Rua Paraíba (esquina com Antônio de Albuquerque), o coletivo feminino traz a proposta de unir sucessos musicais a uma estrutura pensada para acolher a quem chegar. O bloco fica parado, não desfila, mas perde nada no quesito principal: animação.
Ao eliminar o deslocamento, o bloco cria um ambiente seguro e estável, fundamental para que pessoas com mobilidade reduzida, cadeirantes, idosos e famílias com carrinhos de bebê possam vivenciar o carnaval sem o risco de empurra-empurra ou o cansaço de longos trajetos.
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"O bloco parado vira um encontro: dá para dançar, cantar, brincar e ver de perto a bateria. Pensamos naqueles que têm dificuldade de locomoção para que possam curtir a festa tranquilamente", explica a fundadora e diretora do bloco, Ana Andrade.
Grávida de nove meses, a médica Raquel Alves toca firme o tamborim. Pode nascer a qualquer hora...estou com quase 39 semanas de gestação", disse a charangueira. Curtindo a folia, Nayara Vieira, enfermeira, levou os gêmeos Miguel, fantasiado de Capitão América, e Theo, de Homem-Aranha.
Feminejo
Desta vez, o bloco emociona o público com um tributo à força da mulher na música sertaneja, passando por gerações que definiram o gênero, da pioneira Roberta Miranda a Marília Mendonça (1995-2021), chegando ao fenômeno atual Ana Castela. Como a festa é inclusiva, o repertório também contempla sucessos nacionais e internacionais. Nos vocais, Duda e Carol.
Dentro do compromisso social, o bloco conta neste pré-carnaval com uma intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) no palco. A iniciativa garante que a comunidade surda não apenas esteja presente, mas compreenda as letras e mensagens d'As Charangueiras. Estão a todo vapor os intérpretes de Libras, Tatiana Pimenta, Luiz Arrais e Juliano Salomão.
Nova geração
A abertura oficial ficou a cargo d'As Charanguinhas, grupo formado pelas filhas das integrantes do bloco. O projeto, iniciado em 2017, reúne, agora, 15 crianças que, inspiradas pelas mães, assumem os instrumentos.
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A criançada que chegou para curtir com os pais se divertiu, pois o bloco recebeu a visita de personagens que habitam o imaginário infantil, como Moana, Elsa ("Frozen") e outras princesas, transformando, segundo as organizadoras, em um conto de fadas carnavalesco. É a combinação perfeita para os pais que buscam um ambiente onde as crianças são bem-vindas e protagonistas da festa. Inclusive, músicas do universo infantil também fazem parte do repertório.