O muro de uma casa, na Rua Zilda Caldeira de Oliveira, no Bairro Morro do São Francisco, em Sabará (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, desabou na madrugada desta sexta-feira (23/1). Ninguém se feriu. No dia 16 de dezembro, um menino de 5 anos morreu soterrado em um deslizamento que atingiu a casa da família, na mesma rua.

Imagens publicadas nas redes sociais mostram o local pouco depois do desabamento. A queda do muro causou impacto na casa ao lado e, segundo um morador, há risco de comprometimento a outras casas. O Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG) atuou na ocorrência e a Defesa Civil municipal faz a vistoria do local.

No Bairro Nossa Senhora de Fátima, houve um deslizamento de terra e a Prefeitura de Sabará enviou máquinas para fazer a limpeza do local. Uma mãe e dois filhos precisaram ser retirados de casa e se abrigaram com parentes.

De acordo com o secretário de Defesa Civil de Sabará, Flávio Godinho, a atual condição climática, intensificada pela Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), tem intensificado as chuvas e, consequentemente, causado sobrecarga hídrica no solo. No entanto, o risco geológico na região também é agravado pela possibilidade de haver um problema na tubulação no local.

"A gente está em contato agora para verificar se existe alguma questão envolvendo tubulação de água. Se isso for a causa, a gente vai acionar a Copasa pra analisar a situação. Nessa casa do [Bairro] Fátima, a família foi retirada e vai ser feita uma análise estrutural por engenheiro para ver se a família pode retornar ou não", disse.

Segundo a Defesa Civil de Sabará, a intensidade da chuva colocou a cidade sob alerta severo de risco geológico, com alto risco de desabamentos e deslizamentos, até segunda-feira (26/1).

Em decorrência das fortes chuvas que atingem a cidade, o Rio das Velhas, que corta o município, também está em estado de atenção. O nível do rio encontra-se em 2,1 metros (m), sendo que a partir de 1,9m o órgão municipal considera nível de alerta. Caso o nível ultrapasse os 3,9m, entrará em estado de emergência.

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou que o Bairro Nossa Senhora de Fátima poderá apresentar intermitência até o início da tarde desta sexta-feira. Imóveis que possuem caixa d’água podem não ser afetados.

Desigualdades agravam tragédias

Luigi de Jesus Auricho, de apenas 5 anos, teve morte cerebral confirmada no dia 18 de dezembro, dois dias depois de ter sido soterrado em um deslizamento que atingiu a casa da família, também no Bairro Morro do São Francisco, em Sabará (MG). Além dele, os irmãos, de 7 e 10 anos, e os pais, de 43 e 51, estavam no imóvel no momento. Com a gravidade, o menino sofreu parada cardiorrespiratória e foi reanimado por 50 minutos. Ele foi encaminhado para o Hospital João XXIII, em BH, onde teve a morte confirmada depois.

De acordo com o Professor do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Richard Moreira explica que moradores de áreas de risco, como o bairro onde Luigi morreu, enfrentam o temor de que suas casas sejam destruídas e até mesmo de perder a própria vida. O perigo se multiplica nas parcelas de menor renda da população, agravado ainda pelas mudanças climáticas, aponta especialista.

Autor da tese “Vulnerabilidades e heterogeneidades populacionais em contexto de realocação planejada em Belo Horizonte”, defendida em 2023, o demógrafo chama atenção para um cenário de riscos geológicos desiguais até mesmo nas regiões listadas pelo IBGE. Além de viver nos terrenos mais vulneráveis, grupos de menor renda têm dificuldade de se precaver ou investir em formas de proteção contra danos.

“A tendência é que a situação piore como um todo. E para as pessoas que estão numa situação de vulnerabilidade maior, a perspectiva é que piore ainda mais”, acredita. “Se tenho um nível de renda maior, consigo me precaver, ter uma reserva financeira para desenvolver formas de me proteger da chuva, construir um muro de arrimo na minha casa ou outras opções de construção para absorver o fluxo de água da chuva. A gente não vê isso acontecendo nas partes mais pobres da cidade, justamente por uma questão de desigualdade socioeconômica”, diz Moreira.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Quais são os sinais de deslizamento?

  • Trincas nas paredes;
  • Água empoçando no quintal;
  • Portas e janelas emperradas;
  • Rachaduras no solo;
  • Água minando da base do barranco;
  • Inclinação de poste ou árvores.

É recomendado que a população não fique em residências localizadas em áreas muito inclinadas ou em áreas sujeitas a soterramento e busque um local seguro. Em caso de emergência, entre em contato com a Defesa Civil (199) ou com o Corpo de Bombeiros (193).

compartilhe