MINERAÇÃO

Medo atormenta moradores após vazamento de mina

População que vive em distritos na divisa entre Ouro Preto e Congonhas revela à reportagem do EM a angústia de conviver com a incerteza de possíveis transborda

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Entre montanhas e paisagens, minas e barragens ainda constituem o cenário de inúmeras cidades mineiras. O rompimento das estruturas já causou grandes tragédias em Minas Gerais, como o caso de Brumadinho, na Região Metropolitana, que completou sete anos no domingo (25/1). No mesmo dia, uma estrutura da Vale em Ouro Preto, na divisa com Congonhas, na Região Central do estado, transbordou e atingiu a região do distrito de Pires, uma área da CSN Mineração, e também o leito de córregos em Congonhas.

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Apesar de não ter deixado vítimas, o extravasamento acendeu um alerta na população da região. Diante da incerteza de serem atingidos nesses episódios, moradores do entorno das mineradoras relatam medo. Alguns, inclusive, alegam não receber informações claras a respeito das condições das minas e barragens, o que aumenta a sensação de insegurança. É o que conta o morador de Mota, subdistrito de Ouro Preto, Seu João (nome fictício).

"A barragem, mesmo desativada por vários anos, não seca. Por baixo do barro, fica úmido. Ainda mais nessa época de chuva. A gente fica com medo, [pois] não sabe. A empresa nunca fala toda a verdade, se a gente tá correndo risco ou não. Eles dizem que se ela estourar, pega Itabirito e Correia, mas a gente nunca tem certeza", conta.

João conhece de perto o potencial de devastação que uma barragem tem, por já ter trabalhado na mineradora. Segundo ele, morar próximo a barragens e minas tem riscos, mas defende que a população chegou antes das mineradoras e que foram lesados. "A gente trabalha lá, tem acesso a essas barragens. Inclusive, a gente acessa por fora por causa dos riscos. A gente mora logo aqui, então somos os primeiros a ser atingidos [em caso de rompimento]", diz.

Um dia após o vazamento

A reportagem do Estado de Minas foi até a mina da Fábrica, em Ouro Preto, para percorrer o trajeto da água que vazou e inundou parte da região. Entretanto, não teve acesso à estrutura da Vale, pois não foi permitida a entrada da imprensa. Nos arredores, também não foi possível aproximar do local em que houve o extravasamento de água devido à vegetação e à lama, além de áreas privadas.

No vilarejo mais próximo da mina, o subdistrito de Mota, em Ouro Preto, os moradores demonstraram preocupação em relação ao acontecimento do dia anterior. No entanto, muitos revelaram não ter recebido informações claras sobre o vazamento. A ausência de respostas por parte da mineradora e o fantasma das barragens no estado ainda assombram parcela da população, sobretudo a que mora ao lado das minas.

Apesar de não ter devastado uma área tão grande quanto o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em 2019, o vazamento de água causou danos ambientais, conforme a Defesa Civil de Minas Gerais. Segundo o órgão estadual, o carreamento de sedimentos e assoreamento de cursos d'água afluentes do Rio Maranhão resultaram na determinação de medidas emergenciais por parte da Vale. O objetivo é mitigar o estrago, monitorando o curso d'água atingido e outras ações de recuperação ambiental.

No vilarejo de Mota, a reportagem flagrou córregos carregados de lama. Segundo moradores, o afluente não é utilizado para consumo, mas algumas pessoas costumam pescar. Com o derramamento da lama, a prática da pesca não poderá ser continuada.

A situação, embora inédita para a população do vilarejo, agrava outro problema trazido pelas mineradoras. Conforme relatado, uma outra empresa construiu uma barragem em cima de uma nascente de água de onde a comunidade abastece suas casas, uma vez que não há companhias de saneamento na região. Porém, quando chove, os resíduos caem sobre a água potável, tornando-a imprópria para consumo. A cada chuva forte, moradores de Mota ficam sem água.

Segundo caso em menos de 24 horas

Surpreendentemente, outra mina da Vale teve um extravasamento de água no mesmo dia. Menos de 24 horas depois do transbordamento da mina da Fábrica, a mina de Viga, localizada na estrada Esmeril, em Congonhas, na Região Central de Minas, também transbordou. O Estado de Minas também foi ao local, que fica entre a Plataforma e o Esmeril, e registrou a movimentação.

Da portaria da mina, foi possível observar o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG) e equipes da Defesa Civil percorrendo o lugar. Máquinas e tratores removiam grande quantidade de terra e lama logo na entrada do espaço. Parte do solo cedeu, mas nem a Vale nem a Defesa Civil confirmaram se foi em decorrência do extravasamento.

Em meio à chuva forte, as máquinas continuaram trabalhando. Ao mesmo tempo, uma quantidade torrencial de água descia pela estrada de entrada da mina. Informações dão conta que o volume de água na via ocorreu devido ao vazamento dentro da mina – local em que a reportagem não teve acesso.

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O município de Congonhas já vive sob o medo de um possível rompimento na barragem da Casa de Pedra, uma das maiores do estado. Com a intensidade das chuvas e os vazamentos seguidos, a insegurança cresce, mas a mineradora afirma que as barragens não apresentam risco iminente. Em relação aos vazamentos, a Vale reforça que as medidas necessárias estão sendo tomadas.

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