"O Agente Secreto" desfila pelo carnaval de BH
Fim de semana que antecipa a folia na capital teve cinema, clássicos do samba, do pagode, do axé e do brega, e a nostalgia de músicas marcaram gerações
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O Carnaval de Belo Horizonte sempre foi um território de diálogo entre tradições, e em 2026 a sétima arte também decidiu pedir passagem. Na manhã desse sábado (24/1), o ensaio do tradicional bloco Terno do Binga coloriu as ruas do bairro Santa Tereza, na Região Leste, com a mistura entre o frevo pernambucano e a efervescência do cinema nacional.
O grande homenageado — ainda que informal — foi o filme "O Agente Secreto". A obra do diretor Kleber Mendonça Filho serviu de inspiração para foliões criativos. Entre os estandartes e os metais da orquestra, era possível avistar figuras icônicas do longa, como o tubarão e a lendária "perna cabeluda", mito urbano do Recife que ganha destaque na trama.
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A escolha do tema não foi por acaso - o filme tem quatro indicações ao Oscar. No asfalto de Santê, a torcida pelo reconhecimento internacional se transformou em fantasia e purpurina.
Outros pontos da capital também pulsaram com a folia nesse fim de semana. No bairro Luxemburgo, o bloco As Charangueiras reafirmou o protagonismo feminino. Com uma bateria 100% composta por mulheres, o grupo apostou em clássicos como "Evidências" e "Dancing Days". Um ponto alto foi a presença de intérpretes de Libras.
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O Bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste, também transformou-se em um verdadeiro corredor da festa na manhã de sábado. O responsável pela antecipação do Carnaval foi o Bloco do Chifrudo, que realizou seu ensaio aberto atraindo centenas de foliões ao som de clássicos do samba e do axé.
A bateria deu o tom da festa. O repertório, focado na memória afetiva do Carnaval brasileiro, incluiu hinos como "Vou Festejar", de Beth Carvalho, e o balanço baiano de "Ara Ketu Bom Demais".
Fundado em 2022, o Bloco do Chifrudo faz sua estreia oficial pelas ruas do bairro. O grupo, que se caracteriza pelo perfil democrático e pela ausência de fins lucrativos, aposta na diversidade musical, que transita entre a marchinha e o pagode. O "batismo" oficial do bloco no Padre Eustáquio já tem data marcada. No dia 7 de fevereiro, o Chifrudo realiza seu cortejo principal.
Na tarde deste domingo (25/1), a diversão foi com os blocos Beiço do Wando e Me Beija Que Eu Sou Pagodeiro. A organização transferiu o cortejo que seria na Avenida Augusto de Lima, para o Bar Montê, no Centro de BH, pela possibilidade de chuva. Com a nostalgia de músicas do Balão Mágico, Wando e Sidney Magal, e clássicos do pagode dos anos 1990 adaptados para ritmo de bateria de escola de samba, marcha de carnaval e axé, os grupos lotaram a casa, que recebeu mais de 1,2 mil pessoas.
O evento deste fim de semana ocorreu sob o monitoramento das autoridades, em um período em que Belo Horizonte segue em alerta para chuvas intensas. Para o período oficial do Carnaval, a PBH já anunciou medidas de suporte, incluindo a entrega de credenciais para ambulantes e a proibição de caçambas em vias de desfile para garantir o fluxo dos foliões.
Os vendedores ambulantes já podem se cadastrar para atuar no Carnaval da capital. Começa nesta segunda-feira (26/1) a entrega das credenciais oficiais para o trabalho durante a folia. O atendimento será realizado no Expominas, no bairro Gameleira, até o próximo sábado (31/1).
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A retirada do documento, que é pessoal e intransferível, ocorrerá das 8h às 17h, por ordem de chegada. Para garantir a organização, a administração municipal mobilizou uma equipe de 40 profissionais, com capacidade para realizar até 2,6 mil atendimentos diários.