Carnaval de BH: bloquinho da Apae faz vaquinha para sair na rua
Bloquinho Apaetucada completa 20 anos em 2026 e busca apoio financeiro após não receber subvenção da prefeitura
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O bloquinho Apaetucada, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), localizada no Bairro Santa Tereza, Região Leste de BH, desfila há 20 anos no carnaval de rua belo-horizontino. Porém, nesta edição, o coletivo não recebeu recursos da PBH para fazer os desfiles e resolveu abrir uma vaquinha para financiar a saída do bloco para as vias da capital mineira.
De acordo com a gerente de comunicação da Apae, Franciele Viana, a ausência de subvenção da prefeitura impactou consideravelmente o evento proposto pela associação. “O nosso bloco é muito esperado, tanto pela sociedade quanto pela comunidade que frequenta a Apae. É um evento que não podemos deixar de fazer e, não ter esse recurso, impõe para nós uma dificuldade ainda maior para colocar o bloco na rua”, diz.
A Apae é uma associação sem fins lucrativos e, para custear o evento, é necessário criar estratégias para que o bloco vá para a rua. Com isso, a associação desenvolveu uma vaquinha para possibilitar que isso acontecesse.
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“Todo valor é muito bem-vindo. Para que esse evento realmente aconteça, da forma que a gente faz todo ano. A cada ano tentamos melhorar e por isso precisamos da colaboração das pessoas, seja na compra do abadá – que custa R$35,00 – ou na doação direta para o nosso Pix”, aponta a gerente de comunicação.
O Pix pode ser feito para a chave apaebh@apaebh.org.br. Para mais informações sobre a vaquinha proposta pela associação, acesse a página da associação.
Fundado em 2006, o bloco sairá para as ruas pela 18ª vez, isso porque, nos dois anos de pandemia, não colocou gente nas vias da cidade, em decorrência do período de distanciamento social imposto pela pandemia. O ponto de encontro e saída do bloco é a própria instituição, rua Cristal, nº 78, Bairro Santa Tereza, Região Leste de BH.
O que diz a PBH
A PBH informou que a Apaetucada não conseguiu atingir a pontuação para receber a subvenção disponibilizada aos blocos de rua belo-horizontinos. Eles utilizam critérios de avaliação que, a partir de alguns pontos, indicam se os blocos poderão receber o auxílio.
Dayse Aguilar, mãe de um jovem que recebe atendimento na unidade e frequentadora do bloco desde 2017, observa de forma negativa essa postura da prefeitura. “É lamentável! Investir apenas naqueles blocos gigantes e esquecer a relevância, a importância do bloco Apaetucada é lamentável. Acho péssimo”, diz. “O município tem que auxiliar para que blocos como esse não acabem e não se percam”, aponta.
História da Apae
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), localizada no Bairro Santa Tereza, foi fundada em 1961 e já atendeu mais de 100 mil pessoas com deficiência intelectual e múltipla, além de suas famílias.
Franciele Viana, gerente de comunicação, ressalta a tradição da Apae no cuidado com a comunidade que frequenta suas unidades.
“Os nossos atendimentos vão da área da saúde, desde o nascimento, com terapias voltadas ao desenvolvimento e à fase da educação”, diz. “Temos a escola especializada e a área da assistência social, em que são feitas atividades voltadas para socialização, desenvolvimento cultural e social da pessoa com deficiência”, afirma Franciele.
Atualmente, cerca de 10 mil pessoas são atendidas pela Apae, incluindo pessoas com deficiência e seus familiares nas unidades de BH e Contagem.
Quando há alguém com deficiência na família, é comum que um membro do núcleo fique responsável pelo cuidado, o que pode resultar no afastamento do mercado de trabalho.
“Os atendimentos também são direcionados às famílias, a partir da nossa economia criativa”, diz. “Para que essas famílias não fiquem com uma dificuldade financeira muito grande e dependendo apenas do Benefício de Prestação Continuada (BPC), um direito da pessoa com deficiência, nós temos a economia criativa que é voltada para esse familiar produzir”, aponta Franciele.
Enquanto esperam pelos atendimentos, os parentes podem participar da produção e venda de objetos artesanais feitos na instituição, garantindo uma renda fixa para a família.
“Os profissionais se preocupam muito, não só com as pessoas com deficiência, mas com os familiares. Todo evento promovido pela Associação eles se preocupam com os pais e cuidadores. Isso é muito interessante, porque nos abraça e nos acolhe”, aponta Dayse Aguilar.
Investimento do governo
O governo de Minas Gerais anunciou, em outubro, o investimento de R$ 50 milhões para 141 Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs). Esse valor foi destinado à construção de salas multissensoriais em cada uma das unidades que atendem pessoas com doenças raras.
O anúncio foi feito na APAE de Belo Horizonte, no Bairro Santa Tereza, Região Leste da capital, e contou com a presença dos secretários de Estado de Governo, Marcelo Aro, e de Saúde, Fábio Baccheretti.
Marcelo Aro afirmou, na ocasião, que os recursos serão utilizados para levar uma sala multissensorial a cada associação de todo o estado. Anos atrás, segundo ele, a primeira sala multissensorial em BH funcionava de maneira privada, ou seja, era preciso pagar para ter acesso.
"Eu paguei para a minha filha, e ela desenvolveu muito as partes cognitiva e motora. A sala atrai, chama atenção. A criança consegue prestar atenção em filmes, em vídeos que são importantes para o desenvolvimento dela. Ali nasceu esse sonho de levar as salas multissensoriais para o interior", disse.
O secretário ressaltou que, em 2024, o governo levou 27 salas multissensoriais para o interior do estado, e agora passa a ampliar o projeto. "Todas as microrregiões de Minas terão uma sala multissensorial. As 141 áreas contempladas conseguem simbolizar o estado inteiro", acrescentou Aro. O investimento nas ações, segundo ele, é de quase R$ 50 milhões.
Além do investimento, Aro destacou o Estatuto da Pessoa com Doença Rara em Minas Gerais. "O estatuto é uma bússola. É o que mostra a direção para onde nós devemos ir. O estatuto, em primeiro lugar, vai definir o que é uma doença rara. Doença rara é uma doença que acomete até 65 pessoas no universo de 100.000 habitantes. Tem que atingir, no máximo, 65 pessoas. Essa definição é da Organização Mundial da Saúde (OMS)", apontou.
O documento prevê diretrizes no tratamento do poder público com as pessoas com doenças raras. "Seja na saúde, com tratamento prioritário, diagnósticos e exames laboratoriais, como também nas esferas da educação e social, como o atendimento psicossocial para os usuários, cuidadores e familiares. Isso é importante porque cerca de 30% das pessoas com doenças raras morrem antes dos 5 anos, por não terem diagnóstico", alegou o secretário.
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*Com informações de Ana Luiza Soares