MEIO AMBIENTE

MG: fêmea de muriqui-do-norte é resgatada depois de percorrer 120 km

Nomeada de Estrela, a muriqui estava desaparecida havia meses, quando deixou o bando em busca de um parceiro

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Após meses de monitoramento em campo, iniciado em julho de 2025, foi concluída com sucesso, na última semana, uma operação de busca e resgate de uma espécie em risco de extinção na natureza. Trata-se de Estrela, uma fêmea de muriqui-do-norte, resgatada após percorrer uma jornada de aproximadamente 120 quilômetros em busca de um parceiro, por municípios da Zona da Mata, em Minas Gerais. Especialistas comemoram a conclusão dos trabalhos e apontam a importância dos corredores ecológicos para a manutenção das espécies.

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Estrela nasceu e era acompanhada desde filhote por profissionais da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Mata do Sossego, em Simonésia, na Zona da Mata, sob supervisão da Fundação Biodiversitas, onde vivia com outros 40 muriquis. A espécie é natural do bioma Mata Atlântica, e considerada Criticamente em Perigo (CR) pela lista vermelha do Estado de Minas Gerais e pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

Em julho, a muriqui-do-norte deixou a reserva em um movimento natural de dispersão, comportamento típico de fêmeas da espécie em idade reprodutiva, que buscam novos parceiros para garantir a variabilidade genética (diferença no DNA, crucial para a adaptação e evolução das populações). 

Reprodução atípica

Segundo o superintendente da Biodiversitas, Jorge Velloso, o comportamento reprodutivo da espécie é atípico. “Entre os mamíferos, quando nasce uma ninhada, as fêmeas ficam no bando e o macho alfa expulsa os outros para procurar um novo grupo”, disse ele. No caso, dos muriquis-do-norte acontece o contrário. “Os machos ficam no bando e, quando a fêmea, em idade reprodutiva, não consegue achar um par e formar família, ela deixa o bando e vai à procura de outros grupos”, explicou o superintendente. 

Jorge também mencionou que o grupo de Estrela exige um intercâmbio de matrizes. “Temos uma baixa variedade genética. Isso significa que precisamos fazer uma translocação de matrizes para evitar a consanguinidade e proporcionar variedade genética. Porque senão,  mesmo protegendo a mata e o grupo, se não trouxermos genes novos, a tendência é diminuir a taxa de reprodução até a extinção”, alertou ele. 

Fuga e buscas

Após tentativas frustradas de encontrar um par, Estrela saiu de Simonésia. “Fizemos um grande esforço, com uso de drone e equipes em campo, mas não a encontramos em um primeiro momento”, relembrou Jorge. Após a “fuga”, a muriqui foi vista em uma floresta urbana, em um município vizinho. “Nova mobilização foi feita para capturá-la, construímos uma gaiola, mas quando fomos atrás, ela desapareceu novamente”, contou Velloso. 

Conforme o especialista, o problema do percurso, que configura o Corredor Ecológico Sossego-Caratinga,  é a fragmentação florestal, que expõe o primata a riscos de atropelamento, ataques de animais domésticos e isolamento em áreas sem recursos alimentares. “É uma área de fragmentação muito séria. Tem partes de ocupação urbana, pastagem de gado, é perigoso”, destacou ele. 

Após percorrer 120km, Estrela apareceu em uma floresta em Caratinga, onde foi capturada no início da última semana. "O resgate da Estrela é uma vitória estratégica para a conservação. Ela é uma fêmea em idade reprodutiva, fundamental para a manutenção da demografia de uma das espécies de primatas mais ameaçadas do mundo", afirmou Jorge Velloso. O trajeto conecta a RPPN Mata do Sossego (Simonésia) à RPPN Feliciano Miguel Abdala (Caratinga), e foi o primeiro reconhecido pelo Governo Estadual.

Readaptação

Estrela foi resgatada, mas antes de ser devolvida ao bando, passou por um processo de aclimatação. Para isso, foi construído um recinto de adaptação (gaiola de manejo) na RPPN Sossego do Muriqui. Esse período, conforme o superintendente, é crucial para que o animal se readapte ao ambiente florestal e possa ser monitorado antes de sua reintegração definitiva aos grupos residentes.

Posteriormente, a muriqui-do-norte foi devolvida ao bando, e está usando uma coleira com GPS para monitoramento. “Vamos acompanhar se ela vai se integrar ao bando novamente ou se terá qualquer comportamento de fuga novamente. Caso isso aconteça, ela será levada para outro bando”, informou Velloso.

Corredores ecológicos

Segundo a bióloga Fernanda Raggi, “os corredores ecológicos são extremamente importantes do ponto de vista ambiental, pois preservam faixas de vegetação natural que conectam habitats ou fragmentos de ecossistemas isolados pela atividade humana, como estradas ou cidades, tornando-os seguros e atrativos para habitat e preservação de fauna e flora locais”. Essas áreas buscam diminuir os efeitos negativos da fragmentação de florestas, promovendo a conectividade entre as populações de fauna e flora. 

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Além disso, os corredores facilitam a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas, por meio de sementes levadas pelo vento e pela fauna, o que ajuda na manutenção e na recuperação da biodiversidade. Fernanda ainda aponta que, para espécies que necessitam de territórios maiores para sobreviver, os corredores aumentam o tamanho do habitat disponível.

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