Suspeito de matar cinco familiares em Juiz de Fora é indiciado
O inquérito foi concluído, e o homem de 42 anos vai responder pelos homicídios qualificados do pai, da madrasta, das duas irmãs e de um sobrinho
compartilhe
SIGA
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu, nesta sexta-feira (16/1), o inquérito que investigou a morte de cinco pessoas da mesma família, em 7 de janeiro, no Bairro Santa Cecília, em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira. O suspeito do crime, de 42 anos, foi indiciado pelos homicídios qualificados do pai, da madrasta, das duas irmãs e de um sobrinho.
De acordo com a delegada Camila Miller, titular da Delegacia Especializada de Homicídios de Juiz de Fora, responsável pela investigação do caso, imagens de câmera de monitoramento registraram que o início dos ataques aconteceu por volta das 6h daquela data.
As investigações apontaram que o suspeito aguardou uma das irmãs sair da casa para o trabalho, a atacou com golpes de faca e a empurrou para dentro do imóvel. Em seguida, foi a vez da madrasta. Logo depois, entrou em um dos quartos e matou o pai, que estava deitado.
A outra irmã, moradora de uma casa nos fundos do terreno, foi até o imóvel dos pais e acabou morta na cozinha. Na sequência, o investigado foi até a residência dessa irmã e matou o sobrinho, de 5 anos.
Segundo a PCMG, a perícia nos corpos confirmou que todas as vítimas tinham ferimentos provocados por instrumento perfurocortante, principalmente nas regiões do pescoço e do rosto. Quando o homem foi preso, em seu apartamento no Bairro Santa Terezinha, foram apreendidas duas facas dentro de um balde. De acordo com a corporação, elas teriam sido usadas nos ataques.
Leia Mais
Confissão e motivação incerta
Quando foi preso, o suspeito confessou ser o responsável pelas mortes dos familiares. Em conversa com policiais militares, ele contou que os homicídios foram motivados por uma dívida. Porém, em seguida, mudou a versão e alegou “atritos familiares”. Um outro irmão, que encontrou os corpos e acionou a polícia, disse que o investigado tinha transtornos psiquiátricos e surtos.
Em relação a motivação, a delegada disse que as investigações não conseguiram chegar a uma conclusão. “Provavelmente, no decorrer do processo, as partes devem alegar uma insanidade mental dele. É bem provável, por causa do discurso dele incoerente. Mas, na fase do inquérito policial, não tem nenhum laudo. Até porque ele não está assistido por advogado. Vai ser nomeado um defensor público para ele.”
Ela comentou ainda sobre o comportamento do suspeito após a prisão. “Não ofereceu resistência. O interrogatório durou mais de uma hora, e ele não demonstrou emoção nenhuma. Nem raiva nem estresse por estar na condição de preso. Ele relatou de forma coerente todos os fatos. Quando ele fala do crime, é muito coerente na fala dele, está orientado no tempo e no espaço. Só na hora da motivação que ele fica com dificuldade para relatar os motivos pelos quais ele fez isso”, observou.
O homem vai responder pelos cinco homicídios, com duas qualificadoras: emprego de meio insidioso ou cruel, além da emboscada, dissimulação ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa das vítimas.
Camila Miller ressalta a gravidade das lesões encontradas nos corpos. “Analisando os laudos periciais que foram juntados aos autos, tanto a de necropsia quanto de local de crime, dá para inferir que a ação dele foi muito violenta.”
Ela informou ainda que os laudos periciais foram juntados aos autos. Agora, o documento fica à disposição da Justiça e do Ministério Público (MPMG) para as providências cabíveis.
Relembre o caso
Em 7 de janeiro, o suspeito de 42 anos se dirigiu até a casa da família, no Bairro Santa Cecília, e matou o pai, João Batista Fernandes Souza, de 74 anos, a madrasta, Neide Fernandes de Faria Souza, de 63, as irmãs, Mônica dos Santos Souza, de 47, e Rachel dos Santos Souza, de 44, e o sobrinho Gabriel Souza Costa, de apenas 5, filho de Rachel.
João Batista Fernandes foi pastor na Igreja do Nazareno Unidos em Cristo, no bairro onde morava. Atualmente, a congregação é liderada pelo filho que encontrou as vítimas. A esposa de João, Neide Fernandes, também atuava como pastora, segundo o Conselho de Pastores de Juiz de Fora (ConpasJF), que emitiu nota de pesar em decorrência da atuação religiosa do casal na comunidade.
Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por volta das 7h40, pelo irmão do suspeito, aquele que encontrou os corpos. Ele mora em um imóvel no mesmo terreno dos outros parentes e não foi atacado. Aos militares, relatou que encontrou os familiares mortos, quando se preparava para ir ao trabalho, apontou o irmão como suspeito pelas mortes e destacou que o mesmo sofre de transtornos psiquiátricos.
Os policiais foram até o condomínio do suspeito, no Bairro Santa Terezinha, e fizeram a abordagem, e o homem confessou ter matado a família.
De acordo com o tenente-coronel Flávio Tafúri, o suspeito contou que os homicídios foram motivados por uma dívida. Em seguida, mudou a versão e alegou “atritos familiares”. O militar frisou que a corporação não teve acesso a qualquer laudo que evidencie a alegada condição de saúde.
No endereço, os militares apreenderam uma faca que teria sido usada na ocorrência. Antes da chegada dos policiais, o suspeito já teria lavado sua roupa e a arma do crime.
“Temos apenas relatos dos familiares de que ele (o suspeito) vinha passando por problemas psiquiátricos. Mas não temos registro de nenhum laudo. Além disso, em todos os levantamentos, não houve nenhum registro envolvendo o autor”, afirmou Tafúri sobre o suposto surto.
Em 9 de janeiro, o suspeito passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. O homem está detido no sistema penitenciário de Juiz de Fora.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
(Com informações da TV Alterosa Zona da Mata)