ET de Varginha e mais: episódios ufológicos que não tiveram explicação
Aeroportos, estádios e operações militares… o Brasil acumula episódios ufológicos que seguem sem explicação oficial
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O Caso Varginha, ocorrido em janeiro de 1996, tornou-se o episódio ufológico mais conhecido do Brasil e um dos mais famosos do mundo. Mas ele está longe de ser um fato isolado. Desde a década de 1950, o país registra uma sequência de relatos envolvendo objetos voadores não identificados, encontros com criaturas estranhas, perseguições aéreas e investigações conduzidas pelas Forças Armadas. Alguns desses casos contam com documentos oficiais, testemunhas qualificadas e registros em radar — e continuam a desafiar explicações definitivas.
Operação Prato (1977)
Entre setembro e dezembro de 1977, moradores de vilarejos no litoral do Pará passaram a relatar ataques noturnos de luzes vindas do céu. As vítimas apresentavam queimaduras, marcas no corpo, tontura, anemia e febre. O fenômeno ficou conhecido como “chupa-chupa”, ou “luz vampira”, e gerou pânico em cidades como Colares, Mosqueiro e Vigia.
Diante da gravidade dos relatos, a Força Aérea Brasileira montou uma operação secreta para investigar o caso. A missão foi comandada pelo então capitão Uyrangê de Hollanda Lima, do esquadrão Para-Sar, especializado em busca e salvamento. Durante quatro meses, militares realizaram vigílias noturnas, entrevistas com vítimas e registros fotográficos e em vídeo.
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Segundo Hollanda, ele e sua equipe chegaram a observar um objeto gigantesco, com cerca de 100 metros, sobrevoando o rio Guajará-Mirim. “Aquele monstro azul, embora tivesse um brilho muito forte, podia ser olhado diretamente sem que ardessem as vistas”, declarou anos depois.
A operação foi encerrada de forma abrupta por ordem do comando da Aeronáutica, decisão que até hoje intriga pesquisadores. Em 1997, Hollanda concedeu uma longa entrevista à revista UFO, afirmando que o material produzido era vasto e que apenas uma pequena parte havia sido divulgada. Dois meses depois, ele se suicidou. A morte levantou especulações, mas ufólogos como Ademar José Gevaerd descartam teorias conspiratórias. Ainda assim, a Operação Prato segue como um dos maiores enigmas da ufologia mundial.
Voo 169 da Vasp (1982)
Na madrugada de 8 de fevereiro de 1982, o comandante Gerson Maciel de Britto pilotava um Boeing 727 da Vasp entre Fortaleza e Rio de Janeiro quando percebeu um objeto luminoso acompanhando a aeronave. A luz mudava de cor — entre branco, laranja, azul e vermelho — e se aproximava perigosamente do avião.
O comandante tentou contato visual usando as luzes da aeronave e chegou a avisar os passageiros pelo sistema de som de bordo. Alguns deles confirmaram o avistamento, descrevendo uma estrutura com pontas e brilho intenso. Em determinado momento, radares chegaram a detectar um sinal próximo à aeronave, embora controladores tenham atribuído o registro a falhas técnicas.
Britto rejeitou a hipótese de que fosse o planeta Vênus ou um fenômeno atmosférico. “O objeto se movimentava para cima e para baixo”, afirmou. O caso nunca foi oficialmente explicado.
Avistamento no Estádio Morenão (1982)
Em 6 de março de 1982, durante uma partida entre Operário e Vasco da Gama, cerca de 23 mil torcedores presenciaram um objeto não identificado pairar sobre o Estádio Morenão, em Campo Grande (MS), por alguns segundos. Jogadores em campo também confirmaram o avistamento.
O ex-atleta Cocada, que participou da partida, descreveu o fenômeno como silencioso e completamente fora do comum. Pessoas fora do estádio relataram um clarão e um zumbido no céu. Apesar do grande número de testemunhas, não há fotos ou vídeos do episódio. Ainda assim, o caso ganhou manchetes nacionais e é considerado o maior avistamento coletivo de OVNIs no Brasil.
A Noite Oficial dos OVNIs (1986)
Em 19 de maio de 1986, radares do Cindacta detectaram dezenas de objetos luminosos sobre os céus de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Paraná. Pilotos civis e militares relataram luzes que se moviam em alta velocidade, mudavam de direção abruptamente e desapareciam subitamente.
A FAB mobilizou cinco caças para interceptação. Nenhum conseguiu se aproximar dos objetos. No dia seguinte, o então ministro da Aeronáutica, Octávio Júlio Moreira Lima, confirmou publicamente os fatos e afirmou que os fenômenos demonstravam inteligência.
Relatórios oficiais confirmaram os registros em radar e os relatos dos pilotos, mas não apontaram a origem dos objetos. Até hoje, o episódio é considerado um dos encontros ufológicos mais bem documentados do mundo.
Caso Antônio Villas Boas (1957)
O fazendeiro Antônio Villas Boas afirmou ter sido abduzido por extraterrestres enquanto trabalhava à noite em sua propriedade, no Triângulo Mineiro. Segundo ele, foi levado para dentro de uma nave, submetido a exames, teve sangue coletado e manteve relações sexuais com uma alienígena.
O caso ganhou repercussão internacional e foi analisado por médicos, incluindo o doutor Olavo Fontes, que confirmou a existência de marcas no corpo do agricultor. Apesar da ausência de provas materiais conclusivas, o relato se tornou um dos primeiros e mais famosos casos de abdução do mundo.
Caso Feira de Santana (1995)
Na madrugada de 12 de janeiro de 1995, moradores relataram a queda de um objeto luminoso em uma fazenda na região de Feira de Santana (BA), seguida de um apagão elétrico que atingiu dezenas de cidades. Um fazendeiro afirmou ter encontrado uma nave metálica e criaturas estranhas, descritas como peludas e de baixa estatura.
Segundo testemunhas, militares recolheram os corpos e o objeto em uma operação sigilosa. O caso ganhou grande repercussão e é considerado um dos mais complexos da ufologia brasileira, com relatos de intimidação a testemunhas e suspeita de envolvimento de autoridades estrangeiras.
Caso Cláudio (2008)
Em novembro de 2008, policiais militares relataram avistamentos de objetos luminosos e encontros com criaturas na zona rural de Cláudio, no Centro-Oeste de Minas. O diferencial do caso é a existência de documentação oficial, incluindo relatórios assinados por sete militares e quatro civis.
Além dos avistamentos, houve registros de falhas em viaturas e relatos posteriores envolvendo os chamados “homens de preto”. Para alguns pesquisadores, trata-se de um dos casos mais robustos da ufologia brasileira recente.
Relatos seguem até hoje
Dados do Arquivo Nacional mostram que, apenas em 2024, pelo menos 26 relatos de OVNIs foram feitos por pilotos e controladores à Aeronáutica. A FAB afirma que apenas cataloga os registros, sem realizar análises técnicas.
Segundo dados do Arquivo Nacional, o Brasil já acumula quase mil registros oficiais de avistamentos de objetos voadores não identificados ao longo de mais de seis décadas. Os documentos reúnem relatos feitos por pilotos comerciais e militares, controladores de voo e testemunhas em solo, catalogados principalmente pelo Comando da Aeronáutica entre 1952 e 2015, com novas atualizações anuais.
Os casos variam de luzes intensas e objetos em alta velocidade a alvos detectados por radar, muitos deles sem explicação conclusiva. A própria Força Aérea Brasileira ressalta que o termo OVNI não implica, necessariamente, origem extraterrestre, mas reconhece que parte significativa dos registros permanece classificada como fenômeno aéreo não identificado, tornando o acervo um dos mais acessados e debatidos do Arquivo Nacional.
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