Houve ET? O que dizem os documentos oficiais sobre o Caso Varginha
Autoridades negam que ser extraterrestre foi visto. Principal hipótese é que as três mulheres confundiram um morador local com criatura desconhecida
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Desde janeiro de 1996, Varginha, no Sul de Minas, passou a ser associada a um episódio de grande repercussão nacional: avistamento de seres desconhecidos, que seriam ETs. Entre as alegações dos ufólogos, está a participação de militares na captura, análise e deslocamento das criaturas, além de um acobertamento sobre a existência dos seres. No entanto, as autoridades negam todas essas teorias.
“Não restou comprovada a existência de qualquer fato que indique a queda de objeto voador não identificado ou a captura de seres extraterrestres“, aponta o Inquérito Policial Militar (IPM nº 18/97), a versão institucional e consolidada.
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O documento afirma que não foram encontrados registros administrativos, operacionais ou técnicos que confirmassem os eventos narrados.
O processo foi instaurado pelo Exército Brasileiro entre 1996 e 1997, após a publicação do livro “Incidente em Varginha”, de Vitório Pacaccini. De acordo com o documento, o IPM queria verificar se houve irregularidades atribuíveis a integrantes do Exército Brasileiro, em especial à Escola de Sargentos das Armas (EsSA), sediada em Três Corações.
Isso porque Pacaccini tinha contato pessoal com alguns membros do local de formação militar, que deram depoimentos a ele, sob sigilo. Além disso, o documento analisou relatos de captura de criaturas, transporte de materiais em viaturas militares, deslocamentos atípicos, participação de bombeiros e envolvimento internacional – todos os temas que eram abordados pela obra do ufólogo.
Mas, no relatório final, o tenente-coronel Lúcio Pereira sintetizou que tudo não passou de “fruto de mentes fantasiosas e carecem de base científica ou testemunhal idônea, tratando-se apenas de suposições infundadas sobre as atividades normais da Escola de Sargentos das Armas”.
‘Equívocos de percepção’
Embora o IPM não tenha sido aberto especificamente para investigar o avistamento das três jovens no Jardim Andere, os documentos analisam o contexto da narrativa apresentada no livro “Incidente em Varginha”. Segundo o processo, a criatura vista pelas irmãs Liliane e Valquíria Silva e a amiga Kátia de Andrade Xavier em 20 de janeiro de 1996 era um morador do local.
"O provável 'ser' avistado no Jardim Andere [...] tratava-se, na verdade, de um cidadão conhecido por 'Mudinho', que apresenta problemas mentais e cuja compleição física, agachado no local, sob chuva e penumbra, coincidia com a descrição das testemunhas”, justificou.
A linha oficial sustenta que relatos de “criaturas estranhas” poderiam ser resultado de equívocos de percepção, sugerindo confusão com um morador local conhecido como “Mudinho”, frequentemente citado como explicação alternativa para a figura observada no terreno baldio.
“Relatos de visualização de criaturas estranhas podem estar associados a equívocos de percepção ou à confusão com pessoas conhecidas da localidade”, pontuou. Os equívocos também foram apontados como a causa para os outros relatos de avistamentos na época.
Atividades militares no período
O IPM analisou a movimentação de viaturas e agentes observada pela população no período e concluiu que não havia qualquer operação sigilosa ou extraordinária envolvendo a estrutura militar. A justificativa é de que se tratava da rotina administrativa, de instrução e manutenção das viaturas.
“As viaturas da EsSA avistadas pela população em horários e locais citados na publicação faziam parte de uma manutenção programada e transporte de material de rotina, não havendo registro de qualquer carga classificada como sigilosa ou desconhecida”, garantiu.
Além de negar qualquer ação de captura e transporte das criaturas, o inquérito também negou alegações de atendimento hospitalar de seres não identificados. “Não houve qualquer registro de entrada de elementos civis ou militares estranhos ao quadro dos referidos hospitais, bem como não houve o isolamento de alas ou dependências para fins de tratamento de seres desconhecidos”, destacou.
Em outro trecho, o Exército afirmou que não foram encontrados laudos e exames nas supostas criaturas. "Inexiste qualquer laudo pericial, necroscópico ou documento técnico, emitido por órgãos oficiais ou médicos militares, que ateste a existência de qualquer espécime biológico não identificados”, esclareceu.
Por fim, o IPM abordou as alegações do envolvimento de autoridades estrangeiras no Caso Varginha, que teriam levado criaturas e suas naves espaciais para análise em solo norte-americano. “Não foram encontrados registros oficiais que indiquem a presença ou atuação de autoridades estrangeiras relacionadas aos fatos investigados”, concluiu.
O IPM nº 18/97 foi concluído ainda em 1997, sob a justificativa de que não foram constatadas irregularidades atribuíveis ao Exército por “falta de provas materiais ou testemunhais idôneas”. Desde então, a posição institucional permanece inalterada.
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