BR-365

MG: Bombeiro que resgatou vítimas de acidente de ônibus detalha salvamento

Seis pessoas morreram depois que o ônibus derrapou e capotou na pista da BR-365, em Patos de Minas, na Região do Triângulo

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Chuva, ventos fortes e corrida contra o tempo marcaram o cenário de resgate dos ocupantes do ônibus de turismo que tombou e capotou na BR-365, no final da manhã de terça-feira (6/1), na altura de Patos de Minas (MG), na Região do Triângulo. Onze pessoas precisaram ser desencarceradas das ferragens, seis delas ainda com vida. Cinco pessoas morreram presas e outra morreu depois de receber atendimento médico.

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Em conversa com o Estado de Minas, o comandante da 1ª Companhia Operacional de Patos de Minas, que faz parte do 12º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, Capitão Cristiano Cavalcante, descreveu que o acidente teve a gravidade amplificada porque, depois de capotar, o ônibus teve a lateral esquerda afundada por árvores de eucalipto à margem da rodovia. “Se o ônibus tivesse só tombado, sem bater nas árvores, teria um número bem menor de pessoas encarceradas”, afirmou. 



O ônibus voltava das festas de réveillon de Salvador (BA) em direção a Uberlândia (MG) e estava com ocupação cheia: 50 passageiros e dois motoristas. Ele não era o veículo destinado à viagem: já substituía um outro que apresentou problemas.

Ao todo, 19 pessoas foram atendidas em estado grave, com traumatismos acentuados, fraturas, lacerações e cortes profundos, e foram levadas ao Hospital Regional Antônio Dias (HRAD). Outras 28 pessoas, incluindo os dois motoristas e quatro crianças, tiveram quadros mais leves, com dores generalizadas, mal-estar e escoriações. Elas foram encaminhadas para atendimento médico na Santa Casa de Misericórdia e na UPA Municipal. Já os corpos das pessoas que morreram passaram por exames de necropsia no Posto Médico-Legal de Patos de Minas, foram identificados e liberados às famílias. 

Sob coordenação dos bombeiros, o salvamento das vítimas foi feito a partir da retirada das vítimas do ônibus em que poderia haver desencarceramento ou retirada de vítimas com fraturas expostas. Na sequência, as vítimas foram colocadas em macas com colares cervicais, tinham os sinais vitais mantidos e eram entregues às equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), de onde partiam para a triagem médica. No entanto, dependendo da gravidade da vítima, era necessária a ação conjunta dos bombeiros e do Samu. Tudo isso embaixo de chuva, por cerca de 5 horas. 

Em casos de acidentes com múltiplas vítimas, a triagem é feita pelo método Start (Simple Triage and Rapid Treatment – triagem simples e tratamento rápido, em tradução livre), que consiste na classificação das vítimas por cores para priorização do atendimento com base nos sintomas e dar destino mais rápido aos hospitais para os pacientes mais graves. 

Desencarceramento 

Segundo o comandante, 11 vítimas estavam presas entre as poltronas e precisaram ser desencarceradas. Três delas, no entanto, já foram encontradas mortas debaixo do ônibus assim que ele foi destombado. 

Muitas das vítimas ficaram presas entre poltronas do ônibus de viagem
Muitas das vítimas ficaram presas entre poltronas do ônibus de viagem Divulgação/Corpo de Bombeiros

O Capitão Cavalcante explicou que a retirada das vítimas foi possível com o uso de ferramentas de expansão e de corte, como tesouras e serra-sabre elétrica que poderiam cortar a lataria ou expansores para abrir o espaço e permitir a saída da vítima. “Caso a vítima estivesse presa na poltrona, poderíamos cortar o pé da poltrona com a ferramenta elétrica serra sabre, expandir a lataria ou cortar a lataria com os desencarceradores e retirá-la de lá”, exemplificou. 

A ação dos bombeiros não se deu apenas no desencarceramento. De acordo com o comandante, muitas pessoas precisaram ser estabilizadas ainda dentro do ônibus e colocadas em macas porque não conseguiam sair por conta própria. “Tinha muita gente com fratura exposta, então a gente as ‘prancha’, controla a hemorragia e retira”, explicou. 

Treinamento

Além das equipes dos bombeiros e do Samu, que juntos somavam cerca de 60 agentes, trabalharam na força-tarefa de resgate a Polícia Militar, Polícia Militar do Meio Ambiente, Defesa Civil, Polícia Civil, além de equipes do Hospital Regional Antônio Dias (HRAD), Santa Casa e UPA de Patos de Minas. Equipes dos hospitais de Lagoa Formosa também atuaram no socorro das vítimas e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a equipe de trânsito de Patos de Minas, Vertran, atuaram no trânsito.

Vítimas foram atendidas no método Start
Vítimas foram atendidas no método Start Divulgação/Corpo de Bombeiros



Todas as pessoas que atuaram na ocorrência estiveram presentes em um simulado de acidente coordenado pelos bombeiros, em 19 de novembro do último ano – menos de 2 meses atrás. “Todos que estavam sabiam os procedimentos. Por coincidência, foi um simulado também de acidente de ônibus, com múltiplas vítimas”, contou o Capitão Cavalcante. 

Ao todo, os trabalhos duraram cerca de 5 horas. Os bombeiros receberam o chamado da ocorrência às 10h20 e terminaram os trabalhos às 15h, com a liberação do ônibus. O veículo passou por perícia e os corpos foram liberados para as funerárias. “Quanto mais rápido, melhor”, comentou.

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Pista molhada e alta velocidade

Chovia forte no momento do acidente, o que pode ter contribuído para que o ônibus derrapasse. No entanto, a alta velocidade em que corria o veículo pode ter amplificado o impacto. De acordo com o comandante do 12º Batalhão, o tacógrafo retirado do ônibus marcava 120 km/h no momento do acidente. A Polícia Civil foi procurada para mais informações sobre a medição da velocidade e afirmou que informações como estas serão “divulgadas em momento oportuno”.

As investigações estão a cargo da Delegacia Adjunta de Trânsito e Acidentes de Veículos. De acordo com a polícia, levantamentos preliminares indicam que o condutor do ônibus não tem o Curso Especializado para Transporte Coletivo de Passageiros (CETCP), que é exigido para motoristas de ônibus e veículos para mais de seis lugares, o que configura irregularidade administrativa. Os dois motoristas que estavam no coletivo passaram por testes de bafômetro e estavam limpos. 

Outro ponto levantado pelo Capitão Cavalcante foi que a pista onde aconteceu o acidente é reta, com o asfalto bom, sem curvas à vista. A polícia instaurou um inquérito que permitirá o esclarecimento das circunstâncias a partir do laudo pericial produzido no local do acidente. As investigações seguem em andamento. 

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