CHUVA EM MINAS

Chuva provoca alagamentos e deixa rastro de estragos em cidades mineiras

Chuva intensa registrada desde o fim de semana provoca alagamentos, quedas de árvores e alerta para elevação de rios em várias regiões do estado

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Uma frente fria que avançou sobre Minas Gerais no sábado (3/1) e ficou estacionada na região central do estado provocou chuvas intensas e persistentes, causando alagamentos, interdições de vias, queda de árvores, danos estruturais e elevação do nível de rios em diversas cidades mineiras.

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O alto volume de chuva está associado à formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), fenômeno que mantém o tempo instável por vários dias. Segundo o meteorologista Ruibran dos Reis, do Climatempo, a combinação entre a frente fria estacionária e o intenso transporte de umidade da Amazônia criou condições para chuvas prolongadas. “A ZCAS funciona como um corredor de umidade em níveis elevados da atmosfera, entre cinco e seis quilômetros de altitude, alimentando continuamente o sistema frontal”, explica.

 

Os modelos de previsão já indicavam acumulados expressivos, principalmente nas regiões Central, Leste e Zona da Mata, cenário que se confirmou ao longo dos últimos dias, com impactos em diferentes municípios.

Estragos em várias cidades

Em Aimorés, no Vale do Rio Doce, o grande volume de chuva provocou alagamentos no centro da cidade, deixando a situação caótica, segundo moradores. A Avenida Raul Soares ficou completamente tomada pela água, transformando-se em um verdadeiro rio. Veículos apresentaram pane mecânica e motoristas enfrentaram dificuldades para trafegar. Moradores disseram que faixas elevadas instaladas recentemente podem ter contribuído para a dificuldade de escoamento da água. 

No Norte de Minas, a chuva atingiu Montes Claros na tarde desta segunda-feira (5/1). Em poucos minutos, ruas ficaram alagadas em vários bairros, houve queda de árvores e o trânsito ficou parcialmente comprometido em algumas vias. Vídeos gravados por moradores mostram o avanço da água e os transtornos enfrentados. Apesar dos danos, não há registro de feridos. 

Já em Muriaé, na Zona da Mata, as chuvas volumosas registradas nas cabeceiras dos rios Muriaé, Glória e Preto elevaram significativamente o nível dos cursos d’água, com acumulados superiores a 100 milímetros em alguns pontos. O Rio Muriaé atingiu cota de atenção, e a Defesa Civil emitiu alerta para moradores de áreas ribeirinhas, com risco de transbordamento. Os bairros Barra, José Cirilo, Santana, Dornelas, Napoleão e Encoberta estão entre os mais vulneráveis. 

Em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, a forte chuva provocou alagamentos na região da Praça da Estação, levando à interdição do mergulhão e ao bloqueio da Avenida Minas Gerais, no sentido bairro. Além disso, uma árvore caiu na Rua Álvaro Reis, no bairro São Pedro, interditando a via e exigindo atuação das equipes municipais.

De acordo com Ruibran dos Reis, a partir de quarta-feira (7/1) , a frente fria começa a perder força, principalmente nas regiões Leste e Nordeste de Minas Gerais. Ainda assim, a instabilidade persiste em parte do estado. “Na quarta-feira, ainda pode chover no Noroeste, Triângulo Mineiro, região Central, Região Metropolitana e Zona da Mata, incluindo áreas como Juiz de Fora e Muriaé, porém com menor intensidade”, afirma. 

Na quinta-feira (8/1) , o sistema enfraquece em todas as regiões, permitindo elevação gradual das temperaturas até o fim de semana. Uma nova frente fria está prevista apenas para meados da próxima semana, mas, segundo o meteorologista, será mais fraca e não deve formar uma nova ZCAS, reduzindo o risco de chuvas persistentes.

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O que fazer em caso de chuva?

  • Não enfrente alagamentos: evite atravessar vias alagadas, mesmo de carro. A força da enxurrada pode ser perigosa, e a água pode esconder bueiros abertos ou buracos.
  • Evite contato com a água: não toque em águas de inundações, pois há risco de contaminação e de choque elétrico.
  • Proteja-se contra raios: não se abrigue debaixo de árvores ou próximo a postes. Durante tempestades desligue aparelhos elétricos para evitar danos causados por descargas.
  • Prevenção em casa: mantenha calhas e ralos limpos para facilitar o escoamento da água da chuva e evite descartar lixo em locais que possam entupir bueiros.
  • Busque ajuda: em situações de emergência, como risco de deslizamento ou desabamento, acione imediatamente a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193).

*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima

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