QUERO É BOTAR MEU BLOCO NA RUA

Carnaval de BH: confira os blocos estreantes de 2025

Com muito axé, pagodão baiano, forró, funk e paródias, blocos inauguram-se pela capital mineira

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Avenidas coloridas, fantasias, foliões por todos os cantos, e ainda há quem diga que até o cheiro da cidade muda quando o Carnaval de Belo Horizonte se aproxima. O clima se instala, e quem antes não fazia parte da festa, agora não perde a touca nem foge da briga, pois quer colocar o bloco na rua.

A reportagem do Estado de Minas conversou com alguns dos cortejos estreantes no Carnaval deste ano – e há opções para todos os gostos. Orquestra do Brega, Trovoada, Salada de Frutas e Afrodite se Quiser: até o Zeca Pagodinho vai querer sair de Xerém para sambar em BH.

Confira os blocos que se estreiam nas ruas da cidade em 2025:

Bloco Trovoada

O DNA do “Bloco Trovoada” é marcado por dois elementos essenciais: a ginga pernalta e o protagonismo feminino. Além disso, seu repertório celebra as raízes brasileiras, com muito axé, samba reggae, marchinhas e funk.

Letícia Grossi conta que o cortejo desfila pela primeira vez este ano, mas a performance das pernas de pau, que, como ela explica, tem origem no movimento circense, é uma presença expressiva na cidade há mais de dois anos.

A ala se forma, e o movimento das pernaltas, que já animavam as ruas em outros blocos, agora assume o protagonismo. Elas ganham, finalmente, um espaço exclusivo. “Sentimos a necessidade de criar um espaço onde as pernaltas pudessem brilhar. É muita criação, expressão e diversão, tudo isso envolto em música, bateria e sopros no estilo fanfarra”, afirma. De acordo com Letícia, a ala de dança contará com mais de 20 pernaltas, e o mesmo número integra a ala de circo, que permanece toda sobre as pernas de pau. “Bonito e diferente”, ela descreve.

Bloco Trovoada

Bloco Trovoada

Arquivo Pessoal

“Fizemos o cortejo número zero para testar a energia, e foi uma loucura. Choveu, era um sábado, havia menos pessoas, mas nos divertimos horrores. Para um bloco iniciante, estamos muito satisfeitas com o que vem sendo construído”, ressaltou, destacando sua animação pelo bloco, que é praticamente nas alturas. “Um bloco voador! Andar com a perna de pau exige muita confiança e coragem, é preciso se jogar.”

Quando: 16 de fevereiro, concentração às 14h 

Onde: Praça Santa Rita no Bairro Esplanada, seguindo a Av. 7 de Abril

Instagram: www.instagram.com/blocotrovoada

Bloco Judia de mim

“Judia de mim, judia. Se eu não sou merecedor desse amor”, é o que canta Zeca Pagodinho na música que dá nome ao bloco criado por Pablo Campos e Liliane Pelegrini. O cortejo nasce das amizades, segundo eles, “a galera que toca e um bando de amigos” que se uniram para fazer o bloco acontecer. E o repertório é fácil de deduzir: vai ser “só Zeca”, como destacou Pablo, que assina a direção musical. “É um repertório gigantesco e variado, sem cair no marasmo ou monotonia. É um passeio pela história do samba com o Zeca, um ícone da boa vida.” Eles também mencionaram a admirável relação que o cantor tem com seu bairro, Xerém, em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro.

Liliane destaca que há uma identificação com o sambista para além da música. O bloco é, como explicaram, “100% paradinho” e ocorrerá em uma praça do Bairro Bonfim, na Lagoinha, território que consagrou a boemia e o samba belo-horizontino. Segundo Liliane, o bloco também faz parte de uma vontade de criar algo na região onde mora há 20 anos, além de chamar a atenção para a história do local.

Bloco Judia de Mim

Bloco Judia de Mim

Divulgação

Eles afirmam que o “Bloco Judia de Mim” é um convite para ouvir, cantar junto e dançar no clima de carnaval, quase como em uma roda de samba. “Amamos carnaval, mas é desgastante o crossfit pela cidade, então decidimos criar algo para curtir sem nos desafiarmos fisicamente. O folião cansado encontra seu lugar aqui, camarão paradinho”, finaliza Liliane.

Quando: 22 de fevereiro às 16h

Onde: Praça XV - Bairro Bonfim

Instagram: www.instagram.com/blocojudiademim


Bloco Dedão Pé de Serra: Unidos do Paiol e Pinga 

Este é para quem ama carnaval, mas não abre mão de um bom forró. O "Unidos do Paiol e Pinga" decidiu criar arranjos mais elaborados para o estilo musical, e assim surgiu o "Bloco Dedão Pé de Serra". Ana Carolina Queiroz conta que ela e mais cinco amigos, que já faziam parte de outras fanfarras, começaram a tocar forró em feiras e festas de bairro, principalmente no Santa Inês.

“O bloco ainda é novo, planejamos um ataque surpresa no meio do carnaval”, ela diz, explicando que vão aparecer em um local específico de Belo Horizonte e revelar o repertório. Portanto, ainda não há data nem local definidos. O bloco toca "basicamente forró", mas dividido em arrasta-pé, baião, xote e piseiro. La Belle de Jour, Espumas ao Vento, Que Nem Jiló e Sanfona Sentida são alguns dos arranjos reescritos pelo grupo, que, segundo Ana Carolina, é bem eclético, atendendo tanto aos forrozeiros raiz quanto aos que preferem uma "coisa mais atual".

Bloco Dedão Pé de Serra: Unidos do Paiol e Pinga

Bloco Dedão Pé de Serra: Unidos do Paiol e Pinga

Arquivo Pessoal

Ela também conta que o “povo fica doido” quando começam a tocar, especialmente pela combinação de bateria e sopro com os elementos do forró. A zabumba se mistura ao triângulo, e o coquinho conquista o público. Ana lembra, inclusive, de uma vez em que estavam tocando e um homem se emocionou ao som de Luiz Gonzaga.

Instagram: www.instagram.com/dedaodeserra


Bloco ZagaTeile

Ana Carolina não se contentou e decidiu se envolver em outro bloco estreante. O "Bloco ZagaTeile" ainda não tem um local exato definido, mas, segundo a integrante, está previsto para sair no dia 8 de março, na Região Leste da cidade, no Bairro Floresta, e descer até a Praça da Estação.

O bloco surgiu da mesma raiz do Dedão Pé de Serra: os colegas de fanfarra dos "Estagiários Brass Band", que, segundo eles, é a "genitora" dos sopristas na capital.

Bloco ZagaTeile

Bloco ZagaTeile

Arquivo pessoal

Ana Carolina conta que, inicialmente, foi o amigo Danilo Tedeschi quem deu a ideia de criar um bloco dominado pelo “axé e o pagodão baiano”. Ela decidiu então chamar outras pessoas, sopristas e uma regente de bateria, para construir um bloco com muitas músicas nostálgicas dos anos 1990, sem deixar de se envolver também com os hits atuais.

Quando: 8 de março

Instagram: www.instagram.com/blocozagateile

Bloco Salada de Frutas

Uma inquietação no último carnaval deu início ao “Bloco Salada de Frutas”, como relatou Iale Máximo, que decidiu criar o cortejo. “Sempre me envolvi no carnaval como coordenador de aulas de dança, além de frequentar muito”, contou. Ele afirma que há uma certa dificuldade em fazer a dança se inserir e se comunicar com uma bateria grande, por mais que esteja presente. Pensando nesse espaço e no incentivo de amigos e colegas, o bloco nasceu.

"Ele não está falando sobre frutas, é sobre gente, formas de se manifestar e como levar isso para um palco democratico como o carnaval. Pois cada fruta tem seu gosto, forma, cor, potência de sabor"

"Ele não está falando sobre frutas, é sobre gente, formas de se manifestar e como levar isso para um palco democratico como o carnaval. Pois cada fruta tem seu gosto, forma, cor, potência de sabor"

Acervo Pessoal

Quanto ao nome, ele explica que foi a irmã, mestranda em gênero e diversidade, quem sugeriu. “A temática é a diversidade: a mistura de gêneros musicais, de corpos, de idades, e tudo isso se movimentando enquanto expressão artística”. Segundo ele, o nome teve um impacto muito forte e revela que, ao longo de sua vida, ouviu de forma pejorativa que era uma “frutinha” por ser parte da comunidade LGBTQUIA+. “Ouvi de todos que eu era uma fruta; ressignificar isso, pensando naquele menino de 12 anos, é muito importante. Saber que posso trazer essa história para outro lugar”, conclui.

Bloco Salada de Frutas

Bloco Salada de Frutas

Acervo pessoal

“Ele não está falando sobre frutas, mas sobre pessoas, formas de se manifestar e como levar isso para um palco democrático como o carnaval. Cada fruta tem seu gosto, forma, cor, potência de sabor. São individualmente incríveis, mas, somadas, se tornam algo muito maior”, completa. Sobre o repertório, ele diz que resgata músicas nostálgicas da infância, de grupos como É o Tchan, Terra Samba, Rouge, ou ainda da cantora Kelly Key. “Agora, como adultos, podemos vivenciar tudo isso com mais maturidade e consciência.”

Quando: 23 de fevereiro, concentração às 14h

Onde: Concentração na Praça Zamenhof, seguindo a Assis Chateaubriand e dispersão próxima ao viaduto Santa Tereza.

Instagram: http://www.instagram.com/bloco.salada.de.frutas

Bloco Orquestra Carnavalesca do Brega

O bloco da Orquestra Mineira de Brega, que existe há 15 anos, traz a essência do brega, mas promete reviver aquelas músicas que fazem parte do nosso HD afetivo, uma mistura de tudo. A proposta do repertório, como afirmou a drag queen e vocalista da banda, Bella Lapierre, é “carnavalizar os clássicos”, de Gretchen e Sidney Magal a Evidências.

“A orquestra nasceu caminhando junto com a folia de BH, e parte do show tem aquele clima de carnaval, com muitas músicas de axé dos anos 1990”, conta Bella. “O pessoal começou com essa vontade, sempre perguntando: ‘Quando vai ter bloco?’ e estamos há alguns anos tentando.”

Bloco Orquestra Carnavalesca do Brega

Bloco Orquestra Carnavalesca do Brega

Paulo Colen

Ela diz que todo o processo é bem burocrático. “Antes de saber se vamos conseguir o patrocínio, precisamos fazer o cadastro. É necessário ter uma mínima estrutura financeira para o trio, e ainda estamos correndo atrás dos meios, entendendo tudo isso para viabilizar o dia e o local.”

Instagram: www.instagram.com/orquestramineiradebrega

Bloco Hahaha

Com 12 anos de atuação e levando as principais festas populares para dentro de hospitais pela cidade, o Instituto Hahaha decidiu ir para a rua com o bloco de mesmo nome e o tema “A alegria cura”, uma paródia da música “Eu quero é botar meu bloco na rua”. “Sempre foi uma festa muito bonita”, diz Fernando Oliveira, mais conhecido como Dr. Mulambo, artista e palhaço que coordena o projeto de cortejos.

Ele comenta que, em geral, as pessoas não têm acesso ao trabalho realizado anualmente nos hospitais e que colocar o bloco na rua é, na verdade, mostrar um pouco do histórico dessa iniciativa que diverte tantas crianças. “A gente vai pegar toda a energia do carnaval e trazer para dentro dos hospitais, pegar a festa e trazer para as crianças. Estamos muito felizes e esperamos que vire tradição”, ele torce.

O bloco vai sair do Instituto Estrela do Sul explorando diversos ritmos, como funk, axé e arrocha. Vai dar uma volta pela praça Santa Tereza e descer a Rua Mármore, que definiram como a “rua das paródias”, local onde haverá pequenas performances musicais e teatrais. Por fim, finalizará de volta na sede com um concurso de paródias, em que o público escolherá o vencedor.

Bloco Hahaha

Bloco Hahaha

Divulgação/Instituto Hahaha

De acordo com Fernando, é um cortejo que não tem idade, mas que tem um cuidado e carinho especiais para ser interessante, principalmente para as crianças, com muito circo e palhaçaria. “Pode vir mãe, tia, avó, todo mundo! Mas, principalmente, crianças”.

Quando: 15 de fevereiro, concentração às 9h

Onde: Rua Estrela do Sul, 126

Instagram: www.instagram.com/institutohahaha

Bloco Afrodite se Quiser 

Amanda Guimarães é produtora do bloco Putz Grila, mas também “rata de bloco”, como se descreve, e, desde 2010, sonha em lançar outro bloco no carnaval. Em uma reunião com amigos produtores, o cortejo tomou forma em meio a afirmações como: “Amanda, você tem que ter o seu bloco”.

Ela conta que, para o bloco surgir, foi muita união e ajuda entre sua turma de amigos e produtores. "Ele nasceu pela torcida". Então, decidiu trazer a deusa da beleza, amor e sensualidade para o bloco, que brinca com o nome de um programa da década de 1980.

O tema se prende ao nascimento de estrelas, segundo ela, porque, para além do bloco, também planeja lançar novas cantoras por meio desse espaço. O formato do bloco de carnaval será de banda em cima do trio, sem bateria de chão. Ela comenta que a busca por apoio financeiro e captação de recursos é uma das maiores dificuldades, mas que “o máximo do mínimo” será feito. “Nem na academia a gente sente o que temos no carnaval. Uma adrenalina sobe o corpo quando o trio grita: ‘Vão bora! Vamo tocar’”.

Quando: 22 de fevereiro, concentração às 14h

Onde: Rua Sergipe, 884

Instagram: www.instagram.com/blocoafroditesequiser

Tô de Chico

Barbara Alves é cantora e sempre esteve presente no carnaval, mas, como ela mesma afirmou, nunca teve muito tempo devido ao trabalho. Agora, aposentada, está “feliz da vida por entrar nessa onda”. Ela conta que o bloco “Tô de Chico” surgiu em homenagem ao Bar do Chico, que foi descoberto por ela e outros amigos na rua Conselheiro Rocha, no Bairro Santa Tereza. “Virou um palco cultural, com muito chorinho, samba e forró”, ela diz.

O bar foi adotado por eles e, conversando com a filha do próprio Chico, dono do bar, decidiram que precisavam consagrar o lugar no carnaval. O nome surgiu pela brincadeira de dizer “tô no Chico” e se enlaçou à expressão que significa estar menstruada. Ela conta que, nos próximos anos, pretendem construir toda uma narrativa para o bloco e chamar atenção para o assunto.

Enquanto isso, neste primeiro cortejo, o tema se baseia nos Chicos que compõem a playlist dos brasileiros, como Chico Buarque, Chico César ou Chico Science, além de muito axé, MPB, forró e marchinhas de carnaval.

Bloco Tô de Chico

Bloco Tô de Chico

Acervo Pessoal

“As pessoas estão chegando naturalmente para o bloco, que vai acontecer na praça em frente ao bar. Essa construção está sendo muito gostosa e interessante”, afirma.

Quando: 16 de fevereiro, concentração à 13h30

Onde: Conselheiro Rocha, 1605 - Santa Tereza

Instagram: www.instagram.com/blocotodechico

 

Bloco Arrastão de Belô

Felipe Martins, coordenador do “Bloco Tamborins Tantãs”, foi o responsável por dar vida ao recém-criado “Bloco Arrastão de Belô”. Ele explica que o bloco surgiu da vontade de criar um carnaval para todos, sendo uma fuga para muitos.

Felipe conta que, em um café com amigos, uma semana antes do período de cadastro de blocos da PBH abrir, a ideia ganhou força. Os amigos não acreditaram quando ele ligou e disse que já havia feito o cadastro, e ainda por cima, numa quarta-feira de cinzas.

“A ideia é que seja um encontro de amigos, com amigos se apresentando, coroando o carnaval”, diz ele. Segundo Felipe, o bloco busca ser um arrastão para os trabalhadores do carnaval, onde todos — amigos, produtores, seguranças e ambulantes — possam se reunir e curtir a folia como foliões. O repertório é eclético, com samba, pop e rock, mas com predominância do axé.

Quando: 5 de março, concentração às 9h

Onde: Avenida Getúlio Vargas, 840

Instagram: www.instagram.com/blocoarrastaodebelo

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Bloco do Djonga

Outro nome tem ganhado destaque quando o assunto é a estreia no carnaval de Belo Horizonte: Djonga, frequentador assíduo da folia da cidade. Desde o ano passado, a expectativa por um bloco do cantor, reconhecido nacionalmente na cena do rap, tem conquistado o coração dos belo-horizontinos. O “Bloco do Djonga” está na lista oficial da PBH de novos blocos deste ano. A assessoria do artista foi procurada, mas optou por não revelar detalhes sobre o cortejo.

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