Por que ferver beterraba em água reduz seu valor nutricional e quais são as melhores formas de preparo
Ferver a beterraba liga-se diretamente à perda de nutrientes importantes. Em especial, vitaminas hidrossolúveis e compostos antioxidantes que se dissolvem na água durante a fervura. Saiba mais!
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Entre os vegetais mais presentes na mesa dos brasileiros, a beterraba destaca-se pela cor intensa e pelo teor de ferro, mas nem sempre há referências à maneira como é preparada. Em muitas casas, o hábito ainda é cozinhar o legume em bastante água, em panela aberta e por longos minutos. Esse costume, aparentemente inofensivo, liga-se diretamente à perda de nutrientes importantes. Em especial, vitaminas hidrossolúveis e compostos antioxidantes que se dissolvem na água durante a fervura.
Pesquisas em nutrição apontam que o modo de preparo pode alterar significativamente o valor nutricional da beterraba. Afinal, a intensidade da temperatura, o tempo de cozimento e o contato direto com a água influenciam o quanto de haverá de preservação de vitaminas, minerais e antioxidantes. Por isso, além de escolher uma beterraba fresca, o método de cocção é um ponto central para quem busca aproveitar melhor os benefícios desse alimento.
Por que ferver beterraba em água reduz nutrientes?
A palavra-chave nesse processo é solubilidade. Afinal, a beterraba é rica em vitaminas do complexo B e vitamina C, que são hidrossolúveis, ou seja, solúveis em água. Assim, quando se ferve o legume em grande quantidade de líquido, essas substâncias tendem a se desprender dos tecidos vegetais e migrar para a água do cozimento. Se há descarte dessa água, parte relevante do valor nutricional vai junto para o ralo.
Além das vitaminas hidrossolúveis, a beterraba contém compostos antioxidantes como betalaínas e polifenóis. Assim, estudos indicam que esses antioxidantes são sensíveis ao calor prolongado e ao contato direto com água quente, o que favorece tanto a sua degradação quanto a sua difusão para o meio líquido. Quanto maior o tempo de fervura e quanto menor a superfície de contato preservada (por exemplo, quando corta-se o legume em pedaços muito pequenos), maior a perda desses elementos.
Outro ponto é a pressão que a alta temperatura exerce sobre as paredes celulares do alimento. Durante a fervura, a estrutura da beterraba se rompe gradualmente, liberando pigmentos, minerais e fitoquímicos na água. Esse fenômeno é observado de forma visível pelo tom avermelhado que o líquido de cozimento adquire. O que muitas pessoas interpretam apenas como cor é, na prática, um indicativo da saída de compostos valiosos do alimento sólido.
Como preservar vitaminas hidrossolúveis e antioxidantes da beterraba?
Diferenças no preparo podem fazer com que a mesma beterraba ofereça mais ou menos nutrientes ao prato. Assim, métodos que reduzem o contato direto com a água, o tempo de cocção e a fragmentação do alimento tendem a ser mais favoráveis. Por isso, algumas estratégias simples vêm sendo apontadas em pesquisas e diretrizes de nutrição como formas eficazes de preservar vitaminas hidrossolúveis e antioxidantes.
- Manter a casca sempre que possível: a casca funciona como uma barreira física, reduzindo a perda de nutrientes durante o aquecimento.
- Evitar cortes muito pequenos: pedaços grandes ou a beterraba inteira diminuem a área de contato com a água e o ar quente.
- Reduzir o tempo de cozimento: calor por menos tempo causa menor degradação de vitaminas sensíveis.
- Usar pouca água ou reaproveitá-la:
A literatura científica também destaca que métodos como o cozimento no vapor e o assamento costumam preservar melhor compostos antioxidantes em comparação à fervura tradicional. Isso se relaciona não só ao menor contato com a água, mas também à formação de um ambiente de aquecimento mais suave em termos de lixiviação de nutrientes.
Quais são as melhores formas de preparo da beterraba?
Entre as formas de preparo mais citadas em estudos para preservar o valor nutricional, três se destacam: beterraba crua, cozida no vapor e assada. Assim, cada uma delas tem características específicas que podem ser adaptadas à rotina alimentar, sem exigir técnicas complexas.
- Beterraba crua
Consumir a beterraba crua, ralada ou em lâminas, preserva ao máximo vitaminas hidrossolúveis e antioxidantes, já que não há exposição ao calor. Nessa forma, o alimento mantém também sua textura mais firme e uma concentração maior de compostos bioativos. É recomendável lavar bem e, quando adequado, higienizar com solução apropriada antes do consumo. - Beterraba no vapor
O cozimento a vapor é apontado como uma das alternativas mais interessantes para manter nutrientes. A beterraba é aquecida indiretamente, sem ficar submersa em água. Assim, há menor lixiviação de vitaminas e antioxidantes. Pedaços médios, cozidos até ficarem apenas macios, tendem a equilibrar palatabilidade e preservação nutricional. - Beterraba assada
Assar a beterraba inteira ou em pedaços grandes, envolta em papel alumínio ou em refratário com tampa, concentra sabores e, em geral, preserva boa parte dos compostos antioxidantes. A ausência de água abundante reduz perdas por dissolução. É importante controlar a temperatura do forno e o tempo de assamento para evitar ressecamento excessivo.
Como aproveitar melhor a beterraba no dia a dia?
No cotidiano, pequenas mudanças de hábito podem aumentar o aproveitamento das propriedades da beterraba sem alterar radicalmente a rotina alimentar. Dessa forma, uma delas é alternar modos de preparo ao longo da semana, combinando saladas cruas, preparações no vapor e versões assadas, o que ajuda a garantir variedade de textura e de nutrientes consumidos.
Outra prática simples é evitar descartar a água do cozimento quando a fervura for utilizada. Assim, esse líquido pode ser incorporado a caldos, sopas, purês e até a preparações de arroz, agregando cor e parte dos nutrientes que migraram para a água. Ademais, também se recomenda cozinhar a beterraba com casca e cortá-la apenas depois do preparo, reduzindo a área exposta à água quente.
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Para quem utiliza sucos, é comum combinar beterraba crua com frutas cítricas ou outros vegetais. Nesses casos, o processamento a frio preserva vitaminas hidrossolúveis e antioxidantes, desde que o consumo seja feito em curto intervalo de tempo após o preparo, limitando a exposição à luz e ao oxigênio. Dessa maneira, a beterraba deixa de ser apenas um acompanhamento colorido e passa a ser um aliado consistente na alimentação diária, quando preparada de forma a minimizar perdas nutricionais.