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Mais de 600 pedras gravadas há 4.900 anos podem ter sido depositadas juntas depois que uma erupção escondeu o Sol

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
19/09/2026
Em Entretenimento
As peças mostram que diferentes materiais já eram aproveitados para produzir ferramentas - Imagem ilustrativa

As peças mostram que diferentes materiais já eram aproveitados para produzir ferramentas - Imagem ilustrativa

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Escavações em Vasagård West, no sul de Bornholm, reuniram 614 placas e fragmentos gravados, datados de cerca de 2.900 a.C.↓ Ver no artigo
As pedras exibem raios, plantas e campos; foram achadas em valas rituais com restos de refeições, cerâmica quebrada e objetos de sílex.↓ Ver no artigo
Núcleos de gelo registram sulfato de uma grande erupção perto de 2.900 a.C., enquanto madeira indica frio e crescimento ruim na mesma época.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Mais de 600 placas
As escavações em Vasagård reuniram centenas de pedras inteiras e fragmentadas com desenhos de raios, plantas e campos.
Bornholm
02
Sol ficou mais fraco
Registros de gelo e madeira apontam para uma forte erupção e resfriamento perto da época em que as pedras foram depositadas.
Por volta de 2900 a.C.
03
Hipótese ritual
Os pesquisadores relacionam o depósito coletivo a uma resposta ao clima, embora não seja possível provar a intenção das pessoas que participaram.
Interpretação

Em Bornholm, ilha dinamarquesa, centenas de placas arqueológicas gravadas foram reunidas cerca de 2.900 a.C. As pedras do Sol, com raios e campos, coincidem com evidências de fortíssima erupção vulcânica que reduziu a luz solar e resfriou o norte europeu. O conjunto veio de antiquíssimas valas rituais.

Onde apareceram as mais de 600 pedras gravadas?

O conjunto veio principalmente de Vasagård, um sítio neolítico no sul de Bornholm, ilha dinamarquesa no mar Báltico. As escavações localizaram placas em valas de um recinto e também em estruturas construídas no mesmo período.

O estudo contou 614 placas e fragmentos trabalhados em Vasagård West. Muitas receberam linhas, motivos solares ou formas ligadas a plantas e campos, detalhe que levou os arqueólogos a chamar parte delas de pedras do Sol.

A concentração de tantas peças em um mesmo lugar levanta perguntas sobre o motivo de terem sido reunidas – Imagem ilustrativa

Por que uma erupção entrou na explicação desse depósito?

O artigo acadêmico Sun stones and the darkened sun reuniu a cronologia arqueológica com registros climáticos. Núcleos de gelo mostram sulfato de uma grande erupção perto de 2.900 a.C., período muito próximo ao depósito das pedras.

Esse tipo de erupção pode lançar partículas na atmosfera e reduzir a radiação solar. Anéis de árvores também registram episódios de frio próximos à mesma época, criando um cenário no qual menos luz e colheitas piores seriam problemas concretos para comunidades agrícolas.

Como essas pedras podem ter sido usadas em rituais?

As placas foram colocadas em valas de um recinto junto a restos de refeições rituais, cerâmica quebrada e objetos de sílex. Depois, essas valas foram fechadas, o que sugere uma deposição planejada em vez de descarte doméstico espalhado ao longo do tempo.

Os pesquisadores propõem que as pedras poderiam pedir o retorno do Sol e das colheitas, ou agradecer quando a situação melhorou. Essa leitura combina a imagem gravada, a concentração dos objetos e o episódio climático, porém continua sendo uma hipótese sobre intenção.

A seguir listamos 4 pistas usadas na interpretação que aproximam o depósito de um ritual ligado ao Sol:

  • Motivos solares: várias placas apresentam raios ou formas interpretadas como representações do Sol.
  • Motivos agrícolas: outras pedras trazem padrões associados a plantas e campos cultivados.
  • Depósito concentrado: centenas de peças foram colocadas em um intervalo curto e em contextos específicos.
  • Crise climática: sinais de erupção, frio e menor radiação solar aparecem perto da mesma data.

Leia também: Artefato de resina com até 55 mil anos é o mais antigo feito de planta fora da África e indica uma rota esquecida até o Pacífico

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Uma grande erupção pode ter alterado o ambiente e influenciado o comportamento das pessoas daquela época – Imagem ilustrativa

Quais dados ligam a erupção ao período das pedras?

A relação depende da sobreposição de cronologias. As pedras se concentram perto de 2.900 a.C., enquanto gelo da Groenlândia e da Antártida registra sulfato de grandes erupções em uma faixa compatível. A madeira fóssil também mostra anos de crescimento ruim e geadas.

Essa convergência fortalece a hipótese de que um céu escurecido e frio afetou o cotidiano. Ainda assim, os dados climáticos explicam o ambiente, não a intenção individual de quem depositou cada pedra, ponto que precisa permanecer separado da evidência material.

A seguir listamos 3 conjuntos de evidências que ajudam a organizar o que é dado e o que é interpretação:

Logo EM Foco
DADOS EM FOCO
Evidências das pedras do Sol
Tipos de evidência, achados e leitura possível sobre as pedras do Sol
Evidência Achado Leitura possível
Arqueologia Mais de 600 placas gravadas Depósito coletivo e breve
Clima Sulfato em núcleos de gelo Grande erupção próxima
Iconografia Sol, plantas e campos Ligação simbólica com fertilidade

O depósito prova que a erupção motivou o ritual?

Não é possível transformar a coincidência em certeza sobre o motivo. Não há textos neolíticos explicando a cerimônia, e uma imagem do Sol pode carregar sentidos diferentes. A força da hipótese vem da combinação entre data, contexto ritual, desenhos e sinais climáticos independentes.

Por isso, a descoberta é mais interessante quando mantém essa diferença clara: há evidência forte da crise climática e do depósito concentrado, enquanto a tentativa de trazer o Sol de volta é uma interpretação plausível. As pedras preservam o gesto, mesmo quando a intenção completa se perdeu.

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Tags: arqueologiaBornholmNeolíticoVulcão

Comentários 4

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