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Artefato de resina com até 55 mil anos é o mais antigo feito de planta fora da África e indica uma rota esquecida até o Pacífico

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
17/09/2026
Em Curiosidades
A pequena peça ajuda a reconstruir caminhos humanos percorridos dezenas de milhares de anos atrás

A pequena peça ajuda a reconstruir caminhos humanos percorridos dezenas de milhares de anos atrás

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Artefato retangular de resina foi encontrado na caverna de Mololo, na ilha de Waigeo, em Raja Ampat.↓ Ver no artigo
Datação por radiocarbono indica que a peça tem entre mais de 55 mil e cerca de 50 mil anos.↓ Ver no artigo
O objeto é o artefato vegetal mais antigo conhecido feito por humanos fora da África.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Resina virou artefato
A peça retangular foi moldada em várias etapas, com raspagens e fraturas que mostram processamento intencional de uma resina vegetal.
55 mil anos
02
Recorde fora da África
A datação direta colocou o objeto entre aproximadamente 55 mil e 50 mil anos, tornando-o o artefato vegetal mais antigo conhecido fora da África.
Novo recorde
03
Rota do norte ganha força
A ocupação de Waigeo reforça a possibilidade de grupos humanos terem avançado pelo corredor setentrional de ilhas rumo à região de Sahul.
Migração

Uma peça retangular endurecida numa caverna preservou uma evidência rara sobre antigas viagens humanas. O artefato de resina de até 55 mil anos, achado em Waigeo, é o objeto vegetal mais antigo conhecido feito por nossa espécie fora da África e reforça uma rota setentrional pelas ilhas até o Pacífico.

Como uma pequena peça de resina mudou a leitura sobre as primeiras viagens pelo Pacífico?

Na região de Raja Ampat, arqueólogos escavaram a caverna de Mololo, na ilha de Waigeo. Entre os vestígios apareceu uma peça retangular de resina, diferente das formas naturais globulares, com sinais de raspagem e fraturas produzidas depois do endurecimento.

A peça mede poucos centímetros, mas seu contexto é decisivo. A datação por radiocarbono colocou o material entre mais de 55 mil e cerca de 50 mil anos. Isso transforma um objeto discreto numa evidência direta de processamento complexo de plantas durante uma fase antiga da expansão pelo Pacífico.

Materiais vegetais raramente sobrevivem por tanto tempo, o que torna a preservação especialmente importante

Por que esse artefato vegetal é considerado um recorde fora da África?

O estudo publicado na revista Antiquity identificou o material como resina de uma árvore ou arbusto com flores. A análise microscópica mostrou uma sequência de produção em várias etapas, incluindo coleta, endurecimento, raspagem e quebra controlada.

A função exata continua aberta. A resina pode ter servido como combustível, adesivo ou outro material, mas o uso final não foi preservado. Os dados mostram com mais segurança o manejo intencional de um recurso vegetal por grupos capazes de explorar floresta tropical e ambiente insular.

O que a descoberta revela sobre a rota humana pelo norte das ilhas?

Waigeo ficava numa posição estratégica entre ilhas do Sudeste Asiático e a massa continental de Sahul. Modelos de navegação indicam que travessias marítimas eram viáveis por esse corredor, enquanto a arqueologia de Mololo oferece uma data direta para presença humana na região antes de 50 mil anos.

Isso não prova que todos os primeiros habitantes da Austrália seguiram o mesmo caminho. A descoberta mostra que a rota setentrional estava sendo usada muito cedo e que pequenas ilhas tropicais funcionaram como pontos de passagem, adaptação e obtenção de recursos durante movimentos humanos de longa distância.

A seguir listamos quatro pistas deixadas em Mololo que ajudam a entender como essa população lidava com um ambiente insular há dezenas de milhares de anos:

  • Resina moldada: indica processamento intencional de matéria-prima vegetal.
  • Datação direta: coloca a peça entre mais de 55 mil e cerca de 50 mil anos.
  • Navegação: simulações mostram que a passagem entre ilhas era possível com embarcações simples.
  • Recursos locais: ossos animais e vegetação explorada mostram adaptação à floresta tropical.

Leia também: Marca de mão de 4.000 anos é descoberta na parte de baixo de uma casa de argila e registra o toque do artesão antes de a peça secar

O achado amplia o que se sabe sobre o uso de plantas na fabricação de objetos antigos

Por que a resina é importante se ainda não sabemos exatamente para que ela servia?

Arqueologia orgânica raramente sobrevive por períodos tão longos. Madeira, fibras e resinas costumam desaparecer, enquanto pedra e osso resistem melhor. Por isso, um objeto vegetal preservado altera o quadro tecnológico: ele lembra que boa parte das ferramentas antigas pode ter sido feita de materiais que não chegaram até o presente.

A própria ausência de ferramentas de pedra claramente produzidas nas camadas mais antigas de Mololo reforça essa possibilidade. Tecnologia não significa apenas pedra lascada. Materiais de floresta poderiam atender a tarefas cotidianas, construção, fogo ou composição de ferramentas, mesmo que a maior parte dessas peças tenha se perdido.

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A seguir listamos quatro aspectos do artefato de resina que separam aquilo que foi observado diretamente das interpretações ainda abertas sobre seu uso:

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DADOS EM FOCO
O que sabemos sobre a resina de Mololo
Diferenças entre os dados observados no artefato e as hipóteses sobre sua função original.
Evidência O que mostra Limite
Forma retangular Moldagem humana Função incerta
Raspagens Processamento Ferramenta desconhecida
Datação 55 a 50 mil anos Faixa calibrada
Composição Resina vegetal Espécie não fechada

O que esse achado muda na imagem dos primeiros grupos que chegaram ao Pacífico?

A imagem deixa de ser apenas a de navegadores atravessando água aberta. Em Mololo, eles aparecem como pessoas que conheciam plantas, florestas e técnicas de processamento. Essa combinação de mobilidade marítima e adaptação terrestre ajuda a explicar como grupos humanos puderam ocupar uma sequência de ilhas muito diferentes entre si.

O artefato de resina de até 55 mil anos não entrega sozinho toda a rota da migração, mas adiciona uma peça rara ao quebra-cabeça. Ele mostra que o norte do Pacífico já era percorrido e explorado muito cedo, com soluções tecnológicas que provavelmente dependiam tanto da floresta quanto do mar.

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Tags: arqueologiaMigraçãoPacíficoresina

Comentários 5

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