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O aposentado de 62 anos passeava com o neto na calçada quando 1 cão sem coleira avançou, protegeu a criança com o próprio braço, viu a ferida piorar em 5 dias, e só então reuniu, entre o Código Civil e o SAMU, as provas que a conversa na rua não tinha guardado

João Victor Por João Victor
05/08/2026
Em Notícias
Homem idoso estende o braço de forma protetora diante de um menino com mochila na calçada, enquanto uma mulher tenta conter um cão próximo ao portão aberto de uma casa.

Avô protege o neto na calçada diante da aproximação de um cão junto ao portão de uma residência, em uma cena que remete a acidente, responsabilidade civil e necessidade de reunir provas. Imagen generada por IA.

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EM RESUMO
✓O Art. 936 do Código Civil prevê a responsabilidade objetiva do tutor por danos provocados por animais soltos.
✓A alegação de que o animal “nunca atacou antes” não isenta o proprietário do dever de ressarcimento de custos médicos.
✓A elaboração imediata do Boletim de Ocorrência formaliza a falta de contenção e identifica o tutor responsável.
✓O prontuário médico de urgência comprova o nexo causal e orienta esquemas vacinais contra raiva e tétano.
✓Comprovantes de farmácia, recibos de consultas e fotografias da evolução da lesão fundamentam o pedido de ressarcimento.

Toda tarde era a mesma coisa: Almir, aposentado de 62 anos, buscava o neto na escola e os 2 seguiam a pé até em casa, sempre pelo mesmo trajeto de calçada, parando às vezes numa padaria no caminho. Fazia parte da rotina havia mais de 1 ano, sem incidentes, sem pressa, apenas o hábito de conversar sobre o dia enquanto caminhavam. O trajeto passava por 3 casas com quintal, e em nenhuma delas Almir jamais tinha visto motivo para atravessar a rua ou mudar o caminho de sempre.

Naquela tarde, um cão saiu correndo de um portão aberto, sem coleira, e avançou na direção da criança. Almir reagiu no mesmo instante, colocando o próprio braço entre o animal e o neto, e levou a mordida que poderia ter sido no menino. O tutor do cão apareceu segundos depois, visivelmente assustado, prendeu o animal e repetiu várias vezes que ele “nunca tinha feito aquilo antes”. Almir aceitou a explicação ali mesmo, pediu apenas que o ferimento fosse limpo em casa e seguiu o caminho, achando que uma conversa cordial já resolvia o ocorrido. O neto, assustado mas ileso, segurou a mão do avô pelo resto do trajeto, e os 2 chegaram em casa comentando o susto como se já fosse página virada.

Nos 5 dias seguintes, o corte no braço não melhorou como esperado, e Almir procurou atendimento médico para avaliar a ferida. Tentou contato com o tutor para dividir o custo da consulta, e a resposta, que antes vinha rápido, começou a demorar. Depois de 2 tentativas por mensagem sem retorno, ele percebeu que o tom tinha mudado assim que o assunto deixou de ser só uma desculpa e passou a envolver alguma responsabilidade prática. A última resposta recebida, curta e evasiva, sugeria que o tutor já nem lembrava com clareza dos detalhes daquela tarde.

Foi no consultório, quando o médico perguntou se havia algum registro do que tinha acontecido — fotos, boletim, identificação completa de quem era o dono do animal — que Almir entendeu o que faltava. Ele tinha resolvido tudo verbalmente, na calçada, sem guardar nada além de uma lembrança e um nome de primeira conversa. Não havia prova nenhuma além da própria palavra, e nesse momento Almir entendeu que o episódio de 5 dias atrás merecia ter sido tratado com o mesmo cuidado que agora precisava reconstituir de memória.

O que o avô e o tutor do cão alegam sobre o momento do ataque

Avô protege a criança enquanto um cachorro solto atravessa o portão aberto e avança pela calçada.

De um lado, Almir descreve um cão solto, sem coleira, avançando sem provocação alguma sobre uma criança que caminhava tranquilamente pela calçada. Do outro, o tutor tende a alegar que o animal nunca teve esse comportamento antes, que a saída pelo portão foi um descuido pontual e que a reação do cão pode ter sido provocada por algo momentâneo, como um barulho ou movimento brusco. Esse tipo de divergência é comum: quem sofreu o dano lembra do momento do ataque, e quem tem a guarda do animal tende a minimizar o histórico e o contexto, esperando resolver a situação apenas com uma conversa. Nenhum dos 2 lados costuma mentir de propósito — cada um reconta o episódio a partir do próprio susto, e é exatamente por isso que a palavra isolada de qualquer parte raramente é suficiente para uma análise justa.

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O que o Código Civil diz, em termos gerais, sobre a guarda de animais

O Código Civil trata, de forma geral, da responsabilidade de quem tem a guarda de um animal pelos danos que ele venha a causar a terceiros, mas a aplicação de cada regra depende das circunstâncias do caso concreto, incluindo o local do fato e as provas apresentadas por cada parte.

Guia de Responsabilidade Civil e Cuidados (Ataque de Animal)
Selecione o cenário do incidente para verificar a enquadração jurídica do Código Civil e as providências de urgência recomendadas.
Fundamentação: Artigo 936 do Código Civil Brasileiro e Artigo 31 da Lei de Contravenções Penais.

Não existe uma resposta automática que valha para toda situação envolvendo animal solto em via pública — cada caso exige análise própria, e nenhuma conversa informal na rua substitui esse levantamento de fatos. Fatores como o local do ataque, se havia algum tipo de contenção do animal e o histórico de comportamento anterior tendem a pesar na avaliação, mas nenhum deles isoladamente decide o caso sem exame das provas concretas.

O laudo do dia pesa mais do que o histórico do animal

Profissional registra o ferimento no braço e reúne documentos e fotografias relacionados ao ocorrido.

Fotos do local logo após o ocorrido, identificação completa de quem tinha a guarda do animal, boletim de ocorrência registrado e laudo do atendimento médico formam o conjunto que sustenta qualquer discussão posterior sobre responsabilidade. Sem esses registros, a conversa fica reduzida à palavra de um contra a palavra do outro, que tende a mudar de tom conforme o assunto avança da desculpa para o custo do tratamento. Buscar atendimento médico com registro do ocorrido, fotografar o local ainda no mesmo dia e identificar o tutor antes de qualquer acordo verbal são passos que evitam esse tipo de impasse — e que, em situações de maior gravidade, também podem envolver o atendimento de emergência descrito no protocolo do SAMU, quando o ferimento exigir avaliação imediata. Situações do dia a dia com animais domésticos, aliás, já apareceram em outra reportagem sobre situações envolvendo cães no dia a dia.

Uma história como esta, embora hipotética, mostra o que fazer quando um cão solto causa ferimento em via pública: buscar atendimento médico com registro do ocorrido, fotografar o local, identificar o tutor do animal e formalizar boletim de ocorrência antes de discutir qualquer reparação, já que cada caso depende de análise própria das provas reunidas.

Sua história pode virar reportagem

Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.

Tags: acidente com animalanimal domésticoboletim de ocorrênciacão sem coleiracódigo civilresponsabilidade civil

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