Para cruzar o mar Báltico, a Dinamarca está construindo um túnel de 18 km sem escavar toda a passagem sob a rocha. No Fehmarnbelt, enormes peças de concreto nascem em terra, flutuam durante o transporte e descem até uma vala submarina, onde precisam se encaixar com precisão antes de formar a travessia entre os países.
Por que fabricar um túnel inteiro em terra?
A obra ligará Lolland, na Dinamarca, à ilha alemã de Fehmarn, levando rodovia e ferrovia pelo mesmo corredor. Uma fábrica perto de Rødbyhavn produz os módulos, que serão instalados numa trincheira no leito marinho.
A seção terá cinco passagens longitudinais, duas para carros, duas ferroviárias e uma técnica. O desafio não termina na concretagem: os enormes elementos precisam manter alinhamento e vedação depois de colocados sob a água.

A fábrica organiza uma sequência de módulos gigantes
O projeto prevê 79 elementos convencionais de 217 metros e dez especiais, com equipamentos no pavimento inferior. Cada módulo convencional reúne nove trechos moldados em série. A descrição oficial da construção informa cerca de 73.500 toneladas por elemento padrão.
Armaduras de aço são montadas antes de receber o concreto. Depois da cura, o módulo ganha anteparos estanques nas extremidades e equipamentos de lastro. A produção industrial facilita repetir geometrias e controlar a qualidade das peças antes de levá-las ao mar.
Antes de chegar ao mar, cada módulo passa por instalações com tarefas diferentes. Nos cards a seguir, veja como essa produção é organizada:
Como os módulos descem até o fundo do mar?
O transporte exige flutuação temporária, controle de peso e precisão. Antes que o elemento se torne parte da travessia, passa por etapas coordenadas:
- Fechamento: anteparos mantêm as extremidades isoladas durante a movimentação.
- Lastro: tanques e concreto adicional controlam o peso na água.
- Transporte: rebocadores levam o elemento até a área de imersão.
- Descida: pontões e cabos ajustam a posição sobre a vala submarina.
- Encaixe: juntas vedadas unem o novo elemento ao trecho existente.
Ao retirar a água do espaço entre extremidades, a pressão externa comprime as juntas. Depois vêm proteção lateral e obras internas. Essa técnica difere de um túnel rodoviário escavado na Noruega, que avança através da rocha.

Quase 900 metros instalados representam o quê?
O primeiro elemento foi conectado ao portal dinamarquês em maio de 2026; outros chegaram em junho, agosto e setembro. O balanço oficial do outono de 2026 registrou quase 900 metros instalados no fundo marinho.
Isso ainda corresponde a uma parte inicial da ligação, não a um túnel aberto a veículos. É preciso completar as unidades, finalizar trilhos, pistas e ventilação e preparar a operação segura.
As peças prontas ainda precisam ser transportadas e instaladas no fundo do mar. A tabela a seguir ajuda a distinguir a fabricação da instalação já concluída:
| Situação | Quantidade | Referência | Leitura |
|---|---|---|---|
| Padrões moldados | 16 | Setembro de 2026 | Produção em terra |
| Especiais moldados | 3 | Setembro de 2026 | Fase industrial |
| Elementos imersos | 4 | Setembro de 2026 | Quase 900 m no leito |
O encaixe debaixo d’água exige atenção a cada movimento
Os pontões sustentam o elemento durante a descida e permitem corrigir seu posicionamento antes do contato com a base. Mesmo com produção padronizada, cada ligação depende de vedação e ajuste rigorosos, pois superfícies enormes precisam se unir.
Construir com peças imersas é uma solução diferente daquela empregada em travessias que combinam pontes e túneis submarinos. Aqui, o objetivo é formar um único corredor contínuo para carros e trens sob o estreito.
O vídeo sobre o Fehmarnbelt apresenta a escala dos módulos e as operações envolvidas na imersão das peças de concreto:
Um corredor internacional construído em etapas
A solução depende da fabricação industrial em terra e da montagem submarina. Concluir uma peça não significa abrir a passagem: cada módulo precisa se unir ao anterior e receber os sistemas internos de circulação.
Quando estiver pronta, a ligação encurtará a rota terrestre entre Alemanha e Dinamarca, mantendo a navegação na superfície. Por enquanto, os 18 quilômetros são a extensão total prevista de uma obra que segue avançando por fases.
Sua história pode virar reportagem
Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.




