A Noruega está escavando o Rogfast, um túnel de quase 27 km sob o mar, com estrada a 392 metros abaixo do nível do mar. A obra, ainda em execução, terá dois tubos rodoviários e um cruzamento escavado na rocha para acesso à ilha de Kvitsøy. A abertura está prevista para 2033, sem garantia de conclusão nessa data.
Como uma estrada vai passar tão fundo sob o mar?
Sob o Boknafjord, o projeto E39 Rogfast pretende conectar Randaberg e Bokn por uma rota de 26,7 quilômetros. São dois túneis rodoviários paralelos, um para cada sentido, e passagens que permitem alcançar áreas protegidas em emergências.
A profundidade máxima aproximada é de 392 metros abaixo do nível do mar. Esse número não mede uma camada contínua de rocha sobre a estrada: o leito marinho varia ao longo do percurso. A escavação avança por trechos, com inspeções e reforços ajustados às condições geológicas.

O cruzamento de Kvitsøy fica dentro da montanha
A complexidade cresce perto da pequena ilha de Kvitsøy. Ali, rampas ligam o ramal de acesso aos dois tubos principais e formam um entroncamento subterrâneo com rotatórias escavadas em rocha. Não se trata de uma praça aberta, mas de vias planejadas para distribuir veículos.
A administração rodoviária norueguesa descreve contratos executados em diferentes frentes, incluindo o setor mais complexo sob a ilha. O ramal tem aproximadamente 3,5 a 3,7 km, separado da extensão da rota principal. Somar todos os tubos produziria outro número, sem representar a distância percorrida pelo motorista.
Por que a rocha exige tanta fiscalização?
Os trabalhadores empregam perfuração e desmontes controlados, removendo material em etapas e instalando suporte de acordo com a resposta da rocha. Mesmo quando o traçado é conhecido, fraturas, infiltrações e zonas frágeis podem exigir soluções diferentes ao longo do túnel.
O Instituto Geotécnico Norueguês participa de avaliações independentes de estabilidade e impermeabilização. Próximo a Kvitsøy, camadas geológicas sensíveis reforçam a importância dessas verificações. É um trabalho de engenharia especializada, não uma simples perfuração retilínea de ponta a ponta.

Cinco elementos tornam possível o cruzamento
O entroncamento terá circulação de veículos, mas também espaços técnicos que permanecem fora da vista de quem dirige. É necessário combinar orientação nas rampas com retirada de fumaça, acesso de equipes e rotas de escape para que a ligação seja utilizável.
O cruzamento reúne cinco funções distintas:
- Dois tubos: separam fluxos de tráfego opostos.
- Rampas para a ilha: ligam Kvitsøy ao trajeto principal.
- Rotatórias subterrâneas: distribuem os movimentos nas ligações.
- Ventilação: renova o ar por galerias e poços.
- Passagens de emergência: permitem evacuação e acesso técnico.
O primeiro dos dois poços de ventilação de Kvitsøy teve a abertura concluída em fevereiro de 2026, com 211 metros naquele setor. Essa dimensão é diferente da profundidade máxima da rodovia. Cada componente resolve uma necessidade operacional própria.
O que ainda falta para o Rogfast receber veículos?
Uma passagem entre frentes de escavação não significa que a estrada esteja aberta. Depois da rocha, ainda entram revestimentos, pistas, ventilação, sinalização e verificações de segurança. A previsão de 2033 depende da evolução dessas etapas e não deve ser lida como inauguração já confirmada.
O projeto está distribuído em frentes de trabalho distintas. Concluir uma galeria ou poço é avanço localizado, não prova de que todos os 26,7 quilômetros já tenham sido escavados. Cada trecho ainda precisa alcançar padrões de segurança rodoviária antes de entrar em serviço.
Quem gosta de acompanhar obras subterrâneas complexas vai curtir este vídeo do canal The B1M, dedicado ao projeto Rogfast e ao desafio de cruzar a rocha sob o fiorde:
A travessia poderá encurtar trajetos no oeste norueguês
Quando estiver pronta, a ligação deve substituir parte da dependência de balsas no corredor da E39. A estimativa oficial é reduzir em cerca de 40 minutos o deslocamento entre Stavanger e Bergen. É um ganho projetado, não um tempo de viagem medido com o túnel funcionando.
A engenharia europeia também reúne experiências de longos túneis sob os Alpes e de corredores sob o fundo do mar. No Rogfast, a novidade é reunir dois tubos muito profundos e um entroncamento rodoviário escavado na rocha, numa obra que segue avançando antes de receber seus primeiros motoristas.
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