Os esquis de Digervarden, na Noruega, foram encontrados separadamente: o primeiro apareceu em 2014 e o segundo, em 2021. Durante sete anos, arqueólogos acompanharam o recuo do gelo até recuperar a outra peça do par, com amarrações de couro e madeira, sinais de desgaste e antigos reparos ainda visíveis.
Um esqui surgiu em 2014 e deixou uma pergunta no gelo
Na montanha de Digervarden, uma mancha de gelo que diminuía expôs um esqui de madeira com cerca de 1.300 anos. O objeto chamou atenção porque conservava parte da fixação usada para prender o pé, algo extremamente raro em equipamentos tão antigos.
O programa Secrets of the Ice decidiu acompanhar a área, na esperança de localizar o segundo esqui. Uma vistoria em 2016 não trouxe o resultado esperado. A equipe precisava que o gelo recuasse mais, sem destruir as peças expostas.

Como a segunda peça apareceu depois de sete anos?
Em 2021, imagens de satélite indicaram que o gelo havia diminuído em relação a 2014. Em 20 de setembro, Runar Hole e Bjørn Hessen encontraram outro esqui a apenas cinco metros do primeiro, mas ele permanecia preso ao gelo.
Os pesquisadores não tentaram arrancá-lo sem o equipamento adequado. Uma tempestade cobriu a região com neve e atrasou o retorno. A equipe voltou em 26 de setembro, encontrou o local com fotografias e coordenadas e enfrentou cerca de 30 centímetros de neve recente.
Amarrações e reparos guardaram sinais de uso
Com pás, picaretas usadas cuidadosamente e água morna, os arqueólogos soltaram a madeira. O segundo esqui media 187 centímetros de comprimento e cerca de 17 centímetros de largura. Ao virarem a peça, encontraram uma fixação parecida com a do achado anterior.
- Amarrações: tiras de couro e peças de bétula torcida prendiam o pé à madeira.
- Reparos: a área elevada onde o pé ficava apoiado apresentava consertos antigos.
- Desgaste: as diferenças entre os esquis mostram uma longa vida de uso.
- Sulco inferior: uma canaleta sugere deslizamento sem pele animal fixada por baixo.
As peças não eram idênticas, o que combina com uma fabricação manual. Uma delas estava mais preservada por ter ficado mais protegida pelo gelo. Os consertos anteriores à perda indicam que seus usuários tentavam prolongar a vida útil do equipamento.
O gelo preservou uma tecnologia que costuma desaparecer
Madeira, couro e fibras vegetais geralmente se decompõem com facilidade. A Unesco destaca a arqueologia do gelo como forma de recuperar objetos orgânicos raros. No entanto, quando a cobertura gelada recua, as peças podem sofrer danos rapidamente.
Em Digervarden, o resgate permitiu observar os pontos de fixação e comparar os dois esquis. Isso ajuda a estudar técnicas antigas de deslocamento e até fabricar réplicas para experiências controladas. O derretimento revelou os vestígios, mas também ameaçou sua conservação.

Como o vídeo mostra a recuperação do par de esquis?
A descoberta do segundo esqui completou um conjunto excepcional, com suas amarrações ainda preservadas. As imagens da busca ajudam a compreender por que foi preciso planejar a retirada e tratar o gelo com cuidado para não danificar a madeira antiga.
O programa responsável pelas escavações publicou um registro da descoberta e da importância do par. A presença das fixações é especialmente valiosa porque permite reconstruir aspectos do uso prático, e não apenas o formato das tábuas de madeira.
O destino dos esquis ainda deixa questões abertas?
A história do esqui inclui o transporte sobre a neve muito antes de existir esporte de inverno. Em Digervarden, há sinais de caça às renas e de antigos caminhos de montanha, mas nenhum desses vestígios identifica com certeza o dono das peças.
Os arqueólogos não sabem se o par foi perdido durante uma viagem, uma caçada ou um acidente. O dado confirmado é a sequência de 2014 a 2021: sete anos de observação permitiram recuperar dois objetos usados, reparados e preservados por cerca de treze séculos.
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