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Um pedaço de resina mastigado há 5.700 anos preservou DNA suficiente para reconstruir o genoma de quem o usou

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
15/10/2026
Em Entretenimento
Um material aparentemente simples revelou informações surpreendentes sobre uma pessoa do passado.

Um material aparentemente simples revelou informações surpreendentes sobre uma pessoa do passado.

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Uma resina de bétula mastigada, achada em Syltholm, na Dinamarca, preservou saliva e DNA de uma mulher de 5.700 anos.↓ Ver no artigo
O estudo publicado em 2019 reconstruiu um genoma humano antigo completo sem usar ossos ou dentes.↓ Ver no artigo
A mulher, apelidada de Lola, tinha ancestralidade ligada a caçadores e coletores da Europa ocidental; seus genes sugerem pele escura, cabelos escuros e olhos azuis.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Uma peça pequena
A resina de bétula encontrada no sul da Dinamarca conservou saliva e marcas de dentes durante cerca de 5.700 anos.
Achado dinamarquês
02
DNA sem ossos
Pesquisadores recuperaram o genoma de uma mulher sem usar restos de seu esqueleto, ampliando as fontes disponíveis para estudar o passado.
Pesquisa de 2019
03
Mais do que genética
A amostra também guardou vestígios de microrganismos e possíveis alimentos, embora esses sinais não permitam reconstruir toda sua vida.
Pistas antigas

Na Dinamarca, uma resina mastigada de 5.700 anos guardou o DNA de uma mulher da pré-história. A saliva presa no material permitiu reconstruir seu genoma e estudar microrganismos da boca, mesmo sem encontrar ossos dela. O resultado, publicado em 2019, abriu outro caminho para investigar pessoas antigas.

O que era a resina mastigada encontrada na Dinamarca?

O pequeno pedaço escuro foi encontrado em Syltholm, na ilha dinamarquesa de Lolland. Ele é feito de uma substância obtida pelo aquecimento da casca de bétula. Na pré-história, esse material servia como cola, mas marcas de dentes mostram que também era mastigado.

Ao esfriar, essa cola natural endurecia. Mastigá-la talvez ajudasse a amolecer o material, mas o motivo exato do gesto ainda é discutido. O estudo abriu uma possibilidade para a paleogenética, área que investiga o DNA preservado de seres do passado.

A descoberta mostra que nem sempre são necessários ossos para estudar o DNA de povos antigos.

Como a saliva preservou um genoma por milhares de anos?

Ao mastigar a massa pegajosa, uma pessoa deixa células e saliva na superfície. Com o tempo, parte desse material pode permanecer protegida na resina. A equipe retirou amostras com cuidado, leu pequenos pedaços do material genético e reuniu as informações em laboratório.

O estudo de 2019 conseguiu montar um genoma humano antigo completo sem usar ossos ou dentes. A Universidade de Copenhague destacou que a descoberta revelou uma fonte pouco explorada de DNA, além dos restos humanos normalmente usados nas escavações.

O que os vestígios dizem sobre a mulher que a mastigou?

O DNA indicou que a pessoa era mulher e tinha parentesco genético mais próximo com antigos caçadores e coletores da Europa ocidental. Os pesquisadores deram a ela o apelido de Lola. Esse nome facilita contar a descoberta, mas não é uma identidade histórica recuperada na escavação.

Modelos feitos a partir dos genes sugeriram pele escura, cabelos castanho-escuros e olhos azuis. São previsões científicas, não uma fotografia de seu rosto. Nenhuma roupa, profissão ou história pessoal foi recuperada, e um objeto mastigado sozinho não permite saber por que ela estava naquele lugar.

A seguir listamos 4 pontos da descoberta que ajudam a organizar as evidências:

  • Origem do objeto: Resina de bétula achada em Syltholm, no sul da Dinamarca, com marcas de mastigação.
  • Genoma humano: DNA suficiente para recuperar a composição genética de uma mulher que viveu há 5.700 anos.
  • Microrganismos da boca: Fragmentos de bactérias e vírus ajudam a observar o ambiente oral preservado na peça.
  • Possíveis alimentos: Vestígios de plantas e animais sugerem contatos ou uma refeição, sem comprovar um cardápio.
Pequenos vestígios deixados no cotidiano podem guardar informações por milhares de anos.

Leia também: Um laser revelou marcas de dedos de cerca de 2 mil anos que permaneciam escondidas em um vaso romano

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Quais informações foram recuperadas da pequena peça?

A mesma amostra também reteve vestígios de bactérias da boca e material genético de vírus. Os cientistas identificaram fragmentos ligados a animais e plantas, que podem ter vindo de uma refeição recente. Isso mostra que o pequeno objeto registrou mais do que apenas os genes humanos.

Esses indícios precisam ser separados: o genoma da mulher sustenta uma análise de ancestralidade, enquanto fragmentos de alimentos apenas sugerem possíveis contatos ou consumo. A pesquisa não reconstituiu um cardápio completo. Mesmo assim, conseguiu reunir sinais de uma pessoa e do ambiente de sua boca.

A seguir listamos 4 comparações importantes que ajudam a organizar as evidências:

Logo EM Foco
DADOS EM FOCO
O que a resina permitiu investigar
Comparação de evidências e limites relacionados a o que a resina permitiu investigar
Vestígio O que revelou Limite da análise
DNA humano Genoma de uma mulher Não revela seu nome real
Genes de aparência Traços físicos prováveis São previsões, não fotografias
DNA de micróbios Sinais da microbiota oral Não descreve toda a saúde
DNA de plantas e animais Possível contato com alimentos Não comprova dieta completa

Por que esse achado muda a pesquisa sobre o passado?

Antes dessa descoberta, recuperar DNA de pessoas antigas dependia principalmente de ossos e dentes bem conservados. A resina mostrou que um material comum, deixado após uma tarefa cotidiana, também pode guardar informação biológica. O local não forneceu restos humanos associados à mulher que a mastigou.

O resultado não significa que qualquer resina preservará um genoma. As condições do solo, a conservação e o controle de contaminação continuam decisivos. Ainda assim, uma peça de 5.700 anos permitiu conhecer características genéticas e sinais da boca de alguém que não deixou esqueleto identificado.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: arqueologiaDinamarcaDNA antigopré-história

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