As ruínas de Ptolemais, na atual Líbia, guardam cerca de 120 tabuleiros de jogo gravados sobre pedras e paredes muito depois do auge da cidade. A posição de muitos deles levou arqueólogos a considerar que pastores poderiam jogar ali enquanto observavam seus rebanhos. A hipótese ainda depende do contexto das marcas.
Onde apareceram os cerca de 120 tabuleiros?
As marcas estão nas ruínas de Ptolemais, antiga cidade da Cirenaica, no nordeste da atual Líbia. Os pesquisadores documentaram cerca de 120 tabuleiros talhados em blocos de construções já arruinadas, mostrando uma reutilização do lugar muito depois de sua fase urbana principal.
Os desenhos variam. Muitos apresentam depressões circulares organizadas em padrões quadrados ou retangulares, enquanto outros usam linhas que se cruzam. As formas lembram jogos de estratégia conhecidos no norte da África, mas o desenho sozinho não permite identificar com certeza a regra seguida em cada partida.

Como esses jogos se ligam à vida atual da região?
A missão arqueológica da Universidade de Varsóvia estuda Ptolemais e seu entorno. Em Tolmeita, cidade moderna situada sobre a área antiga, moradores mais velhos ainda praticam jogos da família da mancala, criando uma ponte etnográfica útil para comparar formas e hábitos.
A arqueóloga Zofia Kowarska combinou documentação arqueológica e entrevistas. Essa abordagem não prova que o jogo atual seja idêntico ao praticado no passado, mas permite observar como tabuleiros simples, feitos diretamente na pedra, podem continuar associados a momentos de espera e convivência.
Por que os arqueólogos pensam em pastores jogando ali?
A hipótese nasce principalmente da localização. Vários tabuleiros aparecem sobre partes altas das paredes, pontos que oferecem boa visão das áreas de pastagem ao redor. Quem precisava vigiar animais por horas teria tempo e um lugar conveniente para riscar e usar esses jogos.
A ideia ganha força porque pastores ainda se sentam nas ruínas da região. Mesmo assim, isso continua sendo uma interpretação, não uma cena comprovada. Não há peça com o nome do jogador nem registro escrito dizendo quem gravou cada tabuleiro ou em que ocasião.
A seguir listamos quatro pistas da hipótese que explicam por que os pesquisadores relacionam parte dos tabuleiros a pastores:
- Posição elevada: muitos jogos ficam no topo de estruturas preservadas.
- Boa visibilidade: esses pontos permitem observar a paisagem e áreas de pastagem.
- Tempo de espera: cuidar de animais pode incluir longos períodos de permanência no mesmo lugar.
- Uso atual: pessoas da região ainda transformam superfícies simples em espaços para jogar.

O que se sabe sobre a idade dessas marcas?
Há um limite seguro: os tabuleiros foram gravados sobre ruínas já existentes, portanto são posteriores à construção e à destruição das estruturas usadas como suporte. Isso impede tratar automaticamente as marcas como parte da cidade helenística ou romana que existiu ali séculos antes.
A equipe de Varsóvia considera provável que muitos tabuleiros sejam de época moderna, embora exista debate sobre exemplares possivelmente mais antigos. Sem uma data direta para cada gravação, a cronologia permanece aberta e precisa ser separada da idade da própria Ptolemais.
A seguir listamos três níveis de certeza que ajudam a separar o que foi observado do que ainda é hipótese:
| Questão | Evidência | Leitura atual |
|---|---|---|
| Quantidade | Cerca de 120 registros | Conjunto amplo e repetido |
| Posição | Gravados nas ruínas | São posteriores às estruturas |
| Jogadores | Contexto de pastagem | Pastores são uma hipótese plausível |
O que os tabuleiros revelam sobre a segunda vida de Ptolemais?
As ruínas não ficaram simplesmente paradas depois do fim da cidade antiga. Elas viraram lugares de passagem, descanso e uso cotidiano. Gravar jogos em pedras antigas mostra como uma paisagem arqueológica também pode ganhar novas funções para comunidades que vivem ao redor dela.
É essa sobreposição que torna os cerca de 120 registros interessantes: estruturas de uma cidade antiga serviram de mesa para práticas muito posteriores. Os tabuleiros de Ptolemais contam menos sobre um único jogo perdido e mais sobre como pessoas continuaram ocupando e reinterpretando as ruínas ao longo do tempo.
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