Álbum mais vendido da história, “Thriller” (1982) tem estimadas 67 milhões de cópias comercializadas em todo o mundo. O Spotify, mais popular streaming de música do planeta, revelou há pouco, e pela primeira vez, a lista dos 20 artistas mais ouvidos desde sua criação, duas décadas atrás. Michael Jackson não está no ranking, liderado por Taylor Swift.


Sexta faixa de “Thriller”, “Billie Jean” só agora, 44 anos depois de seu lançamento, estreou no Top 10 global do Spotify. A música sobre uma mulher que afirma que o narrador é pai de seu filho recém-nascido (o que ele nega) ocupa atualmente o quinto lugar – “Beat it”, faixa número 5 do álbum, está no 15º lugar.


Tal movimento vem na esteira de “Michael”, a cinebiografia do astro morto aos 50 anos, em junho de 2009. Desde o lançamento do filme de Antoine Fuqua, quase três semanas atrás, teve início a “Michael Mania”.


É uma reação em cadeia mesmo. Dois longas com Michael Jackson, “Moonwalker” (1988) e “This is it” (2009), ocupam, respectivamente, o quarto e o oitavo lugares entre os filmes mais vistos da HBO Max.


Muita gente mesmo está satisfeita com “Michael”. Os fãs, os antigos, da era do álbum físico, e os novos, do digital, continuam fazendo bonito nos cinemas. O filme está com 97% de aprovação do público no site agregador de críticas Rotten Tomatoes.


Bilheteria

Até o momento, a produção arrecadou, no mundo todo, US$ 430 milhões. Ocupa, atualmente, o quarto lugar na bilheteria global de 2026. É o segundo filme mais visto na última semana, no Brasil e no mundo – perdeu o topo para “O diabo veste Prada 2”.


Não faltam detratores do longa, a começar por boa parte da crítica cinematográfica mundial, que fez cara feia para a hagiografia que deixa de lado muitos pontos polêmicos da trajetória do astro. No Rotten Tomatoes, a avaliação dos críticos é de somente 40% de aprovação.


O filme culmina com o antológico show de Michael no Estádio de Wembley, em Londres, em 1988. No roteiro original, a história seguiria até 1993, abordando a primeira acusação de abuso sexual infantil. Só depois das filmagens encerradas descobriu-se que, no acordo firmado com o acusador, então representado pelo pai, uma cláusula proibia qualquer menção ao jovem.


Hipocrisia

Autor da biografia “Man in the music” (2011), Joseph Vogel afirmou à revista “The Hollywood Reporter” que achou a resposta crítica “um pouco hipócrita”. Comparando o filme a outros do gênero, como “Bohemian Rhapsody”, “Rocketman” e “Elvis”, ele acrescentou que todos seguem o mesmo modelo – só que os anteriores foram melhor recebidos pelos especialistas.


“Me parece que o filmesobre Michaelestá sendo escolhido a dedo pelo que não está nele, em vez do que realmente está. Essencialmente,‘Michael’busca apresentá-lo a novos públicos. É hipócrita da parte dos críticos esperar que essa cinebiografia de duas horas, que se passa no final dos anos 1980, explique tudo”, afirmou Vogel.


Foi este, de certa forma, o argumento do cineasta Spike Lee, que dirigiu três clipes de Jackson, inclusive o de “They don’t care about us” (1996) no Pelourinho. “Em primeiro lugar, se você é crítico de cinema e está reclamando de tudo, o filme termina em 1988”, disse. “As coisas de que você está falando, as acusações, acontecem (depois). Então você está criticando o filme por algo que você quer que esteja lá, mas que não funciona na cronologia do filme”, afirmou à CNN.


Diretor da minissérie documental “Leaving Neverland” (2019), que acompanha Wade Robson e James Safechuck, que acusam Jackson de abusos cometidos nos anos 1990, quando eram crianças, Dan Reed ficou muito incomodado com a cinebiografia.


“(O filme) Sugere que o envolvimento de Jackson com crianças era totalmente benigno e motivado apenas por filantropia. Não estou pedindo o cancelamento de Jackson e que ninguém ouça sua música, mas a história de Wade e James também precisa ser respeitada”, afirmou.


O diretor prosseguiu, em entrevista à “Variety”: “O que o filme faz é criar uma versão dos fatos que essencialmente retrata Wade, James e outros que acusaram Jackson de abuso sexual infantil como mentirosos, sem de fato articular isso. Eles estão dizendo que o motivo pelo qual Jackson gostava de crianças era porque ele era um anjo e só queria ser gentil com elas, não que ele quisesse ter relações sexuais com elas”.


Diante da repercussão do filme, aguarda-se a confirmação oficial de uma sequência. A questão é saber como e se as acusações de pedofilia serão abordadas, já que boa parte da família Jackson está por trás da cinebiografia.


Chefe do estúdio Lionsgate, responsável pelo filme, Adam Fogelson afirmou ao podcast “The town with Matt Belloni” que é provável que a sequência seja filmada neste ano ou no próximo. “Existe uma quantidade enorme de músicas e experiências de vida que dariam para um segundo filme”, disse ele, citando o show do Super Bowl de 1993.

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Sobre as acusações de abuso, o executivo saiu pela tangente. “É uma questão realmente complicada. Não tenho certeza se sou a pessoa mais indicada ou se agora é o melhor momento.”

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