CINEMA

Só a música salva a cinebiografia de Michael Jackson

'Michael' estreia nesta quinta-feira (23/4). Longa vitimiza o astro, foge dos escândalos de pedofilia em torno dele e aposta nos hits do Rei do Pop

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Não dá para ser ingênuo e pensar que uma cinebiografia de Michael Jackson (1958-2009) não seria problemática diante das controvérsias que o cercaram em vida – e o acompanham quase 20 anos após sua morte. Mas “Michael”, que estreia nesta quinta-feira (23/4), é um desacerto do gênero que, na última década, fez jus à grandeza das obras de Elvis Presley, Freddie Mercury e Elton John.

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Há números musicais incríveis e Jaafar Jackson está impecável interpretando o tio. Mas como trajetória de vida, “Michael” conta uma história só. O menino genial que, vilanizado pelo pai desde garoto, não consegue se ver livre da espiral de abusos. Não há nuance alguma na narrativa, que contorna a ausência de dramaturgia com a colagem de números musicais.

Dirigido por Antoine Fuqua, “Michael” enfrentou problemas. O filme teve de ser refeito, com boa parte da família Jackson entre os produtores. Os irmãos Jackie, Tito, Jermaine, La Toya e Marlon, além do filho, Prince Michael, assinam como produtores-executivos.

No roteiro de John Logan, a história abordaria um processo judicial de 1993, quando o astro foi acusado, pela primeira vez, de abuso sexual infantil. Só depois das filmagens descobriu-se que, no acordo firmado com o acusador (Jordan Chandler, então representado pelo pai, Evan Chandler), uma cláusula proibia qualquer menção do jovem em produções cinematográficas.

Resumo da história: o longa teve o final reescrito e as filmagens adicionais consumiram US$ 15 milhões. A estimativa é que tenha custado algo em torno de US$ 155 milhões.

Para o espectador mais interessado sobre o que passa na tela, é preciso deixar claro: a única pessoa que sofre abusos constantes na história é o próprio Michael. Qualquer história envolvendo relacionamento com menores está fora do jogo.

A história começa em Gary, Indiana, em 1966, com os primeiros dias dos Jackson Five. Michael (Juliano Valdi na infância), o caçula de Joe (Colman Domingo, se esbaldando como o vilão que explora os filhos sem dó) e Katherine (Nia Long interpreta a mãe compreensiva, mas inepta em proteger a prole), sofre mais do que todos.

Ator Colman Domingo interpreta Joe, o pai carrasco de Michael Jackson, em cena do filme Michael. Ator está sentado em mesa de bar
Colman Domingo interpreta Joe, o pai carrasco de Michael Jackson e 'vilão' do filme Lionsgate/divulgação

Como é nitidamente o mais talentoso, com seu alcance vocal extraordinário, o pai exige muito dele – surras de cinto são uma constante. Com 8 anos, o garoto só quer brincar com os meninos de sua idade. Compreende, desde muito novo, que nunca poderá se misturar. Então se refugia nos livros, e a referência a Peter Pan é apresentada tantas vezes que chega a exasperar.

Depois de mostrar a ascensão do grupo Jackson Five, o filme chega a 1978. Michael, agora interpretado por Jaafar Jackson (filho de Jermaine, em seu primeiro papel no cinema), se junta ao produtor Quincy Jones (Kledrick Samson) para gravar “Off the wall”. A vida dos Jackson começa a mudar radicalmente.

Fred Astaire e pipoca

Agora eles vivem numa mansão em Encino, Los Angeles. Michael tem amigos: começa a encher a residência de animais. Llama, girafa e até o chimpanzé Bubbles, para quem conta histórias infantis. Seu ideal de sábado à noite é assistir a musicais de Fred Astaire, comendo pipoca com a mãe.

Infantilizado dentro de casa, ele tem segurança de sobra sobre os rumos da carreira. Nada do que imagina passa pelo grupo Jackson Five. Essa aparente independência vem no contrato firmado com o empresário John Branca (Miles Teller).

O filme ganha bons momentos com a gravação de “Thriller”, recriada na mesma Union Pacific Avenue onde o antológico clipe foi rodado, em 1983. Melhor sequência é a que a mostra Michael em uma boate de Los Angeles, com membros de gangues rivais, criando a coreografia de “Beat it” inspirado nos movimentos deles.

Jaafar Jackson interpreta o tio Michael Jackson na gravação do clipe de 'Thriller', megassucesso da música pop
Jaafar Jackson interpreta o tio Michael Jackson na gravação do clipe de 'Thriller', megassucesso da música pop Lionsgate/divulgação

São estes os momentos que mostram a estrela de Jaafar, que capturou com perfeição a voz doce de Michael e também seus movimentos. Agora astro, ele continua a sofrer com a vida solitária. A obsessão pela imagem logo se traduz no início dos procedimentos estéticos e do vitiligo – o filme atribui todo o clareamento da pele à doença autoimune.

Mas, no fundo, Michael continua sendo um menino. Tem tanto medo do pai que tenta esconder a rinoplastia. A relação conturbada segue até o fim da narrativa, que explora também o acidente que o cantor sofreu durante as filmagens de comercial da Pepsi. O acordo foi fechado por Joe, então as queimaduras no couro cabeludo de Michael parecem vir do carma com o pai.

“Michael 2”

O filme culmina com o antológico show de Michael no Estádio de Wembley, em Londres, em 1988. É uma sequência e tanto, porém não mais do que um clipe. Não há reviravolta alguma depois, só o enigmático “A história continua”.

Quando o filme termina, Michael já tinha 30 anos. A segunda metade de sua vida tem muito menos glórias que a primeira. Fala-se em “Michael 2”. Se o novo filme realmente se concretizar, espera-se que seja menos superficial do que o primeiro.

A estreia de “Michael” nesta semana é mundial. Lançado em 3,9 mil cinemas da América do Norte, espera-se que o longa arrecade entre US$ 65 milhões e US$ 70 milhões. Caso os números se concretizem, será a maior estreia de todos os tempos para uma cinebiografia musical. Em nível mundial, a expectativa é atingir de US$ 140 milhões a US$ 150 milhões até o fim do próximo domingo (26/4).

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“MICHAEL”

(EUA/Reino Unido, 2026, 127min.) – De Antoine Fuqua, com Jaafar Jackson, Colman Domingo e Nia Long. O filme estreia nos cines BH, Big, Boulevard, Centro Cultural Unimed-BH Minas, Cidade, Contagem, Del Rey, Diamond, Estação, Itaupower, Minas, Monte Carmo, Norte, Pátio, Ponteio e Via Shopping.

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