TEATRO

Peça sobre abuso infantil é atração no Galpão Cine Horto no fim de semana

"A mancha invisível", idealizada, escrita e estrelada por Sheila Emília, marca a estreia profissional da atriz, sob direção de Denise Lopes Leal

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O Galpão Cine Horto é palco, neste fim de semana, de peça que marca duas estreias carregadas de responsabilidade pelo tema que aborda. “A mancha invisível”, que trata do abuso infantil, é o primeiro espetáculo idealizado e escrito pela atriz Sheila Emília, que convidou para a direção Denise Lopes Leal, uma das fundadoras do centro de formação sabarense Sobrilá Cia. de Teatro, que, pela primeira vez, encara o desafio fora do ambiente educacional.

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A montagem, protagonizada pela própria Sheila, acompanha a trajetória da personagem Fernanda, jovem de 22 anos que se muda para Belo Horizonte em busca de reconstruir a própria vida.

Ao iniciar um trabalho em empresa de telemarketing, ela vivencia um surto durante o expediente. O episódio desencadeia um processo de confronto com memórias traumáticas e com as consequências que o passado ainda exerce sobre sua vida.

Fernanda divide a cena com Pedro, vizinho e colega de trabalho interpretado pelo ator e dançarino Filipe Goulart, e Elisah, papel de Lígia Carneiro, a amiga de infância de Fernanda que também se muda para a capital mineira e passa a trabalhar em uma rádio fictícia chamada Invisível FM.

Ao longo da narrativa, os encontros entre os personagens revelam diferentes formas de lidar com traumas, memórias e processos de reconstrução pessoal.

Sheila Emília conta que logo que tirou o registro profissional de atriz, em 2018, se sentiu impelida a conceber uma peça para iniciar sua trajetória.

“Queria fazer algo que tivesse a ver com o universo feminino e pensei em propor uma reflexão sobre os impactos do abuso sexual infantil e as marcas que o trauma deixa na vida adulta. Conversei com muitas mulheres a respeito e todas tinham alguma história para contar. É um tema importante, que impacta a vida das pessoas e sobre o qual não se fala muito”, diz.

Ela estudou com Denise Leal, acompanhava e admirava o trabalho da Sobrilá. Por isso a chamou para dirigir a montagem. “Queria que fosse mulher, tinha que ser uma mulher nessa função”, diz.

Denise explica que Sheila integrou a primeira turma de seu grupo, em 2016, ressaltando que ficou muito feliz com o convite feito pela ex-aluna. “Minha experiência como diretora era com as turmas de teatro nas apresentações de final de ano. Era um desejo meu ter essa experiência fora do ambiente de ensino”, diz.

A diretora achou a proposta interessante por conta da questão sensível abordada pela peça. “Abuso infantil é um tema muito relevante. Acredito no teatro como ferramenta de transformação social e entendo que esse trabalho vai além do palco. Falar da violência contra a mulher neste momento desesperador, em que todo dia o feminicídio está nos noticiários, é necessário. Concebemos o espetáculo de forma que ele pode ser apresentado em qualquer lugar, no teatro ou na sala de aula”, informa.

Conversa com psicóloga

Após as apresentações, neste sábado (28/3) e domingo (29/3), o público será convidado a participar de uma roda de conversa com a psicóloga Bárbara Carvalho, que discutirá os temas abordados na peça e ampliará o debate sobre saúde mental e violência sexual.

“A gente se vale muito da metáfora na peça. É um tema pesado e pouco conversado, então acho que uma forma de fazer a arte ser mais potente, com impacto social, é tera presença da psicóloga, que leva o debate para o real”, comenta Sheila.

Denise faz coro com a ex-aluna e diz que toda a equipe vai participar do bate-papo. Para ela, a conversa amplia o que se verá em cena.

“O teatro não alcança todos os lugares, acho que a arte tem o limite até onde conseguimos chegar. Esse tema pode disparar gatilhos para pessoas na plateia, e alguém pode querer falar alguma coisa, se abrir, dizer se sentiu alguma coisa. Então, a conversa com Bárbara após a apresentação é providencial”, diz.

Passado e presente

Um dos elementos simbólicos da montagem é o rádio antigo, de onde surge a trilha sonora do espetáculo, reforçando o diálogo entre passado e presente na trajetória da protagonista.

Sheila diz que a personagem tem lembranças difusas do ocorrido, fica confusa, nega ter sido vítima de abuso e tem de passar pelo processo de aceitação. “Há elementos que denotam o surto que ela tem. Fernanda sente coisas que não sabe nomear”, detalha.

A cena do abuso é mostrada em forma de coreografia, executada por Filipe Goulart. “Fernanda, de 22 anos, sofreu o abuso quando tinha 10. A parte da infância é narrada, não é vivida pela personagem. Nos interessa falar de como ela seguiu e segue vivendo depois de tudo o que passou. Tem uma linha do tempo que o rádio antigo ajuda a construir, com Fernanda se reerguendo”, explica.

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“A MANCHA INVISÍVEL”

A peça fica em cartaz neste sábado (28/3), às 20h, e domingo (29/3), às 19h, no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3.613, Horto). Entrada franca, com retirada de ingressos na plataforma Sympla ou na bilheteria do teatro uma hora antes da sessão

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