Formado em Comunicação Social pela PUC-MG, com pós-graduação em Comunicação Digital pela mesma instituição. Criador do projeto A Cena na Quarentena, com uma série de entrevistas realizadas com artistas de diversas áreas durante a pandemia (todas disponív
"Se eu fosse vivo... Vivia", de André Novais Oliveira, que traz a estreia da escritora Conceição Evaristo como atriz, foi saudado por sua abordagem afetiva e livre de clichês crédito: Filmes de plástico/divulgação
Duas produções mineiras tiveram suas estreias mundiais na 76ª edição do Festival de Berlim neste fim de semana. “Nosso segredo”, que marca a estreia de Grace Passô na direção de longas, foi exibido nete sábado (14/2), na mostra Perspectives, e “Se eu fosse vivo... Vivia”, de André Novais Oliveira, da produtora Filmes de Plástico, teve sessão neste domingo (15/2), na seção Panorama, uma das principais mostras paralelas, focada em cinema autoral e político.
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O Brasil também esteve presente na Berlinale com “Rosebush pruning”, novo filme do cearense Karim Aïnouz, selecionado para a competição oficial pelo Urso de Ouro, prêmio máximo da mostra. Também exibido no sábado, o longa dividiu opiniões, diferentemente de “Se eu fosse vivo... Vivia”, que, segundo veículos de imprensa internacionais, teve uma recepção calorosa. O filme mineiro, coprotagonizado pela escritora Conceição Evaristo, que estreia como atriz, foi elogiado por sua abordagem afetiva do cotidiano.
No papel de Jacira, a escritora atua ao lado de Norberto Oliveira, pai do diretor, que interpreta o personagem Gilberto. Eles vivem um casal que atravessa cinco décadas de vida em comum na periferia de uma grande cidade. A crítica destacou a capacidade do filme em mostrar a vivência e o amor de um casal negro na terceira idade sem cair em clichês.
A presença da escritora no elenco foi amplamente noticiada e celebrada no festival. A obra foi reconhecida como uma investigação pessoal do diretor sobre perdas e a passagem do tempo
Grace Passô, acompanhada da equipe, apresentou seu primeiro longa, “Nosso segredo”, filmado em BH, na seção Perspectives da mostra alemã, dedicada a talentos emergentes Kathleen Kunath/divulgação
História pessoal
André Novais disse, em entrevista recente ao Estado de Minas, que “Se eu fosse vivo... Vivia” parte de uma história pessoal – o luto que viveu pela morte de sua mãe, Dona Zezé, em 2018. Ela chegou a atuar em algumas de suas produções e também inspirou o nome da distribuidora Malute, que a Filmes de Plástico criou.
Malute era como Norberto a chamava. Ambientado entre o Brasil dos anos 1970 e os dias atuais, o filme transita entre o drama e a comédia de costumes, trazendo, ainda, elementos inesperados de ficção científica.
Com alguns pontos de convergência com o longa de André Novais, “Nosso segredo” foi recebido em Berlim como um “poema visual” e uma celebração da força do cinema brasileiro contemporâneo e das narrativas de famílias negras.
Exibido no Bluemax Theater, dentro da nova seção competitiva Perspectives, dedicada a revelar novos talentos do cinema, o filme, que acompanha uma família lidando com o luto e o silêncio, foi elogiado por retratar uniões afetivas e a superação de traumas.
Em seu discurso de apresentação, Grace Passô, que tem no currículo como realizadora audiovisual o curta “República” e o média-metragem “Vaga carne”, afirmou: “Nós somos um povo brasileiro, nós somos latino-americanos, somos América”. Sobre o longa, ela disse tratar-se de “um filme que fala sobre família, sobre a capacidade das pessoas de se juntarem dentro de um universo afetivo para tentar vencer seus traumas, seus problemas; fala da capacidade de união”.
Produção internacional
Coprodução entre Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido, rodada em inglês, “Rosebush pruning” tem argumento assumida e livremente inspirado em “I pugni in tasca” (De punhos cerrados), primeiro filme do cineasta italiano Marco Bellocchio, de 1965.
O longa de Karim Aïnouz, atualmente radicado em Berlim, conta com elenco estelar, que inclui Elle Fanning, Callum Turner, Jamie Bell e Pamela Anderson, entre outros, e roteiro assinado pelo grego Efthimis Filippou, colaborador frequente de Yorgos Lanthimos, seu conterrâneo.
A trama explora a disfuncionalidade de uma família americana rica vivendo na Espanha. Quatro irmãos e o pai, cego e autoritário, não trabalham, não estudam, não fazem nada. São herdeiros, que trocam carinhos esquisitos e se medem por relógios, bolsas, roupas e sapatos de grife.
“Um brasileiro olhando para uma família americana, acho que é isso o que eu trouxe para a história”, disse Aïnouz, saudando a abertura do cinema contemporâneo para outros pontos de vista, na coletiva de imprensa realizada após a exibição do filme.
Ele comemorou seu retorno a Berlim após 14 anos, reforçando a importância do financiamento público para o cinema brasileiro. Parte da crítica destacou “Rosebush pruning” como ácido e estilizado. Outra parte considerou o longa sem substância, com uma narrativa superficial.
O elenco, especialmente Jamie Bell e Riley Keough, e a estética luxuosa foram elogiados, mas a profundidade narrativa foi questionada. “Tenta ser transgressor sem sucesso” e “falha em aprofundar sua mensagem”, avaliaram alguns críticos. (Com agências de notícias)