Dom Pedro I se rende aos encantos de Dona Beja no folhetim da HBO Max
Ator português Pedro Carvalho conta que buscou explorar a personalidade impulsiva e apaixonada do imperador, evitando transformá-lo em 'monumento histórico'
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Em “Dona Beja”, novela da plataforma HBO Max, Pedro Carvalho interpreta Dom Pedro I, que se envolve com a protagonista, vivida por Grazi Massafera. “Rapidamente ele se rende aos encantos dela e faz de tudo para conquistá-la. Não mede esforços para cortejá-la, mesmo na presença da imperatriz.
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Quase chegam a consumar o envolvimento mais íntimo, até que Beja o rejeita”, conta o ator português. Há 10 anos, Carvalho ficou conhecido no Brasil ao protagonizar a novela “Escrava mãe”, produção de época da Record.
Para viver Dom Pedro I na releitura de “Dona Beja”, assinada por Daniel Berlinsky, o ator estudou o contexto histórico, cartas, relatos e diferentes leituras sobre o imperador, mas sempre com a preocupação de não transformá-lo em “monumento histórico”.
“Interessava-me sobretudo o homem por trás do imperador: impulsivo, apaixonado, contraditório. A preparação passou muito por entender as emoções dele, o romantismo quase arrebatado, e por encontrar uma verdade emocional que o aproximasse do público contemporâneo”, explica.
Tráfico
Afastado da TV aberta desde “Fuzuê” (Globo, 2023), Carvalho poderá ser visto também na sexta temporada de “Impuros” (Disney+). Na série, ele interpreta Igor, agente da unidade especial antitráfico e antissequestro. “Ele está mais exposto, mais pressionado e com conflitos internos mais evidentes”, comenta.
Na última década, Pedro Carvalho se dividiu entre produções portuguesas e brasileiras. “O Brasil tem indústria (audiovisual) maior e mais estruturada em termos de volume, enquanto Portugal trabalha muito com coproduções e olhar mais local. Mas sinto que os dois mercados estão cada vez mais próximos, especialmente com o crescimento das plataformas de streaming”, avalia Pedro Carvalho.
O ator fez parte do elenco de “Ouro Verde”, novela que ganhou o Emmy Internacional. Essa produção misturou cenários, artistas e equipes técnicas brasileiras e portuguesas.
“Há interesse crescente de ambos os lados, mais circulação de profissionais e histórias que atravessam fronteiras. Essa troca é fundamental para enriquecer as narrativas e ampliar o alcance das produções em língua portuguesa”, completa.
Aos 40 anos, Pedro diz que seus personagens foram ganhando mais complexidade ao longo do tempo. A primeira participação fixa dele ocorreu no sucesso teen “Morangos com açúcar”, uma espécie de “Malhação” portuguesa, há duas décadas.
Ele procura papéis que o desafiem e não sejam óbvios. “Gostaria muito de interpretar personagens históricos novamente, ou até um grande antagonista, alguém profundamente contraditório. Tenho muita vontade de interpretar um personagem real de true crime.”
Carvalho não se limita à atuação. À frente da Gato Pingado Produções, desenvolve os longas “Match real” e “Maria Soldado”, ambos contemplados em edital da Agência Nacional do Cinema (Ancine).
“A Gato Pingado quer contar histórias humanas, relevantes, que provoquem reflexão, mas também dialoguem com o público de forma emocional”, argumenta ele, que segue priorizando a atuação em projetos no Brasil e em Portugal. Recentemente, concluiu as filmagens do longa “A versão da lei”, dirigido por Nina Fachinello.
Mão dupla
A experiência na produção influencia o trabalho como ator. Como produtor, ele passou a ter visão mais ampla do processo – do desenvolvimento do roteiro à distribuição. Isso faz com que, como ator, seja mais consciente das necessidades da narrativa, do orçamento, do tempo e do coletivo.
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“O inverso também acontece: a experiência como ator ajuda-me a proteger o trabalho artístico dentro da produção, a criar ambientes mais humanos e criativos”, conclui Pedro Carvalho.