Com tantos familiares, reeleição para quê, né, Flávio Bolsonaro?
A afirmação de Valdemar da Costa Neto deixa a interpretação aberta. Deduz-se que, nessa linha, o projeto seja o filho suceder o pai e este, suceder o filho
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Embora muitas famílias que vivem da política tenham naturalizado no Brasil a inclusão de maridos, esposas, filhos, enteados, irmãos, entre outros parentes na equação estratégica para a ocupação de espaços, ainda não havia registro na história republicana, de revezamento no poder entre presidentes da República e filhos. Considerado favorito na corrida presidencial deste segundo turno pelo mercado financeiro, plataformas de mercado preditivo e consultorias norte-americanas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já é abordado, por antecipação, como eleito. A se confirmar, ele poderá abrir um novo ciclo consanguíneo na política brasileira.
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Por um lado, Flávio Bolsonaro acena aos apoiadores e potenciais candidatos do campo à Presidência da República em 2030, como Tarcísio de Freitas, com a proposta de emenda constitucional, de sua autoria, que propõe o fim da reeleição. Por outro lado, contudo, o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, em seu brutal sincericídio, em entrevista exclusiva à CNN, na segunda, 5 de outubro, informa a real: projetou Jair Bolsonaro como um “forte candidato” à Presidência da República em 2030. Valdemar não tem dúvidas de que Flávio Bolsonaro, uma vez eleito, concederá indulto ao pai, condenado por tentativa de golpe de estado. A afirmação de Valdemar da Costa Neto deixa a interpretação aberta. Deduz-se que, nessa linha, o projeto seja o filho suceder o pai e este, suceder o filho.
Flávio Bolsonaro declara a intenção de fazer uma reforma política e também pôr fim à reeleição, mas, se eleito, poderá passar o bastão ao pai daqui a quatro anos. Mudar é um clamor nacional. A questão é: em que direção? Para colocar tal projeto em curso, Flávio precisaria alterar o artigo 14, § 7º, da Constituição Federal, segundo o qual, são inelegíveis para o mesmo cargo o cônjuge, parentes consanguíneos ou afins até o segundo grau ou por adoção. Alcançar quórum qualificado para alterar a Constituição Federal não será problema para um eventual futuro governo Flávio Bolsonaro: no Senado, só o PL elegeu uma bancada recorde de 28 cadeiras para a legislatura que se inicia em 2027 e, na Câmara dos Deputados, a legenda alcançou 121 cadeiras. Flávio Bolsonaro precisará de poucos aliados para dominar o Congresso Nacional.
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Apesar de eventuais arranca-rabos públicos entre membros do clã Bolsonaro, como se presenciou este ano na desavença entre a madrasta e terceira esposa, Michelle Bolsonaro (PL-DF) e o primogênito, Flávio, é Jair quem dá a ordem ao final das contas. Condenado por tentativa de golpe de estado e inelegível, Jair Bolsonaro escolheu em dezembro de 2025 Flávio para concorrer à Presidência da República.
Em princípio houve resistência do mercado, dos setores produtivos, de lideranças evangélicas entre outros apoiadores que trabalhavam pela construção de uma candidatura para se contrapor à reeleição do presidente Lula (PT). O nome desejado era Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo tendo Michelle como vice. Recusando-se a abrir espaço para que outra liderança fora da família assumisse o comando da direita, Jair Bolsonaro resistiu e fez a transmissão simbólica de seu capital eleitoral para Flávio Bolsonaro.
Flávio não foi o único candidato do clã Bolsonaro nestas eleições gerais. Michelle Bolsonaro elegeu-se senadora, incluindo na primeira suplência da chapa o seu irmão, Diego Torres Dourado (PL). Carlos Bolsonaro (PL-SC), segundo filho de Jair com a primeira esposa, Rogéria Nantes Nunes Braga, elegeu-se para o Senado: para isso transferiu o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Santa Catarina, lá causando um racha com aliados do bolsonarismo de primeira hora, como o senador Esperidião Amin (PP-SC), que não conseguiu se reeleger.
O vereador em Balneário do Camboriú, Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), quarto filho de Jair, primeiro com a segunda esposa, Ana Cristina Valle, elegeu-se deputado federal. Também o irmão de Jair, Renato Bolsonaro (PL-SP), conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados. A única malsucedida do clã foi Rogéria Nantes Nunes Braga, mãe de Flávio, que adota Rogéria Bolsonaro como nome de urna: teve 65 mil votos e está na suplência. Nada que não se resolva com a eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
Neste momento inelegível, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro é o único filho adulto que não concorreu neste pleito. Dedica-se, nos Estados Unidos, às articulações para aproximar mais os Bolsonaros da alt-right norte-americana, além de manter viva a chama do relacionamento com o presidente Donald Trump, apresentando-lhe as oportunidades que encontrará no Brasil com a sua família no poder. São muitos os amantes da política nesta família. Até por isso, não faltarão cadeiras na mesa de jantar para o rodízio do poder.
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Transição
Com elegância política, o governador Mateus Simões (PSD) iniciou nesta terça-feira, 6, o processo de transição para a gestão do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos). Serão reuniões semanais do secretariado, com a novidade de que serão transmitidas ao vivo, como parte da estratégia anunciada pelo Executivo estadual para dar transparência à troca de mandato.
São as redes...
Os mais expressivos desempenhos eleitorais de deputados federais eleitos vieram, nesta eleição, de políticos que conquistaram grande audiência no ambiente digital. Nikolas Ferreira (PL), reeleito por Minas Gerais com mais de 3,1 milhões de votos, é caso emblemático: ele tem mais de 22 milhões de seguidores só no Instagram e dezenas de perfis associados. Foi o deputado mais votado da história da Câmara dos Deputados. Em São Paulo, Lucas Pavanato (PL) também arrebanhou 3.038.438 votos: o ex-vereador paulistano tem 5,5 milhões de seguidores só no Instagram.
... estúpido!
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) também transformou em votos a visibilidade digital e militância com conteúdos sobre direitos humanos, população LGBT+, desigualdade social e embates políticos. Foi reeleita com 1.596.472 votos. Entre os nomes mais votados de São Paulo está também Sâmia Bomfim (Psol), reeleita com 583.107 votos; Kim Kataguiri (Missão), com 520.071 e Tábata Amaral (PSB), com 476.383. Todos mantêm presença ativa e audiência própria nas plataformas digitais. No grupo dos dez deputados federais mais votados estão ainda nomes com forte presença nas redes: André Fernandes (PL-CE), Julia Zanatta (PL-SC), e Jeffrey Chiquini (Novo-PR).
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Novata
Aos 21 anos, concorrendo pela primeira vez, Ana Elisa (PT), de 21 anos, conquistou 524 mil votos, ficando entre as candidaturas mais votadas do estado. Ela construiu a sua militância nas redes a partir da produção de conteúdos sobre direito e democracia. No Instagram ela tem 2,3 milhões de seguidores e, no Tik Tok, quase um milhão.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.