O chão da disputa em Minas e em Goiás
Após a euforia, Augusto Cury tem neste momento 4% das intenções de voto. Ele retorna, assim, ao mesmo patamar de Ronaldo Caiado e Renan Santos, com 3% cada. Romeu Zema segue com 1%
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À medida que se aproxima a votação em primeiro turno, vai se reafirmando no plano nacional o impasse político da sociedade brasileira. Embora 44% dos eleitores, em princípio, não tenham no presidente Lula (PT) ou no senador Flavio Bolsonaro (PL) a primeira opção de voto; 56% de bolsonaristas convictos ou lulistas convictos tracionam a polarização, esvaziando qualquer potencial terceira via.
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Segundo a BTG Pactual-Nexus de 28 a 30 de agosto, esses 44% se distribuem assim: 18% não estão engajados nem pelo antilulismo nem pelo antibolsonarismo; 7% não se posicionam nas escalas de sentimento nem em relação a Lula nem a Flávio Bolsonaro; 9% rejeitam ambos; 4% votam em Lula como uma alternativa e 6% fazem o mesmo em relação a Flávio Bolsonaro. Isso significa dizer que no conjunto de nomes colocados para a disputa nacional, 10% de eleitores pretendem votar em um dos dois como a escolha possível, não a desejada.
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O escritor Augusto Cury (Avante) foi a mais recente aposta da terceira via que ameaçou decolar e agora dá sinais de esvaziamento. Cury chegou a registrar entre a última semana de agosto e a primeira semana de setembro 11% das intenções de voto nesta BTG Pactual-Nexus divulgada nessa segunda, 21. Cury alcançou o melhor desempenho entre os potenciais candidatos à terceira via – os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além de Renan Santos. Mas, após a euforia, Augusto Cury tem neste momento 4% das intenções de voto, segundo o mais recente levantamento da BTG Pactual-Nexus. Cury retorna, assim, ao mesmo patamar de Ronaldo Caiado e Renan Santos, com 3% cada. Romeu Zema segue com 1%.
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Diferentemente de Romeu Zema, ao se lançar ao Palácio do Planalto, Ronaldo Caiado manteve o controle da sucessão em Goiás. O candidato de Caiado à reeleição, o atual governador Daniel Vilela (MDB), foi seu vice e assumiu o governo com a desincompatibilização dele para concorrer à Presidência da República. Mesmo fora do comando do governo desde março, Caiado é a personalidade política decisiva naquela corrida estadual: Daniel Vilela usa e abusa da associação direta com Caiado, que marca presença com frequência em atos de campanha de Vilela, apontado como o favorito segundo as pesquisas de intenção de voto, à frente do candidato bolsonarista, Wilder Morais (PL) e do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Caiado desponta com 19,2% das intenções de voto para a Presidência da República em Goiás, de acordo com a Atlas Intel realizada entre 27 de agosto e 1º de setembro. Caiado sabe que perderá a presidência, mas sabe também que a sua prioridade agora é manter a hegemonia política em seu estado.
Variando entre 1% e 2% das intenções de voto, segundo o instituto, talvez, a esta altura, o ex-governador de Minas Romeu Zema tenha compreendido que a sua candidatura ao Planalto pode até ajudar o Novo a eleger mais deputados federais e formar uma bancada, mas em muito prejudicou a formação de alianças de seu candidato ao Palácio Tiradentes, Mateus Simões (PSD). Em Minas, a chamada “união da direita” não se viabilizou porque, no plano nacional, Zema é adversário de Flávio Bolsonaro. A situação de Mateus Simões na corrida mineira não é confortável.
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Diferentemente da disputa presidencial, em que se vislumbra com grande probabilidade de ocorrência um segundo turno acirrado, de briga voto a voto, entre Lula e Flávio, em Minas Gerais a sucessão está aberta: o senador Cleitinho (Republicanos) é favorito, com vaga certa no provável segundo turno. A segunda posição da eleição mineira segue embolada entre o deputado federal Patrus Ananias (PT) e o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT). Mateus Simões (PSD), a depender do levantamento de campo, segue a poucos pontos percentuais de ambos: tem estrutura de governo, tempo de propaganda para reagir, mas falta-lhe neste momento espaço para crescer. Cleitinho domina o campo bolsonarista, onde também está fincado o empresário Flávio Roscoe (PL). Se o eleitor de Patrus e de Kalil se inclina menos a Mateus Simões, resta-lhe mirar o naco dos indecisos. É um quadro não impossível, mas difícil. E a diferença em relação a Goiás é que Caiado é uma liderança política presente. No caso mineiro, Romeu Zema anunciou em agosto a sua mudança para São Paulo. Fizeram apostas diferentes.
Debates
Dos sete debates entre candidatos ao governo de Minas organizados por veículos de comunicação e programados entre 16 de agosto e 21 de setembro, um deles foi cancelado pelo baixo quórum de candidaturas confirmadas. Nos outros seis, em nenhum deles estiveram presentes todos os seis principais candidatos. Na TV Catedral/Veja e no debate da Jovem Pan/Rádio Maravilha, o único a comparecer foi Gabriel Azevedo (MDB). Entre candidatos, Gabriel tem sido o único assíduo: compareceu a todos. O governador Mateus Simões (PSD) e o empresário Flávio Roscoe foram a três debates cada, entre os quais, o da TV Alterosa, na sexta, 18.
Covid-19
Com Covid-19, Flávio Roscoe não pôde comparecer nessa segunda ao debate promovido pela TV Record. Enfrentaram-se Gabriel Azevedo e Mateus Simões. Até aqui o senador Cleitinho (Republicanos) e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT) participaram de um debate, o de abertura, na Band, 16 de agosto. O deputado federal Patrus Ananias (PT) ainda não compareceu a nenhum: cancelou a sua participação nessa segunda, 21, quando soube que nem Cleitinho nem Kalil iriam.
Infidelidade
A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a perda do mandato de Glaycon Franco (PSDB-MG) por infidelidade partidária, em cumprimento a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte concluiu que o parlamentar deixou o PV, partido pelo qual conquistou a primeira suplência nas eleições de 2022, sem uma hipótese de justa causa que lhe permitisse manter o direito à vaga. Glaycon concorreu em 2022 pelo PV e ficou como primeiro suplente da chapa da federação PT-PCdoB-PV em Minas Gerais. A cadeira foi aberta em maio deste ano, quando Odair Cunha (PT) deixou a Câmara para assumir o Tribunal de Contas da União. Antes da saída de Odair, porém, Glaycon havia deixado o PV. A desfiliação ocorreu no fim de março, durante a janela partidária, quando se filiou ao PSDB.
Gilmar Machado
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A ação para retirar o mandato de Glaycon Franco foi apresentada pelo Diretório Nacional do PV. O partido sustentou que a possibilidade de troca de legenda durante a janela partidária não se aplica a suplentes que ainda não exercem mandato. Com a saída de Glaycon, a vaga será preenchida pelo segundo suplente da federação, Gilmar Machado (PT).
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.