Novo Datafolha e a gravidade da hora
Em "timing" criticado pelo viés político eleitoral, Mendonça divulgou no domingo, o relatório e as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, expondo o ministro que julgou a trama golpista
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Embora seja investigado pela Polícia Federal por sua associação com o banqueiro Daniel Vorcaro para o suposto financiamento do filme Dark Horse, biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prevista para ser lançada na véspera do pleito, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou algum fôlego com a crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque embora Daniel Vorcaro seja também o pivô da tormenta, ao centro do debate está o ministro Alexandre de Moraes. Ele foi alvo de relatório da Polícia Federal que, sob decisão do ministro André Mendonça, investigou as pessoas mencionadas nas trocas de mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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Em “timing” criticado pelo viés político eleitoral, Mendonça divulgou no domingo, 6, o relatório e as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, expondo o ministro que relatou o processo da trama golpista e votou pela condenação dos réus, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do “núcleo crucial”. O caso de Moraes precisa, em algum momento, ser julgado. Assim como, pelas informações que se tem até aqui, os outros ministros, inclusive André Mendonça, com diferentes níveis e graus de envolvimento com Vorcaro. A conta-gotas, pingam novas histórias minuto a minuto, extraídas do celular do maior fraudador do sistema bancário brasileiro. Muito há ainda por se saber.
Mas em plena campanha eleitoral, a atuação de Mendonça transferiu o debate político eleitoral entre candidatos para o âmbito do STF. Obliterou-se programas de governo, propostas para o país e, sobretudo, explicações que candidatos devem à sociedade – como no caso de Flávio Bolsonaro em relação ao financiamento do Dark Horse – para cravar no coração do debate o STF, que já era alvo do bolsonarismo desde 2018.
O STF precisa ser discutido, sem dúvida. Aliás, o Poder Judiciário e seus privilégios e supersalários, em suas relações não transparentes com bancas de advocacia de familiares. Mas, certamente o debate apropriado não se dá num contexto cínico de narrativas eleitorais, em que o candidato que mais se beneficia da crise está também sob investigação pelo mesmo Daniel Vorcaro.
Em números, o mais recente Datafolha divulgado nesta quinta-feira, 17, apresenta mais uma oscilação positiva nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, que se somam a outras que ocorreram em levantamentos deste mesmo instituto a partir de 17-18 de junho. Naquele momento, Flávio Bolsonaro tinha 31% das intenções de voto e Lula 40%. As candidaturas que tentavam se apresentar como terceira via seguiam desidratadas, com no máximo 3% das preferências. Nos quatro levantamentos seguintes, Flávio Bolsonaro oscilou para 32%, depois 33% e agora, 35%, configurando-se um crescimento de 4 pontos percentuais em relação a junho.
Lula, que em junho tinha 41%, oscilou para 39%. Entre junho e este mais recente levantamento, a simulação de segundo turno indicou o encolhimento da diferença de 4 pontos percentuais em favor de Lula - de 47% a 43% - agora para 2 pontos percentuais – 46% a 44%. Segue, portanto, a mesma situação de empate técnico, mas com um viés de melhora de desempenho de Flávio Bolsonaro. Em que pese o último Datafolha, realizado em 8 de setembro, oito em cada dez eleitores tenham afirmado que a crise no STF não alterará o seu voto, é um pleito apertado, que será vencido nos detalhes. Bastam 2 em 10, para virar o jogo. Exatamente por isso, na montanha russa desta eleição, ainda se esperam novas curvas e inclinações extremas a desafiar a gravidade.
Sem Cleitinho
Em crítica à ausência do senador Cleitinho (Republicanos) no encontro que havia sido programado com o candidato ao governo de Minas nesta quinta, 17, o presidente da Fecomércio, Nadim Donato, afirmou: “Representamos cerca de 800 mil empresas, vários funcionários e uma parcela significativa do PIB mineiro, e nós precisaríamos que ele nos ouvisse”, afirmou. A entidade recebeu na manhã de quinta, Gabriel Azevedo (MDB) e à tarde, conversaria com Cleitinho, que informou que não poderia comparecer. “Independentemente da posição dele, mesmo que seja a favor de acabar com a escala 6x1, por exemplo, ele teria que pelo menos nos ouvir. É simplesmente não atender o anseio de uma entidade tão importante”, disse Nonato.
Encontros
A Fecomércio, entidade que reúne 54 presidentes de sindicatos empresariais, promove agenda de diálogo institucional do Sistema Fecomércio MG, Sesc, Senac e Sindicatos Empresariais com os principais candidatos que concorrem ao governo do Estado. O objetivo dos encontros com os candidatos é garantir espaço para o diálogo e para a apresentação das demandas do setor. Já participaram da rodada Alexandre Kalil (PDT), Mateus Simões (PSD), Flávio Roscoe (PL) e Gabriel Azevedo (MDB). Patrus Ananias (PT) confirmou participação no próximo 24.
Missão internacional
A primeira Missão Internacional da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro) aconteceu no Uruguai, entre os dias 13 e 16 deste setembro, com foco na integração institucional, política e empresarial do setor. “É uma missão histórica. Começamos pelo Uruguai, com o propósito de promover a internacionalização do agronegócio brasileiro, trocar experiências sobre a agropecuária sustentável e estreitar laços na América Latina. A próxima será no Paraguai”, afirma Manoel Mário de Souza Barros, diretor-presidente.
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Lideranças
A comitiva da Alagro foi integrada por líderes empresariais, pesquisadores, professores e cientistas do agro brasileiro, entre os quais Fernando Matos, diretor da Alagro e ex-ministro da Agricultura do Uruguai, e Rafael Lacerda, vice-presidente da Alagro. Além de reuniões oficiais com representantes do Ministério da Agricultura do Uruguai, a missão também se reuniu com a Embaixada Brasileira em Montevidéu, representantes do Mercosul, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura(IICA) e Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). Foi ainda realizada visita técnica junto à Conaprole(cooperativa de leite), produtores locais e zona de livre comércio uruguaia.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.