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Estado de Minas CIÊNCIA

Uso de máscara, além de proteger, pode reduzir sintomas da COVID-19

Artigo publicado em revista científica analisa dados e estudos sobre contágio do coronavírus e sugere potencial de imunização com pouca carga viral


09/09/2020 19:01 - atualizado 09/09/2020 19:45

(foto: Juarez Rodrigues/D.A./Press)
(foto: Juarez Rodrigues/D.A./Press)

Um artigo divulgado pela revista científica New England Journal of Medicine (NEJM) indica que o uso de máscara, além de proteger do novo coronavírus, diminui chances de complicações por quem é contaminado. A publicação é uma perspectiva feita sob uma análise de dados e estudos divulgados em todo mundo a respeito do uso de máscara e adoção ao distanciamento físico.

“À medida que o Sars-CoV-2 continua sua propagação global, é possível que um dos pilares do controle da pandemia COVID-19, o mascaramento facial universal, possa ajudar a reduzir a gravidade da doença e garantir que uma proporção maior de novas infecções seja assintomática. Se essa hipótese for confirmada, o mascaramento universal poderia se tornar uma forma de “variolação” que geraria imunidade e, assim, retardaria a disseminação do vírus nos Estados Unidos e em outros lugares, enquanto aguardamos uma vacina”, diz o artigo assinado pelos médicos e cientistas Monica Gandhi e George W. Rutherford e publicado nessa terça-feira (8).

Esse potencial que o artigo chama de “variolação” é uma referência ao processo de imunização utilizado em meados do século 18 para prevenir a varíola. Esse método era feito inoculando uma varíola benigna para proteger a pessoa contra a forma grave da doença.

“Era aplicar ‘casquinha de pereba’ das pessoas que tinham varíola na população. Como sendo uma ‘imunização com poucos vírus’ e deixando o resto para o organismo resolver”, explica Unaí Tupinambás, infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A publicação indica que o número de pessoas que não desenvolve sintomas de COVID-19 pode aumentar entre os que usam máscara. “Podemos ter tido realmente muitos casos assintomáticos (de COVID-19) que sequer foram detectados nos inquéritos”, acredita o especialista.

Isso também pode explicar o motivo de casos aumentarem e as hospitalizações e mortes não crescerem na mesma medida. “Os autores estão dizendo que a máscara diminui tanto a liberação de vírus quanto a possibilidade de uma pessoa com máscara pegar o vírus. E, quanto maior a quantidade de vírus que afeta uma pessoa, maior a quantidade de sintomas dela”, acrescenta a microbiologista e professora Viviane Alves, do Departamento de Microbiologia da UFMG.

Texto não é conclusivo

Para testar a hipótese de que o mascaramento em toda a população é uma das estratégias enquanto não se tem uma vacina, os cientistas que assinam o artigo deixam claro que é preciso mais estudos comparando a taxa de infecção assintomática em áreas com e sem mascaramento.

“Esse não é, de fato, um estudo. É uma perspectiva que fala sobre dados disponibilizados e algumas hipóteses sobre o efeito de máscaras e distanciamento”, explica Viviane.  “A gente não pode afirmar ainda no mundo inteiro, nem no Brasil, que a máscara está levando pessoas a serem menos sintomáticas”, ressalta.

Mesmo assim, a análise publicada na revista científica é um avanço que reforça a necessidade de proteção facial, como finalizam os autores. “O combate à pandemia envolverá a redução das taxas de transmissão e da gravidade da doença. Cada vez mais evidências sugerem que o mascaramento facial em toda a população pode beneficiar ambos os componentes da resposta”, diz o texto.

Use máscara

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que governos incentivem o uso da proteção, mas especialistas alertam: máscara não é vacina nem elimina a necessidade do distanciamento social. E precisa ser usada corretamente, associada a medidas de higiene.

“A máscara forma uma barreira física, não impede 100% de se infectar. Por isso a gente fala: usar a máscara sem fazer distanciamento, não adianta nada”, afirma a microbiologista. “Com essa flexibilização onde em bares e praias as pessoas aglomeram sem máscara, o que a gente vai observar é provavelmente o número no aumento de casos e de mortes”, aponta Viviane.


O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp


Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
  

Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê


Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Vídeo explica por que você deve 'aprender a tossir'


Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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