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Estado de Minas CHECAMOS

Chapecó não 'esvaziou' leitos de UTI com tratamento precoce contra COVID

Notícia compartilhada milhares de vezes em redes sociais é fake news; cidade em Santa Catarina tem média de internados em abril até maior que em março


07/04/2021 20:44 - atualizado 08/04/2021 07:57

Publicações compartilhadas dezenas de milhares de vezes em redes sociais desde o início de abril asseguram que a cidade de Chapecó, em Santa Catarina, zerou o número de pacientes com covid-19 em Unidades de Tratamento Intensivo com o chamado “tratamento precoce”.

Isso é falso. A média de internados em UTI com a doença na cidade nos primeiros dias de abril é superior à vista no mesmo período dos outros meses de 2021. Chapecó registrou, na verdade, uma queda no número de casos ativos de covid-19 entre março e abril, mas não é possível afirmar que isso tenha sido consequência do tratamento precoce.
“Maravilha! Chapecó esvazia leitos de UTI com tratamento precoce”, diz texto amplamente compartilhado no Facebook (1, 2, 3) desde o último dia 3 de abril. “Prefeito de Chapecó zerou UTi's com o tratamento precoce!! Mas vc não vai ver na mídia, porque para eles, notícia boa é gente morrendo!!”, escreveu outro usuário.

Outras versões - difundidas inclusive pela deputada federal Carla Zambelli (PSL) - compartilham um vídeo em que o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), mostra uma unidade hospitalar vazia e asseguram: “Prefeito de Chapecó zera internações na UTI por covid-19! Conseguem adivinhar como?”

Em 7 de abril, o presidente Jair Bolsonaro visitou a cidade catarinense, elogiando a maneira como o governo local lidou com a pandemia e o tratamento precoce.

Não é verdade, no entanto, que Chapecó não tenha mais pacientes internados com covid-19 em Unidades de Tratamento Intensivo.

Ocupação de UTIs


Segundo registrado no boletim epidemiológico da própria Prefeitura de Chapecó, neste dia 7 de abril de 2021 há 116 pacientes com covid-19 em leitos de UTI da cidade. Isso corresponde a uma taxa de ocupação de 93% dos leitos de UTI públicos e de 90% dos privados, ainda de acordo com a Prefeitura. 
Captura de tela feita em 7 de abril de 2021 de uma publicação no Facebook
Captura de tela feita em 7 de abril de 2021 de uma publicação no Facebook

Do dia 1º até 6 de abril, o número de internados com coronavírus em Unidades de Tratamento Intensivo era, respectivamente, de: 131, 132, 130, 130, 129 e 121 pessoas - levando a uma média diária de 127 pacientes em leitos de UTI, incluindo os dados do último dia 7.

A média correspondente ao mesmo período nos meses anteriores de 2021 era inferior.

Nos sete primeiros dias de março, por exemplo, foi registrada a média de 113 pacientes em UTIs, ainda de acordo com os dados da Prefeitura. Já na primeira semana de janeiro e fevereiro, a média era respectivamente de 37 e 39 pacientes em leitos de tratamento intensivo.

Os leitos vazios exibidos pelo prefeito João Rodrigues no vídeo viralizado não eram de UTI, mas da Unidade de Tratamento Semi-Intensivo (UTSI) do Centro Avançado de Atendimento Covid-19, um hospital de campanha inaugurado no último dia 24 de fevereiro. Desde o início, o objetivo do centro era funcionar como um “local de passagem”, atendendo pacientes que aguardavam vagas em outros hospitais.

Segundo informou a Prefeitura, toda a estrutura do hospital de campanha pôde ser desativada neste mês de abril devido à alta de 100 pessoas, mas também devido à transferência de 85 pacientes para outros centros médicos.

Desde que o Centro Avançado de Atendimento Covid-19 foi inaugurado, foram criados 26 novos leitos de UTI no Hospital Regional do Oeste - principal hospital público da região -, o que pode ter ajudado a diminuir a procura pelo centro elaborado como “local de passagem”

Casos ativos e medidas restritivas


O que realmente foi registrado em Chapecó em abril deste ano foi uma queda acentuada no número de casos ativos de covid-19 em relação a março. Neste dia 7 de abril, há 569 casos do novo coronavírus na cidade, contra 4.244 no mesmo dia do mês anterior. Não é possível afirmar, no entanto, que essa redução se deva ao tratamento precoce.

Ao longo desse período, o governo local realmente estimulou a rápida medicação de pessoas com covid-19, mas não somente.

Em 5 de março, por exemplo, Chapecó acatou decretos estaduais determinando toque de recolher das 22h às 5h, limitando o horário de funcionamento de bares e proibindo o consumo de bebidas alcoólicas em áreas públicas. No dia 9 do mesmo mês, foi instituída uma barreira sanitária na cidade, medindo a temperatura e testando aqueles que desejassem entrar em Chapecó.
Boletim epidemiológico de covid-19 de 7 de abril de 2021 divulgado pela Prefeitura de Chapecó
Boletim epidemiológico de covid-19 de 7 de abril de 2021 divulgado pela Prefeitura de Chapecó

No dia 11, foram instauradas medidas mais rígidas por um final de semana, proibindo o funcionamento de serviços considerados não essenciais e limitando a comercialização de alimentos e bebidas a serviços de entrega ou à retirada nos estabelecimentos.

Até o último dia 5 de abril, ainda estavam vigentes diversas medidas restritivas.

Quando o número de casos ativos começou a cair, em meados de março, o secretário-adjunto da Saúde, Jader Danielli, atribuiu a melhora a uma série de fatores, como registrado no site da Prefeitura.

“Isso é fruto de um conjunto de medidas tomadas pela Administração Municipal, como uma melhora na eficiência operacional, isolamento, tratamento mais adequado com a abertura de mais leitos, mais profissionais e equipamentos”, disse. “Pedimos que a população continue tomando cuidado para que esses números não voltem a crescer. Quem não precisar sair de casa, não saia. Se sair, vá sozinho, use máscara e mantenha o distanciamento”, acrescentou.  

Tratamento sem comprovação


Além do tratamento precoce não ter sido a única medida implementada pela Prefeitura de Chapecó, não há evidências de que essa estratégia seja capaz de combater o novo coronavírus.

Embora o governo local não detalhe quais medicamentos estão sendo indicados para lidar com a doença, o chamado tratamento precoce costuma incluir combinações de hidroxicloroquina, ivermectina, vitamina C e zinco - substâncias que não são recomendadas por organizações de saúde para tratar a covid-19.
Lojas fechadas devido a medidas restritivas contra a pandemia de covid-19 em São Paulo, em 6 de março de 2021 (Miguel Schincariol / AFP)
Lojas fechadas devido a medidas restritivas contra a pandemia de covid-19 em São Paulo, em 6 de março de 2021 (Miguel Schincariol / AFP)

Remédio comumente utilizado para tratar a malária, a hidroxicloroquina foi alvo de diversos estudos durante a pandemia de covid-19.

Em 5 de junho de 2020, por exemplo, pesquisadores da Universidade de Oxford compararam a evolução de pacientes de covid-19 que receberam hidroxicloroquina com aqueles que receberam o tratamento usual, concluindo que não houve diferença significativa na taxa de mortalidade ou redução no período de internação hospitalar.

Em outubro de 2020, a hidroxicloroquina também não se mostrou capaz de reduzir substancialmente a gravidade de sintomas em pacientes ambulatoriais com covid-19 leve e inicial.

Para a Agência Europeia de Avaliação de Medicamentos (EMA) não somente não há evidências de efeitos benéficos do uso do medicamento contra a covid-19, como este pode “causar alguns efeitos colaterais, incluindo problemas cardíacos”.

Já a eficácia da ivermectina - medicamento utilizado para tratar algumas infecções parasitárias - ainda está em estudo. Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o remédio não seja utilizado contra o novo coronavírus, a não ser em ensaios clínicos.

A OMS também destaca que micronutrientes como a vitamina C e o zinco são cruciais para o funcionamento correto do sistema imunológico, mas que não há, até agora, orientação para o seu uso como um tratamento contra a covid-19.

Conteúdo semelhante a este também foi verificado pelos sites Aos Fatos e Agência Lupa.

O que é um lockdown?

Saiba como funciona essa medida extrema, as diferenças entre quarentena, distanciamento social e lockdown, e porque as medidas de restrição de circulação de pessoas adotadas no Brasil não podem ser chamadas de lockdown.


Vacinas contra COVID-19 usadas no Brasil

  • Oxford/Astrazeneca

Produzida pelo grupo britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina recebeu registro definitivo para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No país ela é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

  • CoronaVac/Butantan

Em 17 de janeiro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, recebeu a liberação de uso emergencial pela Anvisa.

  • Janssen

A Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, contra a COVID-19. Trata-se do único no mercado que garante a proteção em uma só dose, o que pode acelerar a imunização. A Santa Casa de Belo Horizonte participou dos testes na fase 3 da vacina da Janssen.

  • Pfizer

A vacina da Pfizer foi rejeitada pelo Ministério da Saúde em 2020 e ironizada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi a primeira a receber autorização para uso amplo pela Anvisa, em 23/02.

Minas Gerais tem 10 vacinas em pesquisa nas universidades

Como funciona o 'passaporte de vacinação'?

Os chamados passaportes de vacinação contra COVID-19 já estão em funcionamento em algumas regiões do mundo e em estudo em vários países. Sistema de controel tem como objetivo garantir trânsito de pessoas imunizadas e fomentar turismo e economia. Especialistas dizem que os passaportes de vacinação impõem desafios éticos e científicos.


Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

 

Entenda as regras de proteção contra as novas cepas



 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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