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Estado de Minas ESTADOS UNIDOS

Covid-19: a americana de 22 anos que ganhou US$ 1 milhão por tomar vacina

Com o objetivo de aumentar o número de pessoas vacinadas contra covid-19, estado de Ohio, nos Estados Unidos, criou loteria sorteada entre os que tomaram vacina.


28/05/2021 20:46 - atualizado 28/05/2021 20:46

Abbigail Bugenske, de 22 anos, recebeu US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões) em uma 'loteria da vacina'(foto: BBC/Reprodução)
Abbigail Bugenske, de 22 anos, recebeu US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões) em uma 'loteria da vacina' (foto: BBC/Reprodução)
Para muita gente em um mundo com escassez de vacinas contra a covid-19, receber uma é ganhar na loteria.

 

Para a americana Abbigail Bugenske, 22 anos, o prêmio foi literal.

 

Apenas por haver tomado a vacina, Bugenske recebeu US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões). Ela foi sorteada nesta quarta (26/05) em uma "loteria de vacinas" do Estado de Ohio, nos Estados Unidos.

 

O programa, batizado de Vax-a-Million, foi criado para atrair mais interesse para a campanha de vacinação no Estado. Programas de incentivo à vacina nos Estados Unidos têm pipocado em diferentes cidades e Estados pelo país.

 

Todos os americanos adultos já podem se vacinar. Ou seja, por lá não faltam vacinas - diferente do que se vê em países como o Brasil, onde a falta de doses já fez atrasar a vacinação de milhares de brasileiros.

 

Apesar disso, o ritmo de vacinação nos Estados Unidos tem caído. Metade da população americana recebeu ao menos uma dose, mas a média de doses administradas por dia caiu consideravelmente no último mês.

 

A queda é preocupante em um país que já caminha para uma reabertura. E é aí que entram os programas de incentivo à imunização.

 

Bugenske, a nova milionária, não foi exatamente o público-alvo da campanha do governo de Ohio. Ao jornal americano The New York Times, ela disse ter tomado a vacina assim que chegou sua vez, antes da loteria ser anunciada. Depois, se inscreveu no sorteio. E se esqueceu completamente daquilo, até receber a ligação de que havia sido sorteada.

 

Bugenske é estudante de pós-graduação em engenharia aeroespacial na Ohio State University. Ela disse ao jornal The Washington Post que não tem planos de deixar o emprego. Quer doar parte de seu prêmio para a caridade e investir o restante.

 

"Eu incentivaria todos a tomarem a vacina", disse ela ao New York Times. "Se ganhar um milhão de dólares não é incentivo suficiente, eu realmente não sei o que seria."

 

São os outros 50% que ainda não tomaram nem uma dose da vacina que governos locais querem convencer que vale a pena sair de casa para receber uma injeção no braço. Se não pela imunidade conferida contra a covid-19, doença que já matou 3,5 milhões de pessoas no mundo e quase 600 mil nos EUA, pela conta bancária que pode engordar com alguns milhares de dólares.

 

"Minha esposa e eu visitamos mais de 40 centros de vacinação em todo o Estado, conversando com os habitantes de Ohio sobre o que os persuadiu a tomar a vacina. Muitos mal podiam esperar para serem vacinados. Outros se oponham tanto que não tínhamos esperança de convencê-los", escreveu o governador de Ohio, o republicano Mike DeWine, em um artigo para o New York Times.


Stefanie Dunahay, 39, e Matt Dunahay, 39, aguardam para receber a vacina contra o coronavírus no Centro Comunitário de Bradfield em Ohio em março de 2021(foto: REUTERS/Megan Jelinger)
Stefanie Dunahay, 39, e Matt Dunahay, 39, aguardam para receber a vacina contra o coronavírus no Centro Comunitário de Bradfield em Ohio em março de 2021 (foto: REUTERS/Megan Jelinger)

 

"Havia um terceiro grupo que não tinha sentimentos fortes sobre a vacina. Muitas pessoas simplesmente não estavam com pressa. Este foi o grupo com que eu sabia que tínhamos uma oportunidade."

 

Segundo ele, desde o anúncio da loteria - com mais quatro ganhadores nas próximas quatro semanas -, a taxa de imunização aumentou 49% entre as pessoas com mais de 16 anos em Ohio, 36% entre minorias e 65% em pessoas morando em áreas rurais. O governador diz também que foi procurado por outros gestores estaduais para compartilhar detalhes sobre seu projeto.

 

A lista de iniciativas parecidas nos EUA é grande: que tal uma vacina no metrô em Nova York e, de quebra, ingressos gratuitos para atrações turísticas na cidade ou passagem livre no metrô durante uma semana?

 

O governador da Califórnia anunciou que o Estado distribuirá cartões pré-pagos com US$ 20 (R$ 105) e outros prêmios para as próximas 2 milhões de pessoas que se vacinarem. Trinta ganhadores receberão US$ 50 mil (R$ 261 mil) e dez pessoas extremamente sortudas vão ganhar não só anticorpos como também US$ 1,5 milhão (R$ 7,8 milhões).

 

Em Estados como Colorado, Maryland e Oregon há iniciativas semelhantes. Há cidades distribuindo cerveja de graça. E no Estado de Nova Jersey o prêmio é… um jantar com o governador. O prêmio para se vacinar nos EUA virou moda.

 

Não sem críticas: a imprensa americana vem registrando comentários de políticos e autoridades de saúde desaprovando a alocação de recursos. A loteria de Ohio, por exemplo, está sendo financiada com aporte do governo federal para combate ao coronavírus, algo que não foi 100% bem visto.

 

Também não se sabe o quão eficaz é a medida. US$ 1 milhão é capaz de fazer as pessoas mudarem de opinião sobre a vacina? Há quem diga que haverá mais desconfiança justamente por causa de um pagamento exagerado para algo que deveria ser tomado sem recompensas - ou com apenas a simples gratificação de proteger o vacinado de uma doença perigosa e contribuir para uma proteção coletiva.

 

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Vacinas contra COVID-19 usadas no Brasil

  • Oxford/Astrazeneca

Produzida pelo grupo britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina recebeu registro definitivo para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No país ela é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

  • CoronaVac/Butantan

Em 17 de janeiro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, recebeu a liberação de uso emergencial pela Anvisa.

  • Janssen

A Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, contra a COVID-19. Trata-se do único no mercado que garante a proteção em uma só dose, o que pode acelerar a imunização. A Santa Casa de Belo Horizonte participou dos testes na fase 3 da vacina da Janssen.

  • Pfizer

A vacina da Pfizer foi rejeitada pelo Ministério da Saúde em 2020 e ironizada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi a primeira a receber autorização para uso amplo pela Anvisa, em 23/02.

Minas Gerais tem 10 vacinas em pesquisa nas universidades

Como funciona o 'passaporte de vacinação'?

 

Os chamados passaportes de vacinação contra a COVID-19 estão em funcionamento em algumas regiões do mundo e em estudo em vários países.

O sistema de controle tem como objetivo garantir o trânsito de pessoas imunizadas e fomentar o turismo e a economia.  


Especialistas dizem que os passaportes de vacinção impõem desafios éticos e científicos.


Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

 

Entenda as regras de proteção contra as novas cepas



 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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